sábado, 17 de março de 2012

5º AXTrail series 2012

AXTrail series 2012 - Circuito de trail running nas Aldeias do Xisto

 

#01 SERIE - Foz de Alge / Ferraria de São João (04-03-2012)


Percurso
Altimetria


Foi com muito entusiasmo que, eu a Lena e os miúdos, nos dirigimos para Ferraria de S. João, no sábado dia 3 de Março. Iríamos mais uma vez participar na 1ª etapa do Axtrail, que tão boas recordações nos tinha deixado no ano anterior.

Aldeia de Xisto

Este ano alugámos um quarto muito agradável nas Casas do Vale do Ninho, geridas por um casal muito simpático, o Pedro e a Sofia, também ele um experiente aficionado destas provas de montanha.
 
Apesar dos primeiros dois meses do ano terem sido de tempo completamente seco, a meteorologia anunciava chuva para o fim-de-semana, e, assim que chegámos a Ferraria, concretizou-se a previsão: chuva em abundância, nevoeiro cerrado e tempo fresco, a rondar os 12ºC. Mas isso não nos desanimou, e após um pequeno de período de descanso junto à lareira quentinha da casa, resolvemos ir jantar ao mesmo local do ano passado, a Aldeia de Xisto Casal de S. Simão. 

Casal de S. Simão

Chegados ao restaurante “Varandas do Casal”, onde estava sediado o secretariado da prova,  levantámos os dorsais e fomos degustar um excelente repasto, composto por umas apetitosas entradas e uma chanfana bem gostosa. Isto do turismo desportivo tem destas regalias: faz bem à alma e sabe bem ao corpo! No restaurante tivémos a alegria de reencontrar o Emanuel Oliveira, companheiro habitual destas andanças.
 
No dia seguinte, cerca das 8 horas, tomámos um pequeno-almoço abundante e saímos para ir apanhar o autocarro que nos levaria até à Foz do Alge. A prova não é em circuito fechado mas sim linear, terminando no centro de BTT de Ferraria.
 
A Lena e os miúdos dirigiram-se para o Casal de S. Simão onde teria início a caminhada de 5 kms. As caminhadas organizadas pela Go Outdoor são muito estimulantes, pois são orientadas por um guia licenciado em Eco-turismo, que vai prestando informações interessantes acerca da fauna e flora, ao longo do caminho.
 
A prova principal, de 32 kms com cerca de 1300 m de desnível positivo, teve início à hora marcada, as 10 da manhã, após as indicações da organização. O céu estava nublado e o tempo bem fresco, embora nesta altura ainda não chovesse.  A malta da frente arrancou bem rápido, como já é costume. Este ano pareceu-me que existiam muitas caras novas, para além dos habitués. O Trail em Portugal está em franca expansão e vê-se cada vez mais gente nova a participar.

Início da Prova

De acordo com as indicações do José Moutinho, co-organizador da prova e sobejamente reconhecido Grão-Mestre da Confraria Trotamontes, o percurso seria o seguinte (idêntico a 2011):
 
«O percurso Foz de Alge - Ferraria S. João tem início junto ao Rio Zêzere na Foz de Alge. Até chegar à Ponte do Poeiro, o percurso segue por um inevitável estradão com vista para o açude de pesca desportiva, até que entra num trilho novo com cerca de 14 km que acompanha a Ribeira de Alge até às Fragas de S. Simão. Zona bastante técnica com paisagem de conto de fadas até chegar às Fragas de S. Simão. Daí para a frente o caminho é já conhecido daqueles que participaram nas edições anteriores. Passagem pela Aldeia do Xisto do Casal de S. Simão, com a descida técnica das fragas, um pouco de alcatrão entre as aldeias de Além da Ribeira e Azeitão e voltamos de novo ao singletrack que raramente é interrompido por algum pequeno troço de caminho mais largo. Após perto de 4 km de trilho ao longo da Ribeira da Ferraria e ao encontrar as Fragas do Cercal, os atletas vão percorrer as cristas quartzíticas do monte de S. João, numa paisagem aberta e vasta que contrastará com as paisagens mais fechadas que encontraram anteriormente. Após 450m de denível e chegados ao topo, resta a descida até à Ferraria de S. João onde poderão cortar a meta junto ao centro de BTT.»

Ribeira de Alge

Eu fiz os primeiros 4 kms do estradão a um ritmo significativamente mais lento do que no ano passado, pois recordava-me perfeitamente do quanto os 20 kms iníciais moem o corpo. Essa primeira parte da corrida é feita em terreno essencialmente plano, mas com muitas mini-subidas e descidas e saltinhos por cima de raízes, troncos e pedras, que desgastam muito as pernas. Em 2011, após sair desse troço e ter iniciado a subida já perto de Casal de S. Simão é que verifiquei que já não tinha muitas reservas para completar os 12 kms que ainda faltavam. Este ano estava decidido a não cometer o mesmo erro!

Abastecimento

Assim, deixei os atletas mais velozes seguirem ao seu ritmo e fui controlando o meu próprio ritmo. O terreno estava muito húmido e frequentemente começava a chover. Caí algumas vezes, mas nunca em locais perigosos. Uma das quedas foi mais aparatosa, pois levou-me a embater com a coxa contra os troncos que formavam uma ponte improvisada, e deixou-me a perna dorida até ao fim da prova.

Monte de S. João

Depois do Casal de S. Simão, fiz a descida técnica das Fragas, percorri o trilho ao longo da Ribeira da Ferraria e ainda subi a custo cerca de 450 metros até à cumeada da Serra do Espinhal, imersa em cerrado nevoeiro, e depois desci  abruptamente até Ferraria de S. João, onde cruzei a meta, debaixo de chuva, após 3h45m de prova, em 24º lugar da Classificação geral, 8º do meu escalão, tendo concluído a prova 130 atletas. Melhorei 20 minutos em relação ao tempo do ano passado e desta feita não me perdi uma única vez.


Meta

Após o banho revitalizador, fomos almoçar o churrasco da praxe, no pavilhão da Aguda,  preparado pela organização. Gostaria de realçar que a toda a organização, tanto da prova como da caminhada, estiveram impecáveis, como, aliás, é de seu tom. No pavilhão confraternizámos com os restantes participantes deste magnífico evento. Não pudemos ficar para a ceromónia de entrega dos prémios pois tinhamos que voltar cedo para Lisboa.

Para dar um equadramento histórico e cultural, vale a pena deixar aqui o texto que o José Moutinho publicou no Forum do Mundo da Corrida:

«Foz de Alge teve na Historia um papel importante e estrategico para Portugal pois nas suas terras encontrava-se a fábrica de fundição de ferro na margem da Ribeira de Alge, e, sem dúvida, enquanto durou foi factor de desenvolvimento económico e social, contribuindo para a elevação da Arega a concelho durante séculos e deixando até ao presente vestígios de alguma burguesia, existente nesse período.

Estas ferrarias, consideradas as mais importantes, devido à proximidade de matas circundantes (esteva e urse), aproveitadas para o combustível exigido pelo seu funcionamento e localização. De resto, era juntamente com a agricultura uma das riquezas naturais dos habitantes - a exploração do carvão vegetal -.
Infelizmente, de 1759 a 1761 as ferrarias desta zona foram mandadas encerrar. No dizer de Martins da Cunha Pessoa, que mandou examinar, trinta anos depois as ruínas, de duas delas junto à Vila de terá sido por “má condução das lenhas por parte de quem as utilizava”.
Porém, no início do século XIX, foram feitos esforços para por a funcionar as ferrarias da foz do Alge, sob a direcção de José Bonifácio de Andrade e Silva, intendente-geral de minas, e, em cumprimento da carta régia de 18 de Maio de 1801, procederam à reconstrução e chamaram mineiros, fundidores e refinadores, todavia, suspensos em 1807 devido às invasões francesas.
Apesar disso, mais tarde ai foram fabricadas armas que o exército Miguelista utilizou no cerco do Porto.»

Ferrarias

5 comentários:

  1. Luís,

    Excelente relato e magnifica prestação. Estás cada vez melhor, a beneficiar, com inteligência, da experiência acumulada.

    Runabraço

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  2. As tuas descrições dão sempre vontade de lá ter estado. São descritivas e ao mesmo tempo partilham uma opinião. Muito obrigado por nos mostrares um Portugal tão interessante, Margarida

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  3. Muito bem, o local parece muito agradável.
    Runabraço,
    Carlos Martins

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  4. Grande Luis,

    Mais uma fantástica cronica, runástica prestação atlética e fim de semana em familia.
    Cada vez melhor na escrita e na corrida.

    Parabéns e RunAbraços.

    NDA

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  5. Luís continua a correr e a partilhar os relatos connosco pois tens um conjunto de agradados e fieis leitores.Obrigado.

    Abraço

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