domingo, 21 de outubro de 2012

II Grande Trail Serra D'Arga



Sexta-feira, dia 5 de Outubro de 2012. Este feriado, o último em que se comemora a Implantação da Republica Portuguesa, que teve lugar em 1910, veio mesmo a calhar. Para quem não se recordar, nesta data comemora-se também o reconhecimento da independência do Reinado de Portugal, consubstanciada na assinatura do Tratado de Zamora por D. Afonso II de Leão e Castela, em 5 de Outubro de 1143. Ora, nos tempos conturbados que se vivem, esta independência anda um pouco ameaçada, como aliás já o esteve noutras ocasiões, e mais, ao longo dos seus quase 900 anos de história.

Mas basta de história. Dizia eu que o feriado veio mesmo a calhar porque neste fim-de-semana teria lugar em Caminha no Minho, a 2ª edição do Grande Trail Serra D'Arga. Assim pelas 14 horas já nos encontrávamos a caminho do norte, a família inteira iria participar no evento desportivo.

Após uma viagem mais rápida do que o previsto, lá chegámos ao Hotel Portas do Sol em Caminha, onde no dia seguinte teriam lugar as II Jornadas Técnicas do Trail.

O Norte evoca sempre em mim as férias da minha infância, passadas na ria de Aveiro, no Torrão do Lameiro, pequena povoação perto de Ovar. Os telhados das casas, as culturas, os cheiros, tudo me faz lembrar esse período feliz.

No sábado tivemos a grande alegria de reencontrar muitos dos amigos e habituais participantes nestas corridas pedestres na montanha. Esta prova teve uma enorme adesão, com 450 inscritos em cada uma das distâncias maiores, os 45 km e os 21 km, e ainda cerca de 140 inscritos nos 12 km, testemunho da qualidade organizativa e da enorme popularidade do Carlos Sá, o nosso atleta mais reconhecido e que muito tem feito pelo desenvolvimento da modalidade em Portugal.

De resto, o Trail Running é uma modalidade em grande expansão, e que suscita um interesse crescente entre a população portuguesa. Desejamos que assim continue pois, quanto a mim, trata-se de uma modalidade com grandes virtudes e que potencia valores muito positivos como sejam, entre outros, o são convívio, cooperação, entre-ajuda, respeito pela natureza, auto-superação, vida saudável, etc.

Nesta prova tive a oportunidade de constatar várias dessas qualidades empregues em benefício da minha pessoa. Mas estou-me a adiantar ao relato dos acontecimentos.


Dr. Pedro Amorim - Jornadas Técnicas do Trail

Comecemos por descrever brevemente as Jornadas Técnicas. Tal como no ano passado, o programa foi novamente muito interessante e tivemos a oportunidade de ouvir o Carlos Sá, o "Ultra Man" António Nascimento, o Dr. Pedro Amorim, e o Marco Olmo. O Carlos falou-nos das suas experiência na MDS e UTMB. O António, da sua preparação e participação no UltraMan do País de Gales (10 km natação + 421 km ciclismo + 84 km corrida). O Pedro falou-nos de lesões desportivas. O Marco inspirou-nos com as suas17 participações na MDS e 2 vitórias no UTMB, e os seus 64 anos de idade sempre muito activos e longe da idade da reforma. Sobretudo todos eles nos inspiraram respeito e admiração com o seu modo simples de partilhar connosco os seus extraordinários feitos.


Run 4 Fun no restaurante

Fomos jantar com os companheiros de equipa do Run 4 Fun a um Restaurante muito agradável, o Rio Coura. Degusta-se um polvo com broa e um cabrito excelentes, com uma companhia muito agradável.



Partida do GTSA 2012

No domingo tivemos um início de dia abrupto quando o telemóvel começou a apitar descontroladamente e não havia maneira de eu o conseguir desligar. Devo ter acordado a família inteira, quando finalmente lá o consegui calar. Eles iam participar na prova de 12 km, que só teria início às 10 horas, portanto tinham direito a mais umas horitas de sono.

Às 6 da manhã, juntei-me ao Paulo Jorge na sala do pequeno-almoço onde abasteci abundamentemente o estomago. Depois partimos para Dem, povoação a cerca de 10 km do Hotel, onde teria lugar a partida da Maratona.


Zona da partida

No local de partida, entre outros companheiros, encontrei o Carlos Monteiro. Decidimos correr juntos, para nos apoiarmos mutuamente. Foi uma excelente decisão, pois mantivémo-nos juntos durante a maior parte da corrida o que nos ajudou bastante.

No ano passado vimos frustada a vontade de cumprir a distância por inteiro devido às condições meteorológicas desfavoráveis (ver meu post do ano passado). Este ano o céu apresentava-se limpo e o tempo ameaçava aquecer.

Foto de Lina Batista

 À oitava badalada da torre da Igreja é dada a partida e lá arranca a mole humana, os primeiros a tentarem posicionar-se para não perderem muito tempo no single-track que se avizinhava e os menos competitivos mais lentos e mais descontraídos.

Os primeiros 3 km são feitos sempre a subir, e temos que vencer uma forte inclinação.

Ao fim de alguns quilómetros somos ultrapassados pelo companheiro Zé Guimarães, sempre em grande forma.


Foto de Ruben Huertas

Passamos pelo rio, muito escorregadio e tenho aqui o meu primeiro percalço ao embater com a coxa numa rocha, o que me provoca uma perna dorida para o resto da prova.

Aos 21 km passamos por S. Lourenço onde se encontra a meta da Meia Maratona. Pouco depois reencontramos o Zé e o Paulo Costa.

O percurso é muito duro. As subidas são demolidoras e as descidas arrasantes.

Antes da ultima subida começo a sentir fortes caimbras nas coxas e nos gémeos. Felizmente, apesar disso continuo a conseguir progredir. É muito raro ser atacado por caimbras, o que me revela a dureza do percurso.

Consigo chegar ao último abastecimento ainda a sentir-me com força bastante para completar os últimos 3 km sem esmorecer. A prova está-me a correr bem, e o meu Garmin marca 42 km feitos em 5h48.

Infelizmente ao virar da esquina o desastre espreita!

Assim que inicio a descida para Dem, tropeço numa pedra e caio desamparado sobre umas rochas, o que me faz sofrer várias escoriações, um punho dorido e um golpe num sobrolho, o qual é passível de ter provocado alguma inquietação entre os companheiros que passaram a seguir, pois deve ter escorrido aparatosamente algum sangue sobre o meu rosto. Na altura fiquei algo desorientado e como não via nada do olho esquerdo confesso que receei o pior.

Felizmente nada era de grave a após o sangue ter sido limpo por um bombeiro, e me terem passado as caimbras que me assolaram após a queda, lá prossegui até à meta no ritmo possível.

Gostaria de realçar o ENORME espírito de camaradagem que existe entre os atletas desta bela modalidade: não houve nenhum atleta que não parasse para indagar do meu estado, e para inquirir se poderia ser de algum auxílio, atrasando-se alguns minutos preciosos e comprometendo assim a sua prestação na corrida. Inclusíve, os primeiros que me viram voltaram algumas centenas de metros atrás ao abastecimento para ir buscar auxílio. Isto só revela da grande qualidade humana e do enorme espírito de entre-ajuda que se encontra entre estas pessoas. Pela minha parte fiquei muito sensibilizado e gostaria de agradecer publicamente a todos esses companheiros.

Um grande BEM HAJAM para todos!


Meta

Na meta fui recebido calorosamente pelo Carlos Sá, que fez questão de receber todos os atletas à medida que chegavam.

Apesar do meu percalço, considero que foi um belíssima prova, uma excelente organização, e um óptimo dia para correr. Para o ano estarei cá novamente.



Equipa Run 4 Fun

Entretanto, o Run 4 Fun tinha uma vasta equipa a participar nos 12 km, com 600 m D+, entre eles a minha companheira e os nossos dois filhos.


Foto de Manuela Cruz

Também eles adoraram a prova. No fim tiveram todos direito ao colete de Finisher, o que os deixou impantes de orgulho.

A equipa ficou classificada em 3º lugar e teve direito e troféu.


Troféu do 3º lugar por equipas

Muitos parabéns para a equipa, quase integralmente feminina!!!

Vários outros companheiros Run 4 Fun participaram na Maratona e na Meia Maratona. A minha homenagem para todos eles.

Vários elementos da equipa Run 4 Fun (os da Maratona já tinham partido)


Agora a próxima aventura será em Novembro na Serra da Lousã, onde tenciono completar os 82 km do UTAX.


1 comentário:

  1. Luís,

    Mais um belo relato, com o realce do grande espírito de solidariedade que existe nas corridas de montanha.

    Parabéns por mais uma prova, em família.

    Runabraço

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