quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Ultra-Trail du Mont-Blanc - Preparação




A primeira vez que abordei o tema da preparação para o UTMB foi neste post, faz hoje precisamente 3 anos. Desde então já muita água passou debaixo dos moinhos.

Candidatei-me dois anos consecutivos apenas para ver as minha expetativas goradas pela má sorte no sorteio.

Para quem não conhece as regras, o UTMB será provavelmente a prova de Trail mais cobiçada do mundo, com uma quantidade de candidatos muito superior ao número de lugares disponíveis (2300).

Esta prova é vista como uma espécie de "Jogos Olímpicos do Trail" onde se degladiam os nomes mais sonantes da elite mundial e onde o pelotão quer estar presente em peso.

Para dar vazão à enorme procura, a organização criou um sistema de seleção em que é necessário pontuar para poder fazer a candidatura a um lugar na prova:

Registration to UTMB® is only allowed to competitors who have already had an experience and who can prove it. To enrol for the UTMB® 2015, you need to have acquired a minimum of 8 points by having completed, between 2013/01/01 and 2014/12/31 exclusively, races included in this list. The 8 points have to be acquired with 3 races maximum.This race is limited to 2300 competitors.

http://www.ultratrailmb.com/en/

No entanto, apesar deste sistema, ainda existe um número muito elevado de candidatos que superam esta primeira barreira. É feito um sorteio anual pelas vagas existentes. Quem falha o sorteio, no ano seguinte tem uma ponderação de 2x e portanto o dobro das probabilidades de ser sorteado. À terceira tentativa a entrada é garantida.

Foi precisamente isso que me aconteceu.

Poderia ter decidido fazer uma das outras provas mais curtas, o CCC ou o TDS, mas como sou muito focado num objetivo que me faça sentido, mantive a aposta na prova rainha de 168 km.

No Desporto, a minha modalidade de eleição é o Ultra Trail, que pratico desde 2010.

Fiz a minha primeira prova com 3 dígitos em 2011, os 100 km de Ronda.

Este ano será o culminar de um caminho de preparação, que passou pela participação anual numa prova com mais de 160 km, desde 2012.

Em 2012 completei os 168 km do Ehunmilak.

Em 2013 completei os 160 km do GRP.

Em 2014 completei os 214 km do VCUF.

Cada uma destas experiências extremas me ensinou qualquer coisa.

Correr 100 milhas não faz de nós uns seres excecionais. A forma como o fazemos é que poderá fazer a diferença. E não me refiro ao tempo final ou à performance geral.

É como na vida.

Nem sempre conseguimos escolher as circunstâncias em que vivemos mas podemos sempre escolher como as vivemos.

Para mim a única forma possível é com paixão.

Quem não tem paixões não tem nada.

As minhas jogam-se num triângulo com os vértices na Família, no Trabalho, e no Desporto que é também cada vez mais sinónimo de amigos.

Quando se consegue uma é bom, duas é excelente, três é perfeito.

Este ano estas 3 paixões têm-se reforçado umas às outras o que me faz sentir mais equilibrado do que nunca.







Sinto-me preparado para completar os 168 km do UTMB.




Quem me quiser seguir poderá fazê-lo no seguinte link, inserindo o dorsal nº 1474:

http://utmb.livetrail.net/coureur.php


Trail Camp da Lousã




E porque a vida de um Trail Runner não são apenas as provas, quero falar aqui um pouco acerca dos Trail Camps.

Este ano já participei em mais Trail Camps do que em provas de Trail. Na verdade apenas fiz o MIUT e o TLSM, e até ao fim do ano apenas estou inscrito no UTMB e no UTAX.


Quanto a Trail Camps, participei nos seguintes:


Estágio da Seleção Nacional de Trail, no Vale do Rossim, Serra da Estrela, em Maio, uma organização conjunta da ATRP e do Armando Teixeira.

Já aqui falei deste estágio, mas importa sublinhar que foi um momento de excelente convívio e fortalecimento de laços entre todos os elementos da comitiva Nacional que iria participar nos Campeonatos do Mundo de Trail (participei na qualidade de acompanhante técnico, representando a Federação Portuguesa de Atletismo).


Tour du Mont Blanc, em Junho, 190 km em 4 etapas em autonomia em cada uma delas, com estadia em refúgios de montanha, uma organização do Paulo Pires.

Este foi um dos "passeios" mais interessantes que já fiz, com uma das equipas mais Loucas e divertidas de sempre. Mas o melhor é lerem o relato do Paulo Pires. Está lá tudo.


Alcains Trail Camp em Julho, uma organização do Didier Valente.

Pernoitámos no ginásio da escola local e no sábado cumprimos um treino inolvidável, na magnífica Serra da Estrela,  de cerca de 47 km, com início em Alvoco, subida à Torre, descida subsequente a Loriga e percurso inverso (cerca de 3.000 m D+). Foi a 2ª vez que participei neste Trail Camp e mais uma vez adorei a experiência.


Inauguração do Centro de Trail de Vila Nova, em Julho.

Inauguração de um dos 2 primeiros Centros de Trail Running em Portugal (o outro foi inaugurado no fim-de-semana anterior em Penacova). Um conceito muito interessante que irá sem dúvida divulgar ainda mais o Trail Running e permitir que muitos desportistas percorram trilhos míticos em qualquer altura do ano, sem necessidade de o fazer em prova.


Treino Convívio do Vitorino Coragem, em Julho, em Miranda do Corvo, com centro logístico no Centro de Trail de Vila nova.

Foram dois treinos muito divertidos, com direito a banhos em cascatas e abastecimentos regulares muito bem providos de cerveja e grelhados. Ninguém como o Vitorino para nos oferecer de bandeja o que a Serra e as gentes locais têm de melhor para dar.


Todos estes estágios têm sido momentos de convívio priveligiado com pessoas e atletas de eleição. É muito gratificante poder conhecer indivíduos das mais variadas origens geográficas, profissões e idades, todos unidos pela mesma paixão pela corrida na natureza e pelo convívio saudável. Pudera eu viver muitos anos com saúde para poder usufruir sem limites desta minha enorme paixão.