sábado, 24 de junho de 2017

Estrela Grande Trail 2017 ou a Crónica de um DNF







Mais cedo ou mais tarde tinha que acontecer. Não consegui terminar os 109 Km do Estrela Grande Trail.

Não deu mais. Cheguei ao abastecimento de Alvoco da Serra completamente desgastado e não consegui prosseguir.

Foi a primeira vez que me aconteceu.

Sempre pensei que uma desistência numa prova seria uma espécie de via de não retorno, que abriria caminho para outras futuras desistências.

Mas agora que aconteceu verifico que não é nenhum bicho de sete cabeças. Posso até dizer que esta desistência me ensinou mais do que muitos provas terminadas com sucesso.

Ensinou-me que de facto o que importa mesmo é participar! Eu sabia que não estava em forma para percorrer os duros 109 Km da Serra da Estrela. Já tinha completado a prova em 2016 e estava bem ciente do que me esperava.

Mas decidi não ficar em casa. Decidi ir à luta. Mais: decidi não trocar a distância maior pela outra mais curta.

E não me arrependi. Já não consegui subir até à Torre, mas desci até à Louriga, que é sempre um percurso facinante.

É imperioso ter a humildade de escutar o corpo.

O que retiro desta aventura é todo o incrível ambiente que sempre rodeia as boa provas de Trail. As viagens na companhia de amigos; o rever companheiros que conhecemos há já vários anos. A dormida em solo duro em ambiente comunitário. A imersão na natureza. O prazer de estar vivo.













Eu e o companheiro de viagem Paulo Costa na linha de partida












Didier e Bruno










Fica também na memória o registo da participação no ano anterior, em 2016, onde fui mais feliz:










Paulo Pires, Eduardo Ferreira, Neville Suzman, eu escondidinho...





















sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Balanço de 2016





Parafraseando os Gato Fedorento:

"Este foi um ano excelente! Vá lá, foi um bom ano... Pensando bem, foi razoavelzinho... Fraquinho, sim, foi bem fraquinho."


Enfim, estou vivo e isso já não é mau...

Tirando problemas familiares e de trabalho, já para não falar no estado do Mundo, o aspeto desportivo também podia ter corrido melhor.

Ainda assim, completei 4 Ultras: o Estrela Grande Trail, o UTAT, os Campeonatos do Mundo na versão 55 km, e o EMUM - Eco Madeira.

Mas estas coisas devem ser vistas sob uma perspetiva de longo prazo, ou não fossemos desportistas de Ultra Endurance. Este ano foi mau? Para o ano será melhor!



Primeiro ponto da análise: o peso. O seguinte gráfico faz lembrar o dos juros da dívida pública portuguesa: uma primeira fase de grande descida após a adesão ao sistema monetário europeu, seguida de uma subida acentuada após constatação da sua insustentabilidade. Desde então oscila ao sabor dos caprichos do Banco Central Europeu.






Segundo ponto, evolução do volume mensal de treino ao longo dos anos: nota-se que 2010, 2011 e 2012 foram anos mais certinhos, e 2013, 2014, 2015 e 2016 foram mais inconstantes, se bem que com fortes cargas em algumas épocas do ano. 





Ano a ano (distância, desnível e TOTAL = uma média ponderada da corrida + 4 x natação + bicicleta / 3):













As minhas participações em provas registadas pela ITRA - International Trail Running Association:



O que em termos de Índice de Performance me atribui a seguinte notação:



Ou seja, de acordo com a escala das agências de notação de risco, entrei em incumprimento, com pequena probabilidade de recuperação:


Escala da ITRA:




Escalas das 3 principais agências de notação de risco:




O que levou os senhores da ITRA a escolherem uma classificação decalcada das agências de rating, ultrapassa-me, mas fico feliz em saber que sou considerado non-investment grade, ou nos termos vulgarmente usados, lixo.
.


Bem, o que importa é olhar para o percurso feito ao longo de todos estes anos (apenas os 5 mais recentes para não tornar a tabela ainda mais ilegível do que já é):






E já agora, um excelente início de 2017 para todos vós e não se esqueçam de ser felizes!



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Provas Insanas - Isklar Norseman Xtreme Triathlon











“The tears stream down my cheeks from my unblinking eyes. What makes me weep so? There is nothing saddening here. Perhaps it is liquefied brain.”
 ― Samuel Beckett 



The Ironman distance in Triathlon is widely regarded as one of the most challenging physical and mental achievements that an athelete can endure.

Now, if you transpose this challenge to a much harsher environment,where you have to complete the same distance in each of the 3 disciplines of triathlon, but in 5ºC water, and with much steeper ride and run than usual, then you are in for a treat!


"After swimming almost 4km to the remote Eidfjord, participants must cycle 180 km over five mountain passes with a total of 4.1 km vertical ascent and then run 42 km to the top of the 1.9 km-high Mount Gaustatoppen."



From the Wikipedia:

«The Norsemanxtreme triathlon is a non-Ironman branded triathlon, point to point, race held in Norway annually. The distances are equivalent to those of an Ironman race with the swim starting from the loading bay of a car ferry, through the water of the Hardangerfjord fjord to the local town, Eidfjord.[1] At Eidfjord the competitors transition onto their bikes and then cycle 180 km through the mountains, the first 40 km of which is uphill (reaching 1200 m above sea level).[1] After transition two (at Austbygda, 190 m above sea level), the competitors then run 42.2 km of which the first 25 km (to Rjukan) are flat and following this they end up climbing the local mountain, Gaustatoppen, 1,880 m above sea level.[1]
The race is "unsupported" so competitors need to have personal back up crews that follow them with cars to provide them with food and drink.[2] The support crews also have to accompany their competitor up the final mountain climb due to the inherent dangers of being highly fatigued on a mountain. During this final mountain climb competitors are required to carry a backpack containing emergency food and clothing[2] should the weather turn, whilst they are on the mountain.
Weather conditions and strict health checks and deadlines determine whether the race can be followed into the mountains and those that finish are given a black finishers top and take on the name "Norsemen". Those that do not make the cut-off time but complete the distance on a lower alternative route are given a white finishers top. The number of participants is usually limited to a certain number of competitors. Approximately 40% of the participants are from outside Norway; and about 15% are female.
Norseman triathlon first took place in 2003 with 21 individuals at the starting line. The race record for (full swimming distance) for men is 10:22:37 by Lars Petter Stormo (Norway) in 2016 and for women 12:17:04 by Annett Finger (Germany) in 2012 for women.»




Eidfjord, swimming done here

















Måbødalen, cycling done here












Gaustatoppen, running up the mountain