quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Provas Insanas - Trans Europe Foot Race 2003




No que toca a provas insanas, não se pode dizer que haja muitas que ultrapassem a Trans Europe Foot Race em loucura absouta.

Senão vejamos: uma prova de corrida a pé, com 5.100 km de comprimento, em 64 etapas, de Lisboa até Moscovo. E essa foi apenas a primeira edição desta prova, em 2003. Desde então já decorreram mais duas edições, em 2009 e em 2012, com percursos diferentes, mas igualmente insanos.

Imaginem que num belo dia de Abril chegam a casa, se viram para o(a) vosso(a) companheiro(a) e lhe dizem: vou dar uma corrida, volto no fim de Junho. Não esperes por mim para jantar.



De acordo com a wikipedia:

«The 2003 Trans Europe Foot Race was organized by Ingo Schultze. It ran from Lisbon to Moscow in 64 days and covered approximately 5,100 kilometres (3,200 mi). Out of 44 starters, there were 22 finishers including one wheelchair athlete with Mariko Sakamoto the only woman to finish. The event was won by Robert Wimmer from Germany with a running time of 480 hours and 29 minutes





Percurso:




Etapas:




Participantes:




Algumas estatísticas:



Ou seja, em 2003 o participante mais novo tinha 34 anos e o mais velho tinha 66 anos.




1ª etapa:




Pelas fotos pode-se ver que já não são nenhumas crianças...

Aliás, parecem-se bastante com os habitantes da aldeia dos irredutíveis gauleses...


Ah! não! ...são estes aqui:












Ora está aqui uma ponte....




E aqui está outra...





Ao fim da 1ª etapa:





2ª etapa:




Espanha é para aquele lado pá!



É aqui que vão passar a noite:



2ª etapa terminada:




3ª etapa:











Hidratação



4ª etapa.






etc






etc





























Estes já tinham idade para ter juizo...







Que é feito da catedral de Burgos?





Aqui está ela:






Ainda não sairam de Espanha e eu já estou cansado...

Ilustrar esta prova de malucos é uma maratona por si só. Salto para mais perto do fim.



59ª etapa:



Pelo carro da polícia já devemos estar na Russia...



Os malucos que ainda restavam na Etapa 59 (e que chegaram todos ao fim), incluindo o nº 40 de cadeira de rodas:





64ª etapa:



Ultima etapa!







Ganhou o Astérix...



O italiano ganha o prémio do gajo que tem mais pinta...





Vencedor absoluto:









Em 2009 há mais...


Provas Insanas - Transpyrenea 2016






Inicío hoje uma série de posts dedicados a provas extremas de Ultra Endurance.



Começo por estabelecer a minha definição pessoal de Ultra Endurance.

Para mim Ultra Endurance é qualquer prova desportiva que exija um esforço continuado que ultrapasse um determinado número de horas, dependendo se estamos a falar de um atelta de elite ou de um atleta de pelotão.

Uma vez que o recorde mundial do Triatlo IronMan foi estabelecido neste ano de 2016, pelo Lionel Sanders, em Arizona 2016, com 07h44, e uma vez que a média do pelotão está calculada em 12h35, a minha definição estabelece que para a elite é um tempo em esforço superior a 7h30 horas e para o pelotão um tempo em esforço superior a 12 horas.








É frequente ser recebido com uma reação incrédula quando descrevo as provas de Trail Ultra Endurance em que participo. As pessoas que não conheçam a modalidade ficam espantadas que seja possível correr 215 km com 10.000 mD+ em 40 horas seguidas, sem parar para dormir.

E mais espantadas ficam quando começo a descrever as provas verdadeiramente insanas que têm lugar ocasionalmente por este nososo maravilhoso mundo fora.

Foi esse espanto que me levou a ter vontade de escrever acerca desses feitos épicos, que poucos julgam possíveis.





Começo por descrever algo que penso poderia estar ao alcance de uma pessoa "normal" como eu, caso dedicasse um esforço inteligente para cumprir uma preparação prévia adequada.

Trata-se da TRANSPYRENEA (Transpirenáica), que teve a sua primeira edição no verão de 2016 e terá a segunda em Agosto de 2018.







Esta é uma prova de cerca de 866 km de comprimento e 65.000 mD+, a ser completada em 400 horas de tempo máximo.

Atravessa os Pirinéus, de costa a costa, do lado francês, e é feita em autonomia quase completa, uma vez que apenas tem 3 bases de vida. Logo os atletas são forçados a transportar o equipamento e a alimentação suficientes para percorrerem autonomamente o caminho entre cada uma das bases de vida.










Para além disso tem a dificuldade acrescida de ser uma prova que não é balizada, ou seja não é marcada por fitas ou placas indicativas. Os atletas têm que se orientar pelas marcações do GR 10 (Grande Rota) que liga o Mediterrâneo ao Oceano Atlântico através dos Pirinéus com picos entre os 2500 e os 3000 metros de altitude.








Esta primeira edição contou com a participação de 6 ateltas portugueses e decorreu entre 18/07 e 04/08 de 2016.





De acordo com a preciosa informação prestada por Orlando Duarte:


244 atletas / 213 homens e 31 mulheres

Armada Lusa:

006 - João Oliveira
128 - Célia Azenha
139 - Jorge Serrazina
194 - Daniel Cardoso Dias
216 - Paulo Caparicas
242 - João Colaço
e ainda João Daniel de Melo

Dos quais 5 terminaram a prova.









Os vencedores da prova masculina foram dois franceses e um sueco que terminaram juntos, honrando o espírito de fair-play e desportivismo que caracteríza a modalidade de Trail Running.


1º - Jhoan Steene, Suécia,...........302:14:33
1º - Valery Causserieu, França....302:14:33
1º - Laurent Gueraud, França......302:14:33


A vencedora feminina chegou a andar em 3º lugar, mas foi ultrapassada no troço final conseguindo um excelente 4º lugar da geral absoluta.


1ª - Julia Boetger, Alemanha.........304:33:22
2ª - Keri Devine, Nova Zelândia....317:04:27
3ª - Cristina Tasselli, Itália.............334:09:15








Reparem no estado dos pés do sueco à chegada:





A vencedora:





Tabela Classificativa, com o primeiro portugues, João Oliveira, em 10º lugar.




Fotos da prova: