Ao longo da minha vida, houve sempre uma tensão entre a contemplação e a ação. Enquanto me demorava numa pergunta, havia alguma coisa por fazer. Enquanto fazia, havia alguma coisa que gostaria de compreender melhor. Ambas reclamavam tempo, e o tempo que dava a uma já não estava disponível para a outra. A minha curiosidade levou-me a mudar frequentemente de objeto de estudo. Biologia, física, gestão, história, engenharia: cada domínio abria um mundo, com as suas perguntas, os seus instrumentos e as suas maneiras de olhar. Entrar num deles era descobrir quanto havia ainda para aprender. Entretanto, outro começava a chamar por mim. Reconheço-me nesta passagem de Um, ninguém e cem mil , de Luigi Pirandello: Não é que, atenção, a minha vontade se opusesse a seguir as vias para as quais o meu pai me encaminhava. Seguia-as todas. Mas, avançar por elas, não avançava. Detinha-me a cada p...
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