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Aldeias do Xisto, os Abutres e o Mundial de 2019

A história mais improvável do trail português: um grupo de futsal de Miranda do Corvo (2003) que fundou a Associação Abútrica e cresceu até organizar o Campeonato do Mundo de Trail de 2019. O Mundial deu visibilidade a um trabalho local — não o criou. E em 2025 o desgaste fechou a prova.

MIUT — anatomia de uma prova-bandeira

MIUT — anatomia de uma prova-bandeira. Do gesto atlético que a fundou (a travessia da ilha desde 2004) à entrada no circuito mundial em 2015, e das centenas de participantes aos milhares. A prova portuguesa mais visível lá fora — e por que razão não é a mais representativa.

Organizadores-atletas: quem correu e construiu ao mesmo tempo

Uma parte decisiva do trail português foi construída por quem primeiro o correu: os organizadores-atletas. De José Moutinho — um dos maiores ultramaratonistas de sempre antes de fundar a Freita — a Carlos Sá e aos fundadores do MIUT, a prova que nasce do gesto atlético, e as tensões do papel duplo.

Atletas internacionais em solo português: quando a elite mundial veio correr a Portugal

Quando a elite mundial do trail veio correr a Portugal: de Dean Karnazes na Freita a Walmsley e Dauwalter no MIUT. O palmarès conta a história — vencedores portugueses até 2015, domínio estrangeiro desde 2016, exactamente quando a prova entrou no circuito mundial.

Provas que desapareceram: o que o calendário do trail não mostra

Que provas de trail portuguesas desapareceram — e porquê? Da Contra-Relógio da Serra de Sintra (1994) ao Trilho dos Mouros do Arestal, o catálogo extinto da pioneira Terras de Aventura. E a armadilha do arquivo: quase todas as provas que a base dá por mortas estão, afinal, bem vivas.

A Geira Romana: dois mil anos de percurso, uma prova de trail

Há provas que inventam o terreno e provas que o herdam. A Ultra Trail Geira corre-se sobre uma estrada romana de dois mil anos — a Via XVIII, Monumento Nacional — entre o Gerês e a Galiza. Foi aqui que Carlos Sá começou nas ultras. Palmarés verificado 2008–2019, o substrato patrimonial e o enigma da numeração das edições recentes.

Strava: a prova que está sempre a decorrer

O segmento do Strava transformou cada trilho numa prova assíncrona e permanente (KOM/QOM/CR); o kudos herdou a validação que era dos blogues e fóruns. A camada social e competitiva do trail digital — com a privacidade do mapa de calor, o paradoxo do arquivo e o contraponto à democratização. Companheiro do 57 (plataformas de treino).

Plataformas de treino: a camada privada do trail digital

Se o Strava é a camada social do trail digital, as plataformas de treino — Garmin Connect, COROS, TrainingPeaks, intervals.icu — são a sua camada privada e prescritiva. Trouxeram uma cultura de métrica (carga de treino, VO2máx estimado, ritmo ajustado ao declive) calibrada para plano, que engana em montanha. O uso real em Portugal fica declarado por obter.

Psicologia e motivações no trail português: o porquê — e o preço

Post da série História do Trail Running em Portugal: porque é que alguém corre distâncias que ultrapassam a razoabilidade — e qual é o preço. O «porquê» vivido, a cabeça na prova, o trail como regulação emocional e o reverso obsessivo. Testemunho com fonte, sobretudo do próprio autor, e lacunas declaradas: a ciência mediu o corpo do trail runner português; a sua cabeça continua quase por estudar.

Comparação Ibérica e Europeia — onde se situa o trail português?

Onde se situa o trail português no contexto ibérico e europeu? Nem «atrasado» nem «excepcional»: uma posição intermédia razoável. Três modelos institucionais europeus, o conflito federativo que afinal é ibérico (FEDME vs RFEA, como FPA vs ATRP), as provas-bandeira e os dois Mundiais que Portugal acolheu.

Redes Sociais e Fóruns: onde a comunidade de trail se reconheceu

Redes sociais e fóruns na história do trail português: do fórum «O Mundo da Corrida» (onde se lançaram provas) à migração dos blogues para o Facebook, do Strava como dado ao Instagram como imagem e ao WhatsApp como grupo fechado. Foram o espaço onde a comunidade se reconheceu — e o arquivo mais frágil de todos.

Arquivistas e Memorialistas do Trail Português

Quem guardou a história do trail português? Arquivistas informais — sobretudo João Lima (resultados de 1910 a 2020) —, a Wayback Machine e os seus buracos, as plataformas de cronometragem como arquivo acidental, e a folha de cálculo pessoal que salvou provas ausentes de todos os arquivos. O que não foi arquivado perde-se.

Fotografia e Cultura Visual do Trail Português

Fotografia e cultura visual do trail português: um número reduzido de autores fixou a estética da modalidade em três camadas — prova, paisagem e comunidade. A paisagem tornou-se a mais visível; a comunidade, a mais ausente. E a memória visual perde-se por falta de arquivo, não de imagens.

Trail e Classes Sociais — quem corre, quem não corre, porquê

Quem corre trail em Portugal? Maioria masculina esmagadora, idade 30-50, e uma quota feminina que encolhe com a distância. Sobre classe e rendimento não há estudo representativo — e este dossiê diz porquê, com leitura crítica das barreiras de acesso.

Trail e Turismo Desportivo — o país que se tornou destino

Trail e turismo desportivo: como Portugal — sobretudo as suas ilhas — se tornou um destino de trail. No MIUT, 66% dos atletas são estrangeiros e a França inscreve mais do que Portugal; nos Açores, 90% vêm de fora. Os operadores, a estratégia regional e os riscos de um destino concentrado em duas ilhas.

Trail e Desenvolvimento Local — o motor e a sua fragilidade

Trail e desenvolvimento local em Portugal: como uma prova enche os hotéis de uma vila do interior — e por que esse motor é frágil. O caso dos Trilhos dos Abutres (20.000 visitantes… e o cancelamento de 2026), a rede das Aldeias do Xisto, e a pergunta que é preciso não exagerar.

Trail e Sustentabilidade — do slogan ao indicador

Trail e sustentabilidade em Portugal: a norma do copo próprio já mudou os abastecimentos, mas a pegada dominante é a mobilidade. Quatro planos — ambiental, social, económico e governação — e a lacuna que interessa: nenhuma prova publica indicadores comparáveis.

Trail e Alterações Climáticas — o calendário que aquece, o terreno que arde

Trail e alterações climáticas em Portugal: o IPMA mede +0,3 °C/década e os cinco verões mais quentes de sempre na última década. Quatro eixos de impacto — calendário, segurança, terreno e ecossistemas —, as respostas existentes e o que importar do estrangeiro. Antecipar custa pouco; reagir custa muito.