sábado, 24 de março de 2012

III Ehunmilak 2012 - Preparação - 1º Mesociclo


Preâmbulo: Ehumilak significa 100 milhas em Basco. Com a particularidade de serem 100 milhas percorridas com 22000 metros de desnível acumulado (11000 D+) em terreno bastante técnico (vulgo, duro) com 48 horas de tempo limite.




Iniciei a minha participação nas Corridas em Trilhos (Trails), em Maio de 2010, no III Ultra Trail da Geira,e logo aí me tornei adepto desta modalidade. Essa é uma prova de uma grande beleza, que atravessa o cenário paradisíaco da Serra do Gerês.

Desde então, já participei em 12 provas de Trail e 7 de Ultra-Trail. Confesso que as minha provas favoritas são mesmo as de Ultra-Trail (distâncias superiores à da Maratona, em Montanha, por caminhos de terra batida ou por trilhos na montanha).

Para mim, a prova  mais emblemática do Ultra-Trail é, sem dúvida, o Ultra Trail do Monte Branco (UTMB), e gostaria muito de a fazer numa data futura. No entanto, uma vez que apenas existem 2500 dorsais disponíveis para fazer a prova e a procura tem vindo a ser cada vez maior (5000 atletas se candidataram para a edição de 2012), a organização exige que todos os atletas cumpram o requisito de pontuar em corridas anteriores, constantes de uma lista previamente estabelecida. Para a edição de 2013 o critério consiste em conseguir 7 pontos num máximo de 3 provas diferentes, cumpridas de Janeiro de 2011 a Dezembro de 2012.

Em 2011 consegui 6 pontos em 3 provas diferentes: 101 km de Ronda, Ultra Trail Serra da Freita, Swissalpine K78.

Em 2012 necessito conseguir pelo menos mais 3 pontos numa única prova. Mas como sou um fulano um pouco insano e algo ambicioso, ouvi falar no célebre Ehunmilak, que dá logo 4 pontos, e constatei que iria ter a companhia de pelo menos mais dois compatriotas companheiros habituais destas epopeias e bons amigos, o Luís Freitas e o Vitorino Coragem, e, após algum matutar, decidi-me! Decidi-me e, bem dito, bem feito, inscrevi-me!

Enviei o certificado médico (que deveria atestar insanidade mental para além de robustez física...) e foi-me atribuido o dorsal nº 19.

Alea jacta est! Os dados estão lançados!
Ave caesar morituri te salutant! Salve César, aqueles que vão morrer te saúdam!

A prova irá ter lugar a 13 de Julho, faltam 4 meses para treinar arduamente. Muito suor, sangue e lagrimas me esperam até meados de Julho.

Para uma prova destas não basta treinar. É necessária também uma forte mentalização positiva e uma familiarização, dentro do possível, com as condições em que irá decorrer.
Para isso já comecei a estudar a informação disponível, quer no site oficial, quer nos blogs da net, bebendo também da experiência de outros companheiros que por lá já passaram.


Txindoki (1338 m)
Subida para o pico do Txindoki
Noite com calhaus...
Bruma matinal


Baseado em tudo o que li até agora, o cenário que se desenhou na minha mente é que esta é uma prova de uma extrema dureza, mas também de uma extrema beleza. E, sem dúvida, um enorme desafio!


Nos próximos meses irei tentar relatar aqui neste blog a trajectória percorrida a caminho desta meta, vertendo nestas páginas electrónicas as dificuldades e alegrias experiencias e a aprendizagem feita ao longo de todo o percurso prévio, finalmente culminando com o próprio evento.


Comecei a preparação específica para este desafio no sábado, dia 10 Março, com um treino na Serra de Sintra, em que tentei simular o desnível que irei encontrar no País Basco. Deste treino julgo ter aprendido algumas coisas (que se aplicam às minhas características, não sendo generalizáveis a todos atletas):

1 - Não é fácil encontrar um local perto de Lisboa onde se consiga obter condições semelhantes às que irei encontrar na prova. Para conseguir cumprir 2500m de desnível positivo tive subir e descer ao alto do Monge várias vezes, ao longo de 46 kms em 7 horas (ou seja, fiz em treino que corresponde a cerca de um quarto do Ehunmilak):


2 - O segredo fundamental da preparação está na recuperação entre treinos. Depois de fazer um treino pesado destes é necessário um período de recuperação, em que se tem necessariamente de aliviar a carga de treinos. É fundamental levar este factor em conta quando se planeia um ciclo de preparação para um prova específica.

3- Não é possível nem desejável simular, na sua totalidade, uma prova desta envergadura num treino. Não adianta muito realizar regularmente treinos muito longos (superiores a 5 ou 6 horas), pois corremos o risco de descurar outras componentes da preparação. O que se pode fazer,  para complementar a preparação, é completar algumas Ultras nos meses anteriores (com moderação).

to be continued...

1 comentário:

  1. O início da concretização de um objetivo ambicioso, mas realista.

    Força Luís, vais conseguir!!!

    Runabraço

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