Andorra Ultra Trail VallNord - Ronda dels Cims 2019 - 2ª noite.

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Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.

- Álvaro de Campos



When you're climbing at high altitudes, life can get pretty miserable. 

- Edmund Hillary









Esta segunda etapa de noite é a mais temida.

Tenho que subir cerca de 700 mD+ até Pas de les Vaques e depois descer outro tanto até ao abastecimento de Inclés.




A subida é muitíssimo dura. É ladeada por um ribeiro, e a água cai por todo o lado, deixando o terreno encharcado. E para aumentar a dificuldade, quase não há trilho. O terreno é composto por tufos de erva, e montes de arbustos que dificultam imensamente a progressão. Para mais, de noite torna-se difícil identificar que caminho tomar.











Mas ao fim de um tempo interminável, lá chego a Port Dret, no alto. Depois é praticamente plano até chegar a Pas de les Vaques.

Aqui tem início a descida para Inclés.














Após uma descida que nunca mais acabava, chego por fim ao abastecimento de Inclés, no km 143.

São 04h44, e demorei 05h16 a fazer os últimos 13 km, ou seja 2,3 km/h, lento, lento, lento...

Estou em 130ª posição.

O tempo de corte aqui é às 12h00. Tenho 7 horas de folga.

Entro na tenda. Existem 5 camas de campanha a ocupar um dos lados da tenda. Resolvo imediatamente deitar-me numa delas.

Estou exausto. Mesmo que não consiga dormir, tentarei descansar. Tenho medo de ficar completamente trôpego devido à imobilidade, mas tenho que arriscar.

E também não tenho vontade nenhuma de fazer sequer mais um km de noite.

Tapo-me com um cobertor exíguo. Ao fim de pouco tempo estou a tremer de frio. A humidade infiltra-se pela rede da cama e entra-me pelas costas desprotegidas. Tenho que vestir qualquer coisa e embrulhar-me o melhor possível no cobertor, mas no início tenho preguiça de o fazer. Faço lembrar um daqueles montanhistas no Everest, que vão congelando devagar, mas que não têm já forças sequer para se protegerem.

Ao fim de cerca de uma hora, lá visto tudo o que tenho, impermeável incluído e enrolo-me no cobertor como cachorro quente.

Olho para o relógio: são 06h00 da madrugada. Da vez seguinte que olho já são 07h00. Devo ter passado pelas brasas. Uma horita a dormir! Nada mau. Nunca antes tinha conseguido fazer isto. Devo estar mesmo cansado. Também já estou em prova há 48 horas.

Custa-me imenso a sair do quentinho. Levanto-me e vou tomar o "pequeno-almoço" embrulhado no cobertor. A refeição é o costume: sopa consistente, fruta, frutos secos, coca-cola, etc.

Às 07h18 lá consigo sair da tenda, para o fresco da manhã. Estive 2h30 a repousar neste abastecimento.





Vamos para o último dia de prova. Já está quase!













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