A ATRP: génese, crescimento e integração no atletismo federado

Da fundação em Novembro de 2012 ao Circuito Nacional, às direcções de José Carlos Santos, Rui Pinho e Rui Pedras, e à integração na FPA em 2023. Fonte

Post da série História do Trail Running em Portugal: génese, crescimento e integração da ATRP — Associação de Trail Running de Portugal — da fundação em Novembro de 2012 à integração no atletismo federado (FPA) em 2023.

Série · História do Trail Running em Portugal · Dossiê 19

A ATRP: génese, crescimento e integração federativa

Da fundação em Novembro de 2012 ao Circuito Nacional, às sucessivas direcções e à integração no atletismo federado — fontes públicas, proximidade declarada, lacunas assumidas.

📍 Portugal 📅 2012–2026 📚 Dossiê 19 · Estruturas e instituições ✍️ Luís Matos Ferreira
Estado editorial. Rascunho estruturado — base factual verificada em fontes públicas, lacunas declaradas. Proximidade alta: o autor é cofundador da ATRP e integrou a direcção fundadora (Novembro de 2012). Por essa razão, o texto limita-se a factos documentados publicamente e assinala expressamente o único ponto que assenta em memória pessoal. Uma história institucional independente e crítica da ATRP está por fazer e não cabe aqui.
2012
Fundação
(Novembro)
≥4
Direcções
desde 2012
2014
Associado
extraordinário FPA
2023
Integração plena
na FPA
~6.000
Associados em 2024
(est., não auditado)
Série · História do Trail Running em Portugal Este dossiê integra a série de aprofundamento que expande o artigo-base «Trail Running em Portugal: Uma História de Montanha, Resistência e Comunidade». Dossiês relacionados: Dossiê 09 — Clubes de Trail (institucionalização) e os dossiês companheiros sobre os conflitos institucionais (20) e o Circuito Nacional (21).
Declaração de interesses

Quem escreve este texto é cofundador da ATRP e integrou a sua direcção fundadora, em Novembro de 2012. Tudo o que diz respeito à fundação, às direcções, à relação com a FPA e ao processo de integração federativa é narrado de uma posição interna — com o acesso a memória e contexto que essa posição dá, e com o viés que inevitavelmente comporta. Por isso, o post limita-se a factos documentados publicamente; onde a única fonte é a memória do autor, di-lo expressamente. Uma história institucional independente e crítica da ATRP está por fazer e é trabalho de quem tiver a distância e o método que o autor, por ser parte, não pode mobilizar.

1) Antes da ATRP: um vazio de representação

Quando a ATRP foi fundada, o trail running português já não era marginal. Havia provas-bandeira a consolidar-se — a Ultra Trail Serra da Freita desde 2006, o MIUT desde 2008, a Geira Romana desde 2008 — e o número de eventos crescia ano após ano. O que não havia era uma entidade que representasse a modalidade como tal.

As corridas em montanha estavam, no plano federativo, sob a tutela da FPME, herdeira do montanhismo organizado, e o atletismo de estrada e pista sob a FPA. Mas o trail running moderno — na acepção da influência do UTMB e do circuito europeu a partir de 2006 — crescia sobretudo fora dessas estruturas: em confrarias, clubes de montanha, grupos de amigos e associações multi-desporto. As provas multiplicavam-se sem um quadro comum de distâncias, de regulamentação ou, sobretudo, de seguro desportivo. [R230]

É este o vazio que a ATRP veio ocupar: dar à modalidade uma voz colectiva, um conjunto de regras partilhadas e uma estrutura de filiação que cobrisse atletas e organizadores. A associação não inventou o trail português — ele existia e crescia. Deu-lhe representação.

2) A fundação: Novembro de 2012

A ATRP foi constituída em Novembro de 2012, como associação sem fins lucrativos. [R220][R15] No registo legal consta com o NIPC 510379281, sob a forma jurídica de associação e o CAE 93191 — «organismos reguladores das actividades desportivas» —, com sede em Miranda do Corvo, no Centro de Estágio de Trail Running e BTT de Vila Nova. [R291][R290]

O site institucional descreve a origem como nascida «do entusiasmo e da vontade de um grupo de atletas apaixonados por trilhos e montanhas», mas não nomeia os fundadores. [R15] Como cofundador e testemunha directa, registo aqui, para memória futura, a composição da direcção fundadora: cinco atletas — José Bomtempo, José Guimarães, José Carlos Santos (presidente), Luís Matos Ferreira (autor deste texto) e Paulo Jorge —, aos quais se juntou, em 2013, João Mota. José Carlos Santos, praticante de trail desde 1995 e mais tarde cofundador e director executivo da ITRA, foi a figura central da orientação internacional da associação desde o primeiro dia. [R230]

Nota de proximidade. Esta é a única passagem do post que assenta em memória pessoal não confirmável em fonte institucional pública, e fica assinalada como tal. O documento fundador público que fixe nomes e datas é uma das lacunas declaradas adiante.

O objecto social declarado nos estatutos é amplo: a promoção, divulgação, organização e regulamentação do trail running em Portugal. [R290] Essa palavra — regulamentação — viria a estar no centro de toda a história posterior da relação com a FPA.

A própria associação inscreve a sua génese num contexto internacional: descreve a presença na 1.ª Conferência Internacional de Trail Running, em Courmayeur (Itália), como o momento que reforçou «a certeza de que Portugal precisava de uma entidade forte, representativa e inclusiva nesta modalidade em rápido crescimento», afirmando ter sido reconhecida desde então como interlocutor junto de federações e organizações internacionais. [R15] A ligação não é casual: José Carlos Santos, o primeiro presidente, é cofundador da ITRA.

3) Os primeiros anos: crescimento e o Circuito Nacional

O crescimento inicial foi rápido. No final de 2013, ao assinalar o seu primeiro ano de existência, a ATRP contava já com cerca de 900 associadosest. Em Maio de 2014, comunicava representar cerca de 1.500 atletasest em mais de 120 associações — um crescimento de mais de 50% em menos de seis meses. [R220]

O instrumento estruturante deste período foi o Circuito Nacional de Trail. Nas épocas de 2013 e 2013/2014, a ATRP apresentou Circuitos Nacionais de Trail e de Ultra Trail — cerca de dez provas de trail e sete de ultra trail —, dando pela primeira vez à modalidade um calendário competitivo nacional com classificações próprias. Há registo de provas do circuito já a decorrer em Março de 2013. [R292]

A ATRP fixou também um quadro de categorias de distância que se tornou referência: trail curto (até 21 km), trail longo (21–42 km), ultra trail médio (42–69 km), ultra trail longo (70–99 km) e ultra trail XL / endurance (mais de 100 km), com os respectivos escalões etários — categorias recolhidas e citadas, aliás, em trabalho académico que usou o trail português como objecto de estudo. [R296]

Para lá do circuito, a ATRP foi assumindo funções de entidade reguladora sectorial: certificação de provas, regulamento de certificação e integração de circuitos, um Circuito Jovem, o projecto dos Centros de Trail (infra-estruturas permanentes, em parceria com municípios) e, durante a pandemia, um protocolo de segurança para organizadores. [R15][R299][R301]

A estrutura competitiva tornou-se também territorial. Além dos Campeonatos Nacionais por formato (Trail, Ultra, Endurance e Endurance XL) e das competições jovens (Sprint), as apresentações de Assembleia Geral mostram Circuitos Regionais em vários distritos e regiões — Madeira, Algarve, Lisboa, Santarém, Braga, Viana do Castelo, Leiria e Coimbra —, que alimentam o calendário nacional a partir da base. [R301]

A Selecção Nacional e os Mundiais em solo português (2015–2019)

A estrutura competitiva que a ATRP montou não se esgotou nas fronteiras nacionais: foi também a partir dela que se organizou a presença portuguesa nos Campeonatos do Mundo de Trail Running da IAU. Em 2015, Portugal apresentou pela primeira vez uma selecção nacional num Mundial — em Annecy (França) —, num processo ainda pioneiro, sem historial anterior em que se apoiar. [R302]

Nas duas edições seguintes disputadas em solo português, coube à ATRP compor a selecção a partir do seu próprio sistema — circuito nacional, provas de observação e wildcards —, em equipas que cresceram de cerca de uma dezena para dezoito atletas. Em 2016, o Mundial realizou-se na Peneda-Gerês; em 2019, em Miranda do Corvo — precisamente o concelho onde a associação tem a sua sede. Foi desse ciclo que saiu o melhor resultado de sempre de um português em Mundiais de Trail: Hélio Fumo, 10.º classificado em 2019. [R302]

É esta função — seleccionar, apurar e levar atletas a competir sob a bandeira nacional — que está por trás da rubrica «Deslocações Selecção Nacional» das contas da associação (ver abaixo), e que liga directamente este dossiê ao Dossiê 05 — Mundiais e Selecção Nacional, onde a participação internacional é tratada em detalhe. A organização dos eventos em si — quem montou no terreno os Mundiais de 2016 e 2019 — é matéria desse dossiê, não deste.

4) As contas da ATRP: escala, dinheiro e modelo voluntário

Os números, segundo os próprios relatórios

O Relatório de Atividades e Análise Financeira de 2024 — o documento de governação mais completo que a associação publica — permite substituir estimativas avulsas por uma série. Segundo esse relatório, os associados activos passaram de cerca de 1.000 (2016) para quase 6.000 (2024)est (+500%, no cálculo da associação) e o orçamento anual de 30.000€ para 149.408€ — tudo, sublinha o documento, sem funcionários nem estrutura profissionalizada, num modelo voluntário com custo operacional médio por associado de 24,52€. [R299]

No plano da actividade, 2024 fechou com 181 eventos certificados e 37.368 atletas classificados, seis Campeonatos Nacionais (1.824 atletas apurados), a Final da Taça de Portugal em São Miguel (Açores) e um estágio da Selecção na Serra da Estrela que preparou o 5.º lugar colectivo feminino no Europeu de Annecy. [R299]

Ano Receita (€) Resultado líquido (€) Fundos patrimoniais (€)
201530.000−14.940−14.940
201634.00013.900454
201750.0003.2973.751
201862.0001.5265.276
201993.00039.35244.629
202089.358−8.360−8.360
2021137.2973.7073.707
2022192.4745.2245.224
2023165.109−9.54757.676
2024149.408−5.04549.511

Fonte: Relatório de Atividades e Análise Financeira ATRP 2024 [R299]; valores arredondados ao euro, confirmados para 2023–2024 pelo Balanço e DRE anexo. Pico de receita em 2022 (192.474€); recuperação dos fundos patrimoniais de −14.940€ (2015) para 49.511€ (2024). A retracção de 2023–2024 explica-se, em parte, pelo adiamento para Janeiro de 2025 do apoio (~30.000€) aos atletas da Final da Taça de Portugal.

Para onde vai o dinheiro (2024)

Do lado da receita, as apresentações de Assembleia Geral identificam três fontes — quotas dos associados, patrocínios e apoios, e certificação e arbitragem de provas —, embora os montantes por rubrica não estejam discriminados de forma fiável nos documentos públicos. [R301] Do lado da despesa, a Demonstração de Resultados de 2024 é mais explícita: permite ver não só quanto a ATRP movimenta, mas em que o gasta. Toda a despesa (154.453€) está classificada como «fornecimentos e serviços externos» e os gastos com pessoal são zero — a confirmação contabilística do modelo voluntário. A repartição:

Rubrica 2024 (€) Peso 2023 (€)
Deslocações correntes42.10027%35.691
Seguros de acidentes pessoais (associados)24.91216%18.434
Deslocações Taça de Portugal19.70013%12.032
Trabalhos especializados16.85311%24.848
«Outros» — Taça de Portugal15.68610%9.934
«Outros» — Campeonatos Nacionais10.8717%22.436
Deslocações Selecção Nacional6.3014%29.022
Honorários4.9703%4.465
Arbitragem4.4503%3.800
Serviços bancários3.7352%2.656
Prémios e troféus3.3572%10.157
Comunicação1.5171%1.003
Total154.453174.656

Fonte: Demonstração de Resultados ATRP 2024 (anexo ao Balanço) [R299].

Três leituras saltam à vista:

  • A mobilidade dos atletas domina. As deslocações (correntes, da Taça de Portugal e da Selecção) somam cerca de 68.100€ — 44% da despesa. Em termos financeiros, a ATRP é, sobretudo, uma estrutura que leva atletas a provas.
  • O seguro é a segunda maior rubrica (24.912€, +35% face a 2023) — e fecha o argumento da secção 1. A modalidade crescia, em 2012, «sem seguro desportivo»; é precisamente a cobertura de seguro de acidentes pessoais dos associados que constitui hoje o maior custo recorrente não-logístico da associação. O que motivou a fundação tornou-se a sua principal despesa estrutural.
  • As oscilações seguem o calendário competitivo. As deslocações da Selecção caíram de 29.022€ em 2023 (ano de Mundial em Innsbruck) para 6.301€ em 2024; os prémios e os Campeonatos Nacionais também recuaram.

A escala ajuda a dimensionar o esforço: os 154.453€ e os 181 eventos dão um custo médio de cerca de 853€ por evento e de ~4€ por atleta classificado (37.368 no total); o crescimento composto desde 2016 ronda os 22%/ano na receita e 25%/ano nos associados; e os fundos patrimoniais (49.511€) equivalem a cerca de um terço da receita anual — uma reserva de poucos meses. [R299; rácios e médias são cálculo próprio sobre os dados publicados.]

Nota metodológica. Estes valores são comunicação da própria associação sobre os seus indicadores — fonte primária, mas não auditada externamente; por isso os totais de associados vão marcados como estimativa. Ainda assim, a publicação sistemática de Relatórios e Contas (pelo menos 2018–2024) faz da ATRP uma das entidades do trail português com registo financeiro mais transparente.

Os patrocínios: a era Prozis (2015–2020)

Entre as fontes de receita, a mais visível da história da ATRP teve nome próprio: Prozis. A marca portuguesa de nutrição desportiva foi a patrocinadora principal da associação entre 2015 e Janeiro de 2020. [R303] O patrocínio chegou a dar nome à competição: em 2017, os campeonatos passaram a chamar-se «Campeonatos Nacionais Prozis» de Trail, Ultra-Trail e Ultra-Endurance, e a parceria foi renovada para a época 2018/2019. [R303]

Quando terminou, a 29 de Janeiro de 2020, a própria associação creditou-lhe um contributo concreto: o financiamento das quatro participações da Selecção Nacional de Trail em Campeonatos do Mundo (secção 3) — a ligação directa entre o dinheiro de um patrocinador e a presença internacional do país. [R303]

Depois da Prozis, não foi possível identificar em fontes públicas um patrocinador principal nomeado. Os Relatórios e Contas continuam a registar «patrocínios e apoios» como rubrica de receita, mas sem discriminar marcas nem montantes. Fica como lacuna declarada: a história fina do financiamento por patrocínio a partir de 2020 está por documentar.

Quantos sócios? A escala da ATRP em perspetiva federativa

Uma das perguntas mais simples de fazer é das mais difíceis de responder com rigor — e das mais reveladoras: quantos sócios tem, afinal, a ATRP? A resposta exige distinguir três universos que é fácil confundir, e cuja confusão inflaciona qualquer narrativa:

  • Associados activos (com quota em dia): cerca de 6.000 em 2024, segundo o Relatório de Atividades. [R299]
  • Sócios alguma vez registados (cumulativo desde 2012): sem número oficial publicado, mas os números de sócio do MyATRP são sequenciais, e um perfil público mostra já o número #18565 (filiação em Outubro de 2025). A ATRP terá atribuído, portanto, pelo menos ~18.565 números de sócio ao longo da sua história — cerca de três vezes o número de activos. [R305]
  • Federados na FPA via trail: um subconjunto ainda menor, que a federação não desagrega publicamente.

Este contraste — pelo menos ~18,5 mil pessoas alguma vez inscritas para ~6 mil activas — é, em si, um retrato da modalidade: muita gente passa pela filiação; poucas a mantêm continuamente.

A comparação com a federação ajuda a dimensionar a escala:

Indicador Valor Fonte
ATRP — sócios alguma vez registados (piso)≥ ~18.565 (Out 2025)nº de sócio MyATRP [R305]
ATRP — associados activos~6.000 (2024)Relatório ATRP [R299]
FPA — total de filiados23.835 (2023/24)FPA [R304]

A FPA fechou a época 2023/2024 com 23.835 filiados — um recorde, mais 1.960 (+8,6%) do que os 21.875 do ano anterior. [R304] Como a integração plena do trail na FPA começara meses antes, a 1 de Novembro de 2023 (secção 5), é tentador ler que «foi o trail que trouxe os sócios».

A leitura merece cautela. A própria FPA não atribui o crescimento ao trail: na sua comunicação, reparte os filiados por escalão — formação (44%), veteranos (42%) e seniores (14%) — sem destacar a modalidade. E os números não encaixam mecanicamente: um acréscimo de +1.960 federados numa só época é muito inferior aos ~6.000 associados activos da ATRP — sinal de que a passagem de sócio-ATRP a federado-FPA foi gradual e parcial, até porque a filiação federativa só é obrigatória para os Circuitos e Campeonatos nacionais e regionais, não para toda a prática. [R304][R222] Em 2025, a FPA criou ainda uma licença obrigatória para não-federados em provas de estrada, trail e montanha — medida que só nos próximos anos revelará o peso real do trail nas estatísticas federativas. [R306]

Em suma: a ATRP entra na FPA com uma base associativa larga (milhares de sócios registados, ~6.000 activos), mas o «trazer sócios» para a federação foi um processo, não um acto — e a comparação só é honesta se distinguir sócio associativo de federado com licença desportiva.

5) A relação com a FPA: de associado extraordinário a integração plena

A relação com a Federação Portuguesa de Atletismo é o eixo institucional mais importante — e mais sensível — da história da ATRP. Desenrolou-se em duas fases separadas por quase uma década.

Primeira fase — associado extraordinário (2014). A FPA aceitou a ATRP como associado extraordinário, formalizando uma relação de proximidade entre a associação sectorial e a federação do atletismo. As fontes institucionais e distritais situam esta admissão em 3 de Maio de 2014, embora não tenha sido possível transcrevê-la de uma página primária da FPA carregada na íntegra — fica como dado forte, a confirmar. [R221] Já em 2014, o então presidente via na aproximação à FPA uma forma de a modalidade ganhar «capacidade legal» e «maior reconhecimento». [R220]

Segunda fase — integração plena (2023/2024). A passagem do trail para a «família do atletismo» concluiu-se na época 2023/2024, com início a 1 de Novembro de 2023. A partir dessa data, a participação nos Circuitos e Campeonatos nacionais passou a exigir filiação na FPA; aos associados da ATRP foi dado desconto de 100% na quota da associação na época da transição, e as equipas não federadas foram admitidas a título excepcional num período transitório. [R222]

A repartição de competências resultante é clara no essencial: a FPA promove, regulamenta e supervisiona a modalidade, homologando regulamentos através das associações distritais por delegação; a ATRP representa os organizadores e emite pareceres técnicos, mas não detém competência para aprovar regulamentos oficiais. [R295]

O que mudou, na prática: atletas, clubes e organizadores

A integração não foi só um rearranjo de organogramas. Mudou o quotidiano de quem corre, de quem se associa em equipa e de quem organiza provas. Vale a pena separar os três planos — porque a mudança foi diferente em cada um, e porque a discussão pública tende a confundi-los.

Quem Antes (ATRP autónoma) Depois (integração na FPA, desde 2023/24)
AtletasSócio da ATRP, inscrição no MyATRP, quota associativaFiliação na FPA obrigatória para Circuitos e Campeonatos nacionais e regionais; filiação anual na ordem dos 25€ (2024/25); desde 2025/26, licença para não-federados em provas pagas — «filiação por um dia» (~3€/prova, com seguro) ou anual desde ~31€; exame médico e seguro exigidos; inscrições migram do MyATRP para a plataforma da FPA
Clubes / equipasEquipas inscritas pela via ATRPPara pontuar como equipa, o clube tem de estar filiado na FPA; as equipas não federadas foram admitidas só num período transitório excepcional; grupos sem registo formal tendem a aparecer como «Individual» nas classificações
OrganizadoresCertificação de provas pela ATRP (logótipo, calendário no MyATRP)Homologação dos regulamentos pelas Associações Distritais, por delegação da FPA; a ATRP passa a emitir apenas pareceres técnicos; sem pagamento da taxa de homologação no prazo, a prova fica fora do calendário oficial e os resultados deixam de contar para rankings

Fontes: [R222] (integração e regime transitório); [R295] (repartição de competências e «Individual»); [R306][R307] (filiação, custos e licença do atleta); [R308] (homologação de provas pelas distritais e efeitos da taxa).

Em termos de orientação geral: para o atleta, a mudança principal é deixar de bastar a quota associativa — passa a ser preciso uma licença desportiva federativa (com seguro e exame médico), com um custo que pode ir de poucos euros por prova a uma filiação anual. Para os clubes, a lógica de equipa passa a depender da filiação federativa, o que pressiona os grupos informais a formalizarem-se. Para os organizadores, o selo que valida a prova deixa de ser o da ATRP e passa a ser a homologação distrital da FPA — com uma taxa cujo não pagamento tem consequências concretas no calendário e nas classificações.

Fronteira com o Dossiê 20. Esta secção descreve o que mudou, factualmente, para cada parte. A tensão política dessas mudanças — a dupla filiação, a delegação de competências «não reduzida a escrito», as queixas dos organizadores — é tratada no dossiê companheiro 20 (Conflitos ATRP / FPA / FPME). Aqui fica o «como funciona agora»; lá, o «porque foi disputado».

6) As direcções: da fundação à eleição contestada de 2025

A liderança da ATRP atravessou pelo menos quatro direcções. As datas e nomes combinam fontes públicas com testemunho directo do autor, assinalado como tal.

Os estatutos fixam quatro órgãos sociais — Assembleia Geral, Direção, Fiscal Único e Conselho Consultivo —, com a Direção composta por um presidente e quatro directores (cinco membros), mandatos de quatro anos e eleição por escrutínio secreto em Assembleia Geral. Os estatutos publicados não datam, porém, a aprovação nem as revisões. [R290]

José Carlos Santos (2012 – c. 2015). Primeiro presidente, da direcção fundadora. Corre trilhos desde 1995 e foi dos primeiros portugueses no ultra-trail internacional, com o UTMB no currículo; membro fundador da ITRA (2013), de que viria a ser managing director, é hoje seleccionador nacional pela ATRP e pela FPA. Em Maio de 2014 é quem fala publicamente em nome da associação. [R220][R312][R230]
João Colaço (c. 2015 – c. 2016). Direcção intermédia, de cerca de um ano, entre as lideranças de José Carlos Santos e Rui Pinho. Testemunho directo do autor; não confirmado em fonte pública — preenche o que versões anteriores davam como lacuna.
Rui Pinho (2016 – 2025). Presidente ao longo de quase uma década. A composição da primeira direção (2016) não está documentada em fonte pública. A reeleição de 28 de Dezembro de 2020 — lista «Compromisso Com o Futuro», 285 votos (56,10%), entre três listas, com mesas em Miranda do Corvo, Porto, Lisboa e Faro — deu uma Direção com Rui Pinho (presidente), José Carlos da Costa Leal de Brito, Valérie Antunes dos Santos, Diogo das Neves Simão e José Cândido Capela de Freitas Ribeiro; a Mesa da Assembleia Geral com Filipa Vilar (presidente) e Mário Jorge Abreu Goios Ferreira (secretário); e o Fiscal Único com Manuel Carapinha Correia. [R293]
Eleição contestada de 2025 — sem tomada de posse. A Assembleia Geral Eleitoral, em 8 de Fevereiro de 2025, no Centro de Alto Rendimento do Jamor, opôs duas listas: «No Trilho Certo», de Rui Pinho, e «Movimento pelo Trail», de Rui Pedras. De 5.163 eleitores inscritos, votaram apenas 462 (8,9%; abstenção de 91,1%). [R309][R294] O voto por procuração — admitido até duas por associado — viria a estar no centro da contestação. [R300] A lista de Pedras venceu por margem mínima — 228 votos contra 223 (com 11 brancos/nulos) —, com posse prevista para 17 de Fevereiro. [R294] A Mesa da Assembleia Geral — presidida em exercício pelo Eng.º Mário Ferreira — invocou, porém, irregularidades no voto por procuração, não deu posse aos eleitos e decidiu reapreciar o acto eleitoral, num contexto que a própria associação descreve como de «demissões e pressões externas». A acta da assembleia eleitoral — documento primário assinado pela Mesa — fundamenta a decisão em «forte indício de nulidade do ato de reconhecimento» das procurações e no pedido urgente de «um Parecer Jurídico independente». [R311] Duas decisões do Tribunal Judicial da Comarca do Porto (Juízo Local Cível de Valongo), reportadas em Maio de 2026, validaram essa actuação: o procedimento cautelar foi julgado improcedente — sem «qualquer medida que impedisse a atuação da Mesa [...] ou a realização de novo ato eleitoral» — e a acção de investidura igualmente improcedente, «não tendo sido ordenada a tomada de posse dos requerentes». A Mesa anunciou a convocação de novas eleições. [R297][R298]

O reverso humano: voluntariado, desgaste e contestação

Por trás das datas e das percentagens há pessoas a gerir, sem qualquer remuneração, uma estrutura que cresceu para milhares de associados e centenas de provas por ano. Estar na direcção da ATRP nunca foi um cargo honorífico — é trabalho, e trabalho exposto. Quando se recandidatou, em Dezembro de 2020, Rui Pinho descreveu o mandato cumprido como «quatro anos intensos de trabalho, muito de formiga», e a delegação de competências conquistada à FPA como algo só alcançado «com muito esforço e suor»; a mesma candidatura prometia um «programa de voluntariado de competências» — sinal de uma associação que vive do trabalho doado dos seus membros. [R310 — entrevista de recandidatura, anterior à crise de 2025.]

Seria, porém, incompleto reduzir Rui Pinho à figura do voluntário dedicado: a sua foi também uma liderança divisiva e combativa. A reeleição de 2020 disputou-se entre três listas — sinal de uma associação longe do consenso — e, na própria entrevista de campanha, Pinho não poupou os adversários: descreveu as candidaturas rivais como «de associados descontentes [...] essencialmente com os próprios interesses» e afirmou que «a impreparação é evidente e gritante». A mesma entrega que construiu a associação tinha, do outro lado, um estilo que dividia. [R310]

A crise de 2025 expôs o reverso dessa entrega. Ao validar a actuação da Mesa, a própria associação reconheceu que o seu presidente em exercício a conduziu «apesar das circunstâncias adversas, incluindo demissões e pressões externas» — admissão pouco comum, numa comunicação institucional, de que o conflito teve custos pessoais. [R298] Uma dessas demissões é pública — a do Fiscal Único, Manuel Maria Carapinha Correia, comunicada pela Mesa a 13 de Março de 2025 [R313] —, mas o conjunto de quem saiu, e sob que pressões, não é nomeado. Do lado da lista vencedora, Rui Pedras nunca fez declaração pública conhecida sobre a vitória anulada — um silêncio que é, ele próprio, parte da história.

Duas leituras da crise de 2025

  • A disputa de 2025 foi, em parte, uma cisão da equipa anterior. Diogo das Neves Simão, director eleito com Rui Pinho em 2020 mas que se demitira da direcção já em Março de 2023, reapareceu em 2025 a encabeçar a Mesa da Assembleia Geral na lista de Rui Pedras, enquanto José Cândido Ribeiro, José Carlos Leal de Brito e Valérie Antunes dos Santos permaneceram do lado de Pinho. Não foi Pinho contra um desconhecido — e a fractura começara antes de 2025: foi a ruptura de uma equipa. A própria acta eleitoral mostra a contestação a partir de dentro: o primeiro protesto formal, no dia da votação, partiu de Diogo Simão — da lista vencedora —, e a lista de Pinho viria a pedir recontagem dias depois, advertindo por escrito que poderia «alegar a anulabilidade do ato eleitoral e proceder judicialmente». Nenhum dos lados saiu ileso do processo. [R293][R309][R311][R314]
  • Uma sobreposição que exige exame. O secretário da Mesa da Assembleia Geral eleita em 2020, Mário Jorge Abreu Goios Ferreira, era também candidato a director na lista de Rui Pinho em 2025 e, na qualidade de presidente em exercício da Mesa, conduziu a não-investidura da lista vencedora. A identificação está confirmada: o nome coincide na composição da Mesa de 2020, na lista candidata de 2025 e na própria acta eleitoral que ele assina. Há, assim, uma sobreposição entre quem disputava o acto eleitoral e quem o validou que merece tratamento próprio. Recorde-se, porém, que os tribunais julgaram a actuação da Mesa conforme; se essa sobreposição constituiu um conflito de interesses material é juízo que o autor, por ser parte, não faz — e que se desenvolve no dossiê companheiro 20. [R293][R309][R311][R298]
Lacuna assumida. A direcção intermédia de João Colaço (c. 2015–2016) e a composição da primeira direção de Rui Pinho (2016) carecem de confirmação em fontes primárias; os estatutos publicados não datam a aprovação nem as revisões. O desfecho da crise de 2025 está documentado até à decisão judicial e ao anúncio de novo processo eleitoral; o resultado desse novo acto eleitoral fica em aberto à data deste dossiê.

7) A ATRP hoje: representação sem regulamentação própria

Após a integração na FPA, a ATRP mantém-se em actividade, mas com um papel redefinido: deixou de ser a entidade que regula a modalidade para passar a ser, sobretudo, associação representativa dos organizadores e dos praticantes dentro da estrutura federativa, na qual figura como associado extraordinário. [R221]

Esta redefinição não foi pacífica. Em Março de 2023, uma petição pública — que reuniu cerca de um milhar de assinaturas — alertava para o facto de a delegação de competências da FPA na ATRP «ainda não [ter] sido reduzida a escrito», o que, argumentavam os subscritores, «coloca em risco a existência da ATRP», e pedia o fim da dupla filiação. [R228] No plano operacional, a transição traduziu-se também no fim da plataforma MyATRP para inscrições, que passaram a fazer-se exclusivamente na plataforma da FPA a partir da época 2025/2026. [R295]

A esta tensão externa somou-se, em 2025–2026, uma crise interna de legitimidade: o acto eleitoral de Fevereiro de 2025 ficou sem tomada de posse dos eleitos, e só em Maio de 2026 as decisões judiciais confirmaram a actuação da Mesa da Assembleia Geral e abriram caminho a um novo processo eleitoral (ver secção 6). À data deste dossiê, a associação é conduzida pela Mesa da Assembleia Geral — cujo presidente em exercício, Eng.º Mário Ferreira, foi validado pelo tribunal —, com a direcção executiva por preencher enquanto se aguardam novas eleições; a actividade regular (circuitos, Taça de Portugal de Trail, campeonatos nacionais) prosseguiu em articulação com a FPA. [R297][R298]

A ATRP de hoje é, assim, uma associação que ajudou a institucionalizar a modalidade que representava — e que, ao fazê-lo, viu transferir-se para a federação a função regulatória que estava no seu próprio objecto social. É essa a tensão fundadora que percorre toda a sua história.

8) Lacunas em aberto

  1. Data exacta de constituição (dia/escritura) — apenas «Novembro de 2012» está confirmado.
  2. Estatutos e direcção fundadora em fonte primária pública datada.
  3. A direcção intermédia de João Colaço (c. 2015–2016), hoje só por testemunho do autor, a confirmar em actas. (O desfecho da eleição contestada de 2025 está documentado — ver secção 6; falta o resultado do novo processo eleitoral.)
  4. Série anual de associados, clubes e provas filiadas — a série financeira (2015–2024) está agora reconstruída a partir do Relatório de 2024; falta a série anual de associados/provas e a verificação por auditoria externa.
  5. Data documental precisa da admissão como associado extraordinário da FPA (3 de Maio de 2014, a confirmar).
  6. A história fina das tensões institucionais ATRP–FPA — tratada de forma sumária por proximidade; ver o dossiê companheiro 20.
Convite ao Contraditório e a Contributos Este post tem lacunas conhecidas e declaradas, e o autor escreve de uma posição interna. Contributos documentados são especialmente bem-vindos sobre:
  • Documentos fundadores (estatutos originais, acta da assembleia constituinte, registo) que permitam fixar datas e nomes em fonte primária;
  • Actas e listas de órgãos sociais que documentem as sucessivas direcções e a transição de 2015–2016;
  • A cronologia precisa da relação com a FPA, incluindo o protocolo de delegação de competências;
  • Correcções a qualquer facto aqui registado, com fonte verificável.

Contributos podem ser enviados por comentário neste post ou por email (contacto no blog). Correcções substantivas são publicadas com crédito e no modo de erratum indicado na metodologia da série.

Este dossiê reutiliza referências já atribuídas na série ([R15], [R220], [R221], [R222], [R228], [R230]) e introduz fontes novas a partir de [R290]. A numeração será reconciliada com a bibliografia-mãe na sincronização da série.

[R15] ATRP — sítio oficial «Sobre a ATRP». atrp.pt
[R220] Público, 29/05/2014 — «Trail running: a natureza como aliada e como obstáculo». publico.pt
[R221] FPA — página institucional «ATRP - trail» (associados extraordinários). fpatletismo.pt
[R222] FPA — «Filiações de atletas na FPA e ATRP» (20/09/2023). fpatletismo.pt
[R228] Petição Pública — «Pela delegação de competências da FPA na ATRP e pelo fim da dupla filiação» (23/03/2023). Documento de parte. peticaopublica.com
[R230] Artigo-base da série — «Trail Running em Portugal: Uma História de Montanha, Resistência e Comunidade» (dorsal1967, Maio 2026). Testemunho directo do autor (cofundador ATRP) — ver Declaração de interesses. dorsal1967.blogspot.com
[R290] ATRP — Estatutos. atrp.pt
[R291] eInforma — registo da ATRP (NIPC 510379281). einforma.pt
[R292] Run Portugal — «ATRP: 1 ano de existência» e perfil da associação. runportugal.com
[R293] Pro Runners — «Rui Pinho continua à frente da ATRP» (Dezembro de 2020). prorunners.pt
[R294] Trail-Running.pt — «ATRP: Rui Pedras sucede a Rui Pinho na presidência» (Fevereiro de 2025). trail-running.pt
[R295] FAQ FPA/ATRP — repartição de competências e fim do MyATRP. asasetubal.pt
[R296] Joana Rosado — «The Portuguese Trail Runner» (FADEUP, 2020). repositorio-aberto.up.pt
[R297] ATRP — «Tribunal confirma atuação da Mesa da ATRP» (Maio de 2026). Comunicação da própria ATRP a relatar a sentença do Tribunal de Valongo. atrp.pt
[R298] ATRP — «Tribunal confirma atuação da Mesa da AG e rejeita providência cautelar» (5 de Maio de 2026). Nomeia o presidente em exercício da Mesa, Eng.º Mário Ferreira. atrp.pt
[R299] ATRP — «Relatório de Atividades e Análise Financeira 2024» (e Balanço e DRE anexo; série de Relatórios e Contas / Planos de Actividades 2018–2024). Relatório 2024 (PDF) · atrp.pt
[R300] ATRP — «Convocatória — Assembleia Geral Eleitoral» (16 de Janeiro de 2025). Eleição de 8/2/2025 no Jamor; voto por procuração (máx. 2 por associado). atrp.pt
[R301] ATRP — apresentações de Assembleia Geral (Planos de Actividades e Orçamentos) 2019–2022. Fontes de receita, Circuitos Regionais, Campeonatos por formato e Centros de Trail. Tabelas numéricas em imagem, lidas por OCR — montantes não fiáveis, usados só qualitativamente. atrp.pt
[R302] Dossiê 05 da série — «Mundiais de Trail Running e Selecção Nacional Portuguesa» (dorsal1967, Maio 2026). Estreia da selecção em Annecy 2015; Mundiais em Portugal (Peneda-Gerês 2016, Miranda do Corvo 2019); composição das selecções pela ATRP; Hélio Fumo 10.º em 2019. Consolida resultados oficiais IAU e listas de convocados. dorsal1967.blogspot.com
[R303] Trail-Running.pt — «Prozis e ATRP terminam parceria» (29/01/2020); ATRP — «ATRP e Prozis de novo juntas em 2017» e «Parceria com a Prozis para a época 2018/2019 renovada». Prozis patrocinadora principal 2015–jan/2020; «Campeonatos Nacionais Prozis» (2017); financiou 4 participações da Selecção em Mundiais. trail-running.pt · atrp.pt
[R304] FPA — «Novo recorde do atletismo acima dos 23 mil filiados» (Outubro de 2024). 23.835 filiados em 2023/24 (+1.960; +8,6% face a 21.875); repartição por escalão (formação 44%, veteranos 42%, seniores 14%); sem atribuição ao trail. fpatletismo.pt
[R305] MyATRP — perfil público de sócio #18565. Número de sócio sequencial; #18565 corresponde a um atleta filiado em 26/10/2025 — logo, ≥ ~18.565 números atribuídos até Out 2025 (limite inferior; o teto não é sondável). my.atrp.pt
[R306] JPN / Universidade do Porto — «Atletas não federados vão ter de pagar taxa à federação para correr em provas» (30/03/2025). Licença obrigatória para não-federados em provas de estrada, trail e montanha. jpn.up.pt
[R307] FPA — Normas de Atuação Administrativa (filiação e taxas) e cobertura de imprensa (DN, Renascença) sobre a licença desportiva. Filiação anual ~25€ (2024/25); «filiação por um dia» ~3€/prova com seguro e anual desde ~31€ (2025/26); exame médico e seguro exigidos. fpatletismo.pt · dn.pt
[R308] FPA / Associações Distritais — Regulamento de Homologação de Provas (Estrada/Montanha/Trail) e FAQ FPA-ATRP. Homologação dos regulamentos pelas associações distritais por delegação; taxa de homologação; sem pagamento no prazo, a prova não entra no calendário oficial e os resultados não contam para rankings. Regulamento (PDF) · asasetubal.pt
[R309] ATRP — Comunicado «Assembleia Geral Eleitoral» (listas candidatas, 2025). Composição completa das listas «No Trilho Certo» (Rui Pinho) e «Movimento pelo Trail» (Rui Pedras) — Direção, Mesa da AG e Fiscal Único, com números de sócio; Mário Jorge Abreu Goios Ferreira como director candidato da lista de Pinho. atrp.pt
[R310] Corredores Anónimos — entrevista «ATRP: "Prometemos continuar a defender os associados", Rui Pinho» (23/12/2020). Motivações e desgaste de Rui Pinho: «quatro anos intensos de trabalho, muito de formiga», «esforço e suor», «programa de voluntariado de competências». Original 404; captura arquivada. web.archive.org
[R311] ATRP — Acta N.º 18 da Assembleia Geral Eleitoral (8/2/2025) e anexos (protestos, convocatória, parecer jurídico de Ana del Pino Alves). Fonte primária assinada pela Mesa: «forte indício de nulidade do ato de reconhecimento» das procurações; pedido de parecer jurídico independente; protesto inicial de Diogo Simão (lista vencedora); pedido de recontagem da lista de Rui Pinho. atrp.pt (PDF)
[R312] Trail Runner Magazine / ATRA — perfil biográfico de José Carlos Santos (no anúncio da liderança da ITRA). Trail desde 1995; UTMB; membro fundador e managing director da ITRA (2013); seleccionador nacional pela ATRP e FPA. trailrunner.com
[R313] ATRP — «Comunicado Mesa da Assembleia Geral» (13 de Março de 2025). Demissão do Fiscal Único Manuel Maria Carapinha Correia, no contexto da crise eleitoral de 2025. atrp.pt
[R314] ATRP — «Demissão» (21 de Março de 2023). Diogo Simão apresenta a demissão da Direção a 16 de Março de 2023 — director eleito com Rui Pinho em 2020 sai dois anos antes de reaparecer na lista rival de 2025. atrp.pt
Gostava muito de ouvir a tua opinião. Se participaste na fundação ou nas direcções da ATRP, se tens documentos que fixem datas e nomes, ou se encontraste algum erro — os comentários abaixo são o sítio certo.
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