RUN 4 FUN: o clube amador como infraestrutura social do trail

Da fundação na estrada, no Parque das Nações, à abertura aos trilhos de Sintra: a história completa do RUN 4 FUN como clube social de corrida —

A história completa do RUN 4 FUN, clube amador urbano de corrida: da estrada (2008) ao trail (2011), multidesportivo, com direção eleita e registo como associação. Faz 18 anos em 2026.

Trail Camp RUN 4 FUN
Imagem de abertura: RUN 4 FUN Trail Camp, a partir de arquivo do blogue dorsal1967.
Série · História do Trail Running em Portugal · Dossiê 42

RUN 4 FUN: o clube amador como infraestrutura social do trail

Da estrada aos trilhos, da maratona à caminhada: a história de um clube urbano onde ninguém é profissional — e onde isso é precisamente o ponto.

Portugal 2007–2026 Dossiê 42 · Série de aprofundamento Luís Matos Ferreira
Estado editorial. Rascunho em desenvolvimento, enriquecido com documentos internos do clube. Âmbito alargado ao clube multidesportivo completo — estrada, trail, caminhada e convívio. Várias secções continuam marcadas como lacunas. Confiança B para fontes institucionais do clube; A para documentos internos verificados; A* para posts do autor, com proximidade declarada. Alvo de publicação: 18.º aniversário, Julho de 2026.
2 Jul 2008
Fundação
na estrada
16 Jan 2011
Abertura
Serra de Sintra
18
Anos
em 2026
42
Atletas
inscritos 2023
73
Provas
em 2023
Série · História do Trail Running em Portugal Este post integra a série de aprofundamento que expande o artigo-base «Trail Running em Portugal: Uma História de Montanha, Resistência e Comunidade». Funciona como complemento ao Dossiê 09 — Clubes de Trail, onde o RUN 4 FUN aparece como exemplo de grupo urbano que deu massa crítica e identidade social à modalidade.

O RUN 4 FUN é o exemplo acabado da segunda vaga de clubes de corrida portugueses: não nasce da montanha nem do atletismo federado, mas da vida urbana. Começa na estrada, abre-se ao trail e cresce como um clube social de corrida com várias vertentes — estrada, trail, caminhada e, sobretudo, convívio —, gerido por uma direção eleita de voluntários. Em Julho de 2026 faz 18 anos.

Nota de âmbito Este dossiê integra a série sobre trail, mas retrata o clube por inteiro: a vertente de trail é central, não exclusiva. O RUN 4 FUN manteve sempre a corrida de estrada e adicionou caminhada, convívio e ação solidária — e é essa abrangência que o torna «infraestrutura social».

Declaração de interesses

Quem escreve este texto, e a partir de onde

Quem escreve este dossiê é membro do RUN 4 FUN — no clube desde cerca de 2009, com perfil publicado pelo próprio blogue do autor como "Atleta RUN 4 FUN em destaque" em Janeiro de 2025 [R249] e membro da Direção de 2023 [R252]. Parte da documentação aqui usada são documentos internos do próprio clube, a que o autor tem acesso como dirigente.

A regra editorial é simples: tudo o que for elogio deve vir de fonte externa ou de dados verificáveis; tudo o que for número deve ter fonte citada; as memórias pessoais do autor ficam identificadas como tal; e não se publicam dados internos sensíveis — saldos de conta, movimentos financeiros, credenciais ou listas de contactos —, apenas factos já públicos ou agregados não sensíveis. A composição dos órgãos sociais (direções e sócios fundadores) é publicada por se tratar de cargos de governança, como a série já faz para a ATRP (dossiê 43).

1. A corrida de Dezembro de 2007

Segundo a página institucional do clube, João Ralha e Paulo Gonçalves Marcos conheceram-se numa corrida em Dezembro de 2007. Tinham em comum darem aulas em cursos de executivos numa faculdade de Gestão de Lisboa: um com perto de 50 anos e experiência de meias-maratonas, o outro com perto de 40 e pouca experiência de corrida, "mas ambos com vontade de evoluírem e com algum espírito competitivo, reconhecendo a necessidade de, juntos, poderem conseguir mais do que sozinhos". [R244]

A singularidade desta fundação é quase programática: sendo ambos da área do Marketing, trataram o grupo como uma marca desde o primeiro dia — e publicaram o caso no livro Marketing Vencedor, da Bertrand Editores, em 2009. [R244]

Por fechar: obter o capítulo 3.2 de Marketing Vencedor para citação direta e entrevistar João Ralha e Paulo Gonçalves Marcos sobre a corrida de Dezembro de 2007.

2. 2 de Julho de 2008 — fundação e marca

O RUN 4 FUN foi fundado em 2 de Julho de 2008. A génese, contada pela própria Direção, tem data e lugar precisos: no 1.º dia do Optimus Alive de 2008 (02/07/2008), António Eusébio e Paulo Marcos treinam juntos pela primeira vez na Vela Latina — «nasce a ideia do Clube»; a 04/07/2008, João Ralha junta-se a Marcos num treino na Expo; Marcos propõe então a fusão dos grupos da Vela Latina e da Expo — e nasce o «Run 4 Fun – R4F». A primeira corrida conjunta identificada foi a prova de 10 km na lagoa de Santo André, em 19 de Julho de 2008. [R244][R260]

O blogue do clube começou em 25 de Setembro de 2008 e a corrida inaugural oficial foi a Mini da Vasco da Gama, em 28 de Setembro de 2008. O núcleo fundador é descrito pela própria fonte como composto por professores universitários, quadros superiores, profissionais liberais e empresários — "pioneiros e evangelizadores iniciais" que ajudavam a desmistificar "a ideia de que correr era para jovens ou para quenianos". [R244]

Importa fixar desde já um ponto: o clube nasceu como clube de estrada. O trail só chegaria em 2011 (secção 4) e, mesmo então, sem nunca substituir a corrida de asfalto — apenas acrescentando-lhe uma segunda linguagem.

3. Os três núcleos: Expo, Garça e Paz

A geografia do RUN 4 FUN é parte da sua identidade. Não nasceu na montanha, mas como comunidade urbana de corrida, espalhada por núcleos com vida própria nas duas margens do Tejo — cada um com o seu calendário, o seu carácter e os seus treinos baptizados. Hoje são três. [R245][R263]

Núcleo da Expo (Parque das Nações) — o berço do clube. É aqui, a par da Vela Latina, que o R4F nasce em 2008, e é o núcleo de matriz mais urbana e de estrada: o «Treino dos Heróis do Mar» ao domingo de manhã e o madrugador «Treino da Almofada e do Despertador» a meio da semana. Foi durante anos o maior núcleo (cerca de 30 atletas activos em 2018). Hoje acolhe também um grupo numeroso de caminheiros: a caminhada tornou-se uma vertente regular e visível precisamente no núcleo fundador. A data de formação deste grupo, os seus dinamizadores e a evolução do número de participantes estão ainda por documentar. [R261][R263] (Situação actual: conhecimento directo do clube; cronologia em aberto.)

Núcleo da Garça (Monsanto) — o mais ligado ao trail e à natureza: o «Monsanting» às terças, no Centro de Interpretação de Monsanto, e o «Treino da Garça»; é também a base do Treino dos Trilhos mensal co-organizado em Monsanto (secção 8). [R252][R263]

Núcleo da Paz (Almada) — o mais novo e o de crescimento mais rápido. Nasce na margem sul a 31 de Janeiro de 2017, quando a Direção decidiu levar os treinos a outras zonas e Fernando Rosete — «o pai da criança» — aceitou criar e dinamizar o «Treino da Paz», no Parque da Paz. Foi o grande impulsionador do núcleo: atraiu muitos atletas para o clube e foi sempre uma forte força organizativa. Cresceu depressa (cerca de 10 atletas no início de 2018, perto de 30 em 2020, com crescimento «a dois dígitos») e é o mais completo em vertentes — corrida no «Treino da Paz» e no «Treino da Lota», caminhada na «Caminhada da Paz» (dinamizada por Carmen Ferreira desde 2019) e madrugadas no «Treino Donos do Farol». Todos os anos saem dali novos estreantes na maratona, e a integração de novos membros, pela mão de um «padrinho», é uma marca da Paz. [R275][R261][R252]

A relação entre a identidade de cada núcleo e a do clube como um todo foi, ela própria, tema de debate interno da Direção — sinal de um colectivo grande o suficiente para ter geografia, mas que faz questão de continuar a ser «um só RUN 4 FUN». A passagem aos trilhos, recorde-se, não substituiu a estrada: somou-se-lhe.

A camisola viaja: uma pequena diáspora

A geografia do clube não cabe só nas duas margens do Tejo, e chega lá por dois caminhos. O primeiro é o contágio à distância: pessoas que já viviam longe e apanham o espírito do grupo. O sinal mais antigo está documentado — em Agosto de 2010, o blogue anunciava, com o humor do costume, um «Núcleo RUN 4 FUN de Seattle», formado por familiares de um sócio que há muito viviam na cidade norte-americana e que, mesmo a um oceano de distância, passaram a «participar em corridas de estrada e de trilhos pelas terras do Tio Sam». [R272] O segundo caminho é a emigração de membros: quem já corria de laranja e leva o clube consigo ao mudar de país — como Gonçalo Lopes, que se mudou para a Suíça.

Membros pelo mundo: 🇦🇴 Angola 🇲🇿 Moçambique 🇨🇭 Suíça 🇮🇹 Itália 🇺🇸 Seattle

Hoje, o clube conta membros espalhados por vários continentes, que se mantêm ligados ao grupo à distância. É a prova de que, num clube cuja função primeira é social, o vínculo não depende do código postal.

Nota de fonte: a lista de destinos baseia-se no conhecimento do próprio clube; apenas o núcleo de Seattle (2010) está documentado em fonte pública. [R272]

4. 16 de Janeiro de 2011 — Sintra e a abertura ao trail

O testemunho documentado mais direto da abertura do clube ao trail está num comentário publicado em Fevereiro de 2012 no blogue dorsal1967:

"Lembro-me bem do nosso 1º treino na Serra de Sintra no dia 16 de Janeiro de 2011, dia de muito frio, mas com mais de 30 bravos representantes dos R4F."

— Zé Carlos Santos, comentário em dorsal1967, Fevereiro de 2012 [R251]

Um grupo de corrida de estrada com dois anos e meio de existência levou mais de 30 membros a um treino de serra num domingo de Janeiro. A partir daí, o trail deixou de ser atividade marginal do clube. Esta data faz do RUN 4 FUN um caso relevante para a fase de crescimento de 2010–2013, quando o trail português se expandiu para lá dos núcleos fundadores do Norte e das primeiras grandes provas. [R230][R251]

Uma simetria notável O comentador não é um qualquer: «Zé Carlos Santos» é José Carlos Santos — que, poucos meses depois, em Setembro de 2012, seria o primeiro presidente da Associação de Trail Running de Portugal (ATRP), da direção fundadora, e mais tarde cofundador e diretor executivo da ITRA (ver Dossiê 19). O registo escrito do primeiro treino de trail de um clube urbano de estrada ficou a dever-se a quem, meia dúzia de meses depois, presidiria à instituição que viria a organizar a modalidade no país. A abertura do RUN 4 FUN aos trilhos e a institucionalização nacional do trail cruzam-se na mesma pessoa. [R251]

Mas o trail não chegou ao clube de surpresa — chegou primeiro pelos pés de alguns membros, a título individual. Antes do treino coletivo de Sintra já havia quem corresse trilhos por conta própria. O autor deste dossiê fez as suas duas primeiras provas de trail — que foram logo duas ultras — em 2010, ainda antes da abertura formal do clube: a III Ultra Geira / Via Nova Romana (50 km, Maio de 2010) e, um mês depois, a V Ultra Trail da Serra da Freita (70 km, 14h47m, +4200 m), ambas com Luís Freitas — num tempo «pré-histórico» em que «as provas tinham cerca de uma centena de participantes (…) e era possível inscrevermo-nos praticamente de véspera». A data de 16 de Janeiro de 2011 marca, por isso, menos uma descoberta do que a passagem do trilho individual ao hábito coletivo. [R281] (Que tenha sido o primeiro atleta do clube a completar um ultra trail é recordação do autor, por confirmar nas classificações arquivadas em joaolima.net.)

E o coletivo escalou depressa. Pouco mais de um ano após o primeiro treino de Sintra, o clube já tinha um representante numa ultra de montanha de primeira linha: em Março de 2012, Paulo Jorge Rodrigues terminou a Transgrancanaria (123 km, +11.000 m) em 22h45, na metade da frente da classificação. No mesmo texto, João Ralha — fundador — anunciava a intenção de o ver no UTMB «lá para os finais de Agosto». E foi: Paulo Jorge Rodrigues alinhou no UTMB de 2012 — embora não tenha completado as 100 milhas, porque nesse ano a prova foi encurtada por mau tempo, terminando cerca de 100 km. [R279][R291]

Do clube ao UTMB — e a um livro

O UTMB não ficou pela intenção de 2012. Em 2015, o próprio autor deste dossiê — Luís Matos Ferreira — completou o Ultra Trail du Mont-Blanc, a mais mítica das ultras europeias: cerca de 170 km e 10.000 m de desnível acumulado em torno do maciço do Mont-Blanc, por França, Itália e Suíça. Foi, por confissão própria, uma participação muito sofrida, relatada passo a passo no blogue dorsal1967 e, uma década depois, transformada em livro — Ultra Trail du Mont Blanc: uma odisseia entre Mercúrio e Plutão (2025). É outro exemplo de como um clube urbano nascido no asfalto acabou a levar os seus amadores às maiores provas de montanha do mundo. [R289] (Memória do autor, identificada como tal.)

Por confirmar: quem propôs o treino em Sintra e como esse primeiro treino se transformou em calendário regular de trilhos (a identidade do comentador está resolvida — ver acima).

5. A equipa ATRP: de 18 atletas a cinco circuitos

2018/2019 — a primeira equipa

Na época 2018/2019, o RUN 4 FUN constituiu equipa para os Circuitos e Taça da ATRP com 18 atletas. O perfil é um retrato muito nítido do amadorismo veterano português: idade média de 50 anos, mediana de 51, 67% dos atletas entre os 42 e os 58 anos, e dois membros — Jorge Esteves e Teodoro Trindade — já então na lista de portugueses com mais de 50 maratonas ou ultras (hoje são doze os sócios nessa lista — ver §7). [R248]

Os resultados de estreia incluíram Teodoro Trindade em 2.º M55 no Ultra Trail de Sesimbra, Ana Melo em 1.ª F40 em Santa Maria, nos Açores, e a equipa feminina em 1.º lugar por equipas nos Trilhos de Bellas. [R248]

2023 — maturidade competitiva amadora

Em 2023, o clube apresentou 42 atletas inscritos, dos quais 37 participaram, num total de 73 provas. O desafio interno foi pontuar nos cinco Circuitos Nacionais da ATRP — Sprint, Trail, Ultra, Endurance e Endurance XL —, o que exigia persistência, coordenação e profundidade de equipa. [R247]

Os resultados coletivos foram expressivos: 3.º lugar geral no Endurance, 3.º no Endurance XL e 3.º no Trail feminino. A coordenação por circuito ficou distribuída por Ana Chocalheiro (Sprint), Rui Faria (Trail), Luís Afonso (Ultra), Teodoro Trindade (Endurance/XL) e João Antunes no backoffice. [R247]

Os «300» · a vocação do clube para a ultradistância

Há um extremo da equipa que merece caixa própria. A revista Pro Runners resumiu o alcance do clube numa frase: «desde caminhadas de 5 km a corridas de 300 km, há sempre atletas a participar». [R268] E o topo dessa escala tem um palco preferido: a Algarviana Ultra Trail (ALUT) — «a maior prova de trail running do país», cerca de 304 km e 7.000 m de desnível ao longo da Via Algarviana, de uma ponta à outra do Algarve, com limite de 72 horas. Nenhuma outra prova reuniu tantos atletas do RUN 4 FUN, ao longo de várias edições e formatos. [R298]

A estreia laranja foi logo na 1.ª edição, em 2018, e em dupla: Jorge Esteves e Teodoro Trindade formaram equipa de estafetas, revezando-se — «cada um fazia metade» — ao longo dos ~300 km entre Alcoutim e Sagres. [R305] No ano seguinte, Teodoro voltou para a fazer sozinho: em 2019, completou os ~300 km entre Alcoutim e o Cabo de São Vicente em cerca de 70 horas, sob chuva, vento e frio e com a falta de sono de três dias em movimento. O que o levou ao fim não foi só o treino — a mulher, Guida, deu-lhe apoio quase permanente no terreno; os pais, já idosos, esperaram-no na Picota para o encorajar; e amigos como Luís Carvalho e Francisco Afonso fizeram 600 km só para o manterem no rumo. «Nunca me senti sozinho», resumiu, sob o lema que o clube escolheu para o homenagear: «Somos o que sonhamos». [R296]

A partir daí, a Algarviana virou tradição laranja. Em 2022, o clube fez equipa no Endurance XL — Carmen Ferreira, Luís Ramos e Teodoro Trindade — e foi 2.º por equipas na geral. E em 2023 a presença cresceu para uma verdadeira delegação: seis atletas do RUN 4 FUN inscreveram-se no formato SOLO — o ultra individual de ~300 km — Carmen Ferreira, José Manso, Luís Ramos, Marina Marques, Pedro Ribeiro e Teodoro Trindade, entre estreantes e repetentes. Seis pessoas do mesmo clube amador a atravessar o Algarve a pé, de uma ponta à outra: é a vocação coletiva do RUN 4 FUN para a ultradistância. [R297]

281 km de Belmonte a Proença-a-Nova. A Algarviana não é o único «300» do clube. Em Julho de 2023, três atletas do RUN 4 FUN alinharam na PT281+ / Portugal 281 Ultramarathon — 281 km e ~6.700 m de desnível, non-stop, em semi-autossuficiência e navegação por GPS, com um calor em que «os termómetros passam facilmente dos 40º num calor seco, sufocante, ardente». Luís Ramos e Teodoro Trindade chegaram ao fim — 32.º e 33.º da geral, em 61h20 e 61h21: a um minuto um do outro, o que diz tudo sobre as mais de sessenta horas que fizeram lado a lado. Carmen Ferreira, a terceira, viu a prova interromper-se em Idanha-a-Nova — mas, como escreveu o clube, «esta mulher é uma vencedora a todos os níveis». Não é sobre pódios: «isto não é só sobre corrida, é quase que uma espécie de lição de vida». [R293]

A geografia destes 300 quilómetros não se esgota aqui: atletas do clube alinharam também na Terra de Gigantes — os ~303 km que atravessam o país da Serra da Estrela até Nazaré, em pleno Inverno. (Edição e nomes por fixar.) E há um «300» que ficou por cumprir: o Tor des Géants (330 km, no Vale de Aosta) foi, durante anos, um objetivo do próprio autor deste dossiê — sempre adiado, nunca concretizado. Num clube que fez da ultradistância um hábito, nem todos os sonhos se fecham; alguns ficam à espera. (Conhecimento do clube / memória do autor, identificada como tal.)

6. De grupo informal a associação registada

A imagem de «grupo de amigos» não conta a história toda — mas também não é falsa. O RUN 4 FUN viveu boa parte da sua vida como coletivo informal e só se formalizou, como associação com personalidade jurídica, ao fim de muitos anos. Por palavras da própria Direção, em 2023: «ao longo dos anos o clube tem vindo a adquirir um carácter mais formal, o que torna inevitável a criação de uma estrutura mais organizada, com regras mais claras, e exige um esforço de gestão maior». [R252]

A formalização tem uma história concreta — e até um litígio. O trabalho de registar a marca «RUN 4 FUN» arrancou em 2017, na sequência de uma decisão judicial favorável ao clube contra uma equipa de Vouzela que usava o mesmo nome. Esse trabalho jurídico — registo da marca e acompanhamento do processo — ficou a dever-se à sócia Sandra Simões, advogada, que o fez pro bono — e ao sócio Jorge Paulo, também advogado e companheiro de corridas, cujo papel na «oficialização» do clube e da marca um contributo de leitor veio, com justiça, recordar. [R308] São exemplos, entre muitos, de uma cultura que merece destaque no clube: a de membros que põem ao serviço da comunidade as competências da sua profissão, sem cobrar por isso. Até aí, o clube vivera sem personalidade jurídica — ao ponto de não poder ter conta bancária própria: as contas eram abertas em nome pessoal de dirigentes e passavam de mão em mão a cada mudança de direção. [R256][R254]

A regularização faz-se, finalmente, numa cadeia de atos oficiais de 2021, hoje arquivados e verificáveis. Primeiro, a Assembleia-Geral Constitutiva de 25 de Janeiro de 2021 aprovou os estatutos (dezassete artigos) e constituiu o clube com o nome «Clube de Praticantes RUN 4 FUN». O Registo Nacional avisou, porém, que o pedido seria recusado: pelo Decreto-Lei n.º 272/97, de 8 de Outubro, a denominação de um clube de praticantes tem de conter a atividade — e por isso, numa Adenda à Acta de 23 de Fevereiro de 2021, o nome passou (por unanimidade) a «Clube de Praticantes de Corrida – RUN 4 FUN». É a razão, prosaica e legal, do «de Corrida» no nome oficial. [R282][R259]

Seguiu-se, a 31 de Março de 2021, o pedido de constituição da entidade junto do RNPC (custo de 50 €), tratado pela sócia-advogada Sandra Simões. [R283] E a 8 de Abril de 2021 o clube tinha já o seu Cartão de Pessoa Coletiva: NIPC 902188585, natureza jurídica «Entidade Equiparada a Pessoa Coletiva», CAE principal 93120 (atividades de clubes desportivos), sede na Rua da Juventude, n.º 2 e 2-A, Porto Salvo. [R284] A partir daí, o R4F é, para todos os efeitos, uma entidade desportiva registada, com NIPC próprio — pode abrir conta bancária, emitir recibos e filiar-se em nome próprio.

A inscrição no Registo Nacional de Federações Desportivas, Clubes e demais entidades (o «SNID» do desporto português) está ativa e é verificável: o Instituto Português do Desporto e Juventude emitiu, a 12 de Junho de 2026, o respetivo Certificado de Admissibilidade de Inscrição como Clube de Praticantes (nos termos do DL 272/97), tendo por responsáveis Rui Manuel Gomes Faria e João Gonçalo Malheiro Fontes Pereira de Melo. A ficha pública do clube no SNID reúne morada, contactos e sítio (run4f.blogspot.com). [R285][R286]

Ficha pública do RUN 4 FUN no SNID/IPDJ: denominação oficial, NIPC, morada, contactos e responsáveis do clube.
Ficha pública do clube no Registo Nacional (SNID/IPDJ): denominação oficial «Clube de Praticantes de Corrida – RUN 4 FUN», NIPC, sede, contactos e responsáveis. Fonte: snid.pt.

Os estatutos fixam, a preto e branco, o que este dossiê foi mostrando. O objeto do clube é «a promoção e organização da prática da modalidade de corrida de fundo e da corrida em trilhos (…) numa lógica essencialmente não competitiva e sem fins lucrativos» (Artigo 3.º) — o multidesporto e o amadorismo inscritos na própria lei do clube. E adotam «a cor laranja» como identidade (Artigo 4.º) — a mesma das «Orange Series» e das «provas laranja». A representação cabe a seis membros eleitos em Assembleia-Geral, por sufrágio direto e secreto, para mandatos de um ano. [R259]

O código de conduta — os valores por escrito

A par dos estatutos, o clube tem um Código de Conduta que põe o seu ethos em regras. Três delas resumem este dossiê: um dever de auxílio — «prestar auxílio a qualquer outro concorrente sempre que verifique que tal situação é perigosa» (a mesma solidariedade do episódio da Manuela Cruz, §9); o crescimento pelo exemplo — «promover activamente (…) a prática desportiva saudável junto de familiares, amigos (…)» (o apadrinhamento que trouxe 81 % dos sócios, §9); e a preferência aos do clube na logística — boleias em viatura própria e partilha de inscrições a mais. Junta-lhes o desportivismo de base — não cortar caminho, não injuriar concorrentes, organizadores nem bombeiros, polícia ou equipas médicas, e criticar sempre com sugestões de melhoria — e a identidade da camisola laranja, para que «não (…) seja difuso o estatuto de um membro do RUN 4 FUN». Fecha com o mote que é a tradução do nome: «RUN 4 FUN, pelo prazer de correr». [R306]

E a governança é, hoje, plenamente democrática:

Eleições por sufrágio

As eleições fazem-se por voto online (plataforma Election Runner), com mesas de voto, anonimato garantido e voto antecipado para quem está em prova. A Direção de 2024 foi eleita a 25 de Novembro de 2023, sucedendo à Direção de 2023. [R257][R252]

A par disso, o clube mantém tesouraria própria (conta bancária e prestação de contas no almoço anual; os valores são internos e não se publicam), filiação na ATRP através de Teodoro Trindade, e três núcleos com vida e treinos próprios — Expo, Garça e Paz —, caracterizados na secção 3. [R252][R254][R263]

Resolvido (v2): forma jurídica, datas e número estão fixados e arquivados — «Clube de Praticantes de Corrida – RUN 4 FUN», NIPC 902188585, CAE 93120, «Entidade Equiparada a Pessoa Coletiva»; constituição 25/01/2021, adenda de denominação 23/02/2021, pedido no RNPC 31/03/2021, Cartão de Pessoa Coletiva 08/04/2021 e certificado do IPDJ (RNFDCE/SNID) de 12/06/2026.

7. O clube multidesportivo: a estrada primeiro, depois o trail

Convém corrigir uma impressão que o lugar deste dossiê na série de trail pode dar: o RUN 4 FUN é, antes de tudo, um clube de estrada. Nasceu no asfalto em 2008 e é no asfalto que está o grosso da sua atividade. O próprio arquivo do blogue do clube não deixa dúvidas: contabiliza mais de uma centena de relatos etiquetados «Maratona», perto de uma centena de «10 km» e dezenas de «Meia Maratona» — contra 64 posts de trail (com sub-categorias próprias de Trail Ultra Endurance, Ultratrail e Corrida em Montanha). Um inquérito interno de 2016 media o mesmo contraste no terreno: quase todos os membros corriam estrada duas a três vezes por semana, ao passo que o trail era sobretudo «de vez em quando» — e cerca de catorze nem sequer o praticavam. De zero trail antes de 2011, ainda assim, o clube chegou aos ultras — nacionais (Serra da Estrela, Arrábida, Gerês, Sicó) e internacionais (Andorra Ultra Trail) — e a uma equipa ATRP que passou de 18 atletas (2018/19) a 42 (2023), como conta a secção 5. A estrada continua a ser a espinha dorsal; o trail (secções 4, 5 e 8) é o ramo que mais cresceu — uma vertente importante, mas acrescentada a um clube de corrida de estrada. [R262][R266][R267][R248]

A maratona como projeto — desde a primeira época

A estrada do clube tem um objetivo fundador, repetido nas suas atas: «levar os membros a correr a Maratona». E é tão antigo quanto o clube. O primeiro a estrear-se foi Miguel San-Payo, sócio fundador, na Maratona de Lisboa de 7 de Dezembro de 2008, em mais de quatro horas. [R264]

Mas o verdadeiro batismo coletivo — o momento fundador desta vertente — veio na primavera seguinte: a Maratona Carlos Lopes, em Lisboa, a 10 de Maio de 2009. Alinharam sete atletas do RUN 4 FUN — João Ralha, Luísa Ralha, Paulo Marcos, António Cruz, Eduardo Correia, Miguel San-Payo e Carlos Santos (o «Caló») —, cinco deles a correr a primeira maratona da vida, com uma equipa de apoio (Miguel Correia, Paulo Curto de Sousa, Joana Mira Mendes, Vítor Lopes) e, junto à meta, os campeões olímpicos Rosa Mota e Carlos Lopes. O «Caló» corria-a como treino para um ultra de 101 km e «rebocou» Luísa Ralha do princípio ao fim. Está aqui, num só dia, a génese do lema do clube. [R265]

Anos depois, em 2013, o objetivo virou campanha — o clube levou 33 atletas a terminar a Maratona de Lisboa (e 25 a meia) e contava já com 70 maratonistas (63 homens, 7 mulheres) e 138 finalistas de meia-maratona —, com a convicção de que «qualquer pessoa pode fazer uma maratona», desde que haja objetivo, plano e consistência. É a tradução, na estrada, do mesmo espírito comunitário que move o clube. [R262]

Doze com 50 (ou mais) — um clube de fundistas

A cultura de fundo do clube tem uma medida externa e pública. A lista nacional «Portugueses com 50 maratonas ou mais» reúne 92 atletas com 50 ou mais maratonas e ultramaratonas somadas — e doze são do RUN 4 FUN. Para um clube amador, é uma presença desproporcionada: mais de um em cada dez fundistas portugueses desta «elite de volume» corre, ou correu, de laranja. [R299]

Carmen Ferreira Fernando Rosete João Veiga Jorge Alexandre Esteves Luís Matos Ferreira Miguel San-Payo Paulo Raposo Pedro Ribeiro Rui Faria Rute Matos Sandra Simões Teodoro Trindade

O Projeto Maratona (2023–): uma internacional por ano

Uma década depois, a ideia mantém-se viva e ganha mundo. O moderno Projeto Maratona, lançado em 2023, dá forma ao objetivo fundador: uma maratona internacional por ano, em grupo — «correr, viajar e conviver» —, com a organização a rodar pelos três núcleos (Carla Rebelo, Fernando Rosete e Luís Matos Ferreira).

Projeto Maratona · uma maratona internacional por ano
#1 · 2023
Atenas
11 Nov · ~22 do clube
#2 · 2024
Budapeste
13 Out · 50 participantes
#3 · 2025
Riga
17–18 Mai · 26 do grupo
#4 · 2026
Edimburgo
a etapa seguinte

O projeto premeia a fidelidade com medalhas escalonadas:

Explorador · 1 maratona Entusiasta · 2 maratonas Totalista · as 3 (Atenas'23 · Budapeste'24 · Riga'25)

Atenas, a «autêntica». A primeira etapa não foi escolhida ao acaso: correu-se a maratona original, no percurso clássico de Maratona a Atenas, com chegada ao Estádio Panatenaico de mármore. Convidado de honra da 40.ª edição foi Vanderlei Cordeiro de Lima — o maratonista brasileiro que, dezanove anos antes, seguia destacado na liderança da maratona olímpica de Atenas 2004 quando foi agarrado por um espectador, acabando a perder o ouro e a conquistar o bronze (viria a acender a pira olímpica do Rio 2016). Do lado do clube, a logística deu história: coube ao grupo o «Bloco 11», uma das últimas vagas de partida, o que significou perto de 40 minutos de espera e um arranque em plena confusão — o tipo de contratempo que, no RUN 4 FUN, se conta depois a rir. No fim, todos cruzaram a meta; e o balanço coube numa frase que lançou a série: «Venha o Projeto #2». [R270]

Budapeste, e uma estreia que diz tudo. A adesão quase duplicou e as histórias pessoais multiplicaram-se. Isabel Ucha foi a única estreante na maratona, com «enorme resiliência», depois de uma tentativa falhada em Atenas no ano anterior — a resiliência amadora feita medalha. Mas o retrato mais eloquente é o de Sofia Blanc: aos 55 anos, passou de fumadora a atleta — começou por caminhar, depois correr, e fez em Budapeste, nos 14 km, a primeira prova da vida. Resumiu-a assim: «só podia acontecer integrada no melhor clube de sempre, RUN 4 FUN». O jantar final, num restaurante medieval, teve dança do ventre e cuspidores de fogo — porque no clube a festa é parte do plano de treino. [R271][R252]

Seis estrelas — uma «Six Star Finisher» no clube

Carla Reis Rebelo — a mesma Carla Rebelo que co-organiza o Projeto Maratona — leva o amadorismo do clube a um patamar que muito poucos portugueses alcançam: é «Six Star Finisher», tendo completado as seis World Marathon Majors clássicas — Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova Iorque —, o feito que dá direito à cobiçada medalha das seis estrelas. E fechou o ciclo antes de o circuito se expandir (Sydney foi integrada como major em 2025, seguida da Cidade do Cabo). É, tanto quanto se sabe no clube, a única atleta do RUN 4 FUN a juntar as seis majors. [R300] (Feito confirmado por testemunho do autor; a lista das majors segue a organização Abbott World Marathon Majors.)

Um pódio internacional no feminino — Manuela Machado

A dimensão internacional da estrada do clube tem ainda um marco que só um contributo de leitor veio pôr no seu devido lugar: na Maratona de Sevilha de 2019 — a mesma edição em que o clube esteve em peso [R304] —, Manuela Machado subiu ao pódio do seu escalão, com um 3.º lugar em F55, tornando-se a primeira atleta do clube — e, tanto quanto se sabe, ainda a única — a alcançar um pódio de maratona no estrangeiro. O feito nunca tinha sido assinalado no âmbito do clube; fica aqui o registo, tardio mas devido. [R309] (Contributo de leitor — testemunho de Pedro Machado, sócio e marido da atleta — confirmado na classificação oficial da prova: «Maria Manuela Machado», dorsal 10056, 3.ª «Veterana F 55», 3h42m47s em tempo chip.)

A vertente de estrada mantém ainda a São Silvestre própria (na 6.ª edição em 2025) e a presença em provas de asfalto como a Corrida do Tejo (2021). [R252][R250][R262]

Em 2023, o clube constituiu mesmo uma «Equipa de Integração FPA e ATRP» — federação de atletismo (estrada/pista) e associação de trail —, jogando nos dois terrenos em simultâneo. A ligação à FPA, que viabiliza as inscrições federadas nas provas de estrada, foi montada por Francisco Machado. [R252]

A caminhada: de actividade complementar a vertente estável

A caminhada merece uma cronologia própria, ainda incompleta. O primeiro marco com data segura é a Caminhada da Paz, dinamizada por Carmen Ferreira desde 2019; em Janeiro de 2022 cumpriu três anos. Nesse mesmo ano, o clube já se apresentava publicamente como uma comunidade onde se podia «correr ou caminhar» e cuja presença ia de caminhadas de 5 km a corridas de 300 km. O Trail Camp de Novembro incluiu ainda uma Caminhada de São Martinho, aberta à população. [R275][R268][R253]

O desenvolvimento posterior não ficou concentrado em Almada. Hoje existem vários caminheiros no clube, sobretudo no núcleo da Expo, onde constituem uma presença regular. A caminhada é, portanto, uma vertente estável da vida do RUN 4 FUN. Falta reconstituir quando nasceu esta dinâmica na Expo, quem a lançou, quais foram os primeiros percursos e como cresceu — e perceber, por testemunho dos próprios caminheiros, se funcionou como porta de entrada ou de permanência no clube. (Situação actual: conhecimento directo do clube; cronologia e função por confirmar.)

Caixa · a polémica da licença FPA (2025)

A integração na FPA não foi, porém, pacífica. Em Março de 2025, a federação aprovou uma licença obrigatória (cerca de 3€) para quem participasse em provas pagas de estrada, trail e montanha com inscrição acima de 5€ — justificada com seguro desportivo, desenvolvimento da modalidade e redução de custos para os organizadores. A medida dividiu o mundo amador, e o RUN 4 FUN não ficou calado: no blogue do clube, Rui Faria (presidente da Direção de 2017) classificou-a como uma «taxinha estranha», anunciada de forma «aberrante» e reveladora de «falta de respeito» pelos atletas — penalizando sobretudo quem corre provas populares de 5€ e transferindo para os corredores uma responsabilidade que devia ser pública. «É a lei do paga e não bufa», resumiu. [R274]

A polémica retrata a tensão de fundo desta história: um amadorismo de base que olha com desconfiança para cada novo degrau de institucionalização e de custo.

8. O clube como escola e como festa

Se há um traço que distingue o RUN 4 FUN, é a transformação de cada treino num evento com identidade própria — e de cada prova num pretexto para o convívio. A vida do clube faz-se menos de pódios e mais de uma rede densa de iniciativas.

RUN 4 FUN Trail Camp · Arganil, 11 a 13 de Novembro de 2022

Organizado pelo casal Ana Chocalheiro e João Antunes, o clube levou um grupo de atletas amadores à Serra do Açor para três dias de trail, formação e convívio, com o humor que o caracteriza — o programa apresentava os participantes como «os vários atletas de elite mundial» («sim, os vários atletas de elite mundial são vocês»). Convidou duas personalidades do trail ligadas a Arganil: Sofia Roquette, seis vezes vencedora do Campeonato Nacional de Trail Ultra Endurance, e David Gouveia, atleta da CMM-Escaravelhos Team e co-criador do Desafio Picos do Açor.

O programa cruzou trail exigente (≈30 km e ≈1900 m de desnível, com versão curta de ≈23 km), uma caminhada de São Martinho aberta à população, uma sessão de «Iniciação ao trail running», gastronomia regional e até canoagem/SUP — tudo regado pelos valores que o clube assume como seus: «amizade, companheirismo, união, partilha, conhecimento, paixão, recovery, descanso e natureza». [R253]

Correção factual A data correta do Trail Camp é 11–13 de Novembro de 2022, conforme o programa oficial, e não «17 de Novembro» como surgia numa fonte anterior — a reconciliar. O evento decorreu nas mesmas serras das Beiras onde, dez anos antes, o AXtrail organizara o primeiro trail camp documentado do país (Dossiê 09), mas aqui a «elite» eram os próprios sócios.

«The Orange Series»: o clube na pandemia (2020)

Quando a COVID-19 cancelou o calendário de provas em 2020, o RUN 4 FUN inventou um campeonato virtual: a cada fim de semana em que havia de haver uma prova real, era criado um evento em que os atletas «corriam» a distância correspondente em treino — registada via Strava ou enviada por foto — e quem a completasse era declarado finalista. As distâncias seguiam as categorias da ATRP (Longas, Ultras, Endurance) e quem cumprisse o campeonato entrava na «Hall of Fame» do clube. Sem classificação individual por tempo: o objetivo era manter a comunidade em movimento e ligada quando não se podia competir — o retrato perfeito de um clube cuja função primeira é social. [R255]

No ano seguinte, com as provas ainda suspensas, a inventividade não parou. Entre 8 e 28 de Fevereiro de 2021, nove equipas de cinco atletas disputaram o «Gamo-A-Ti: Quo Vadis A.C.», um campeonato de três semanas em que cada equipa somava os quilómetros treinados e registados no Strava. A graça estava na regra do «gamanço»: ao sábado, era possível roubar os quilómetros de um treino de um adversário e oferecê-los a uma terceira equipa — pura estratégia e troça entre formações de nomes como «Bonnies dos Trilhos», «Robin dos Bosques» ou a própria «Quo Vadis A.C.» (segunda classificada, com 1277 km em 21 dias). Organizado por Rui Faria, foi mais um exemplo de como o clube transformou o confinamento em jogo coletivo. [R276]

Treinos abertos, parcerias e «provas laranja»

A Trail Running Series 2023 propôs quatro treinos abertos em quatro serras — Lousã/Loures, Sintra, Arrábida e Venda do Pinheiro —, com a missão de «juntar todos os trailers num só treino em quatro zonas diferentes». [R246] Mensalmente, o clube co-organiza ainda o Treino dos Trilhos, em Monsanto, em parceria com o Portugal Running, as Tartarugas Solidárias e a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica. [R256]

Os três núcleos também colaboram à vez. Ao longo de um mesmo ano, o clube realizou três edições do «Treino dos Treinos» — V1, V2 e V3 —, cada uma organizada por um dos núcleos (Expo, Garça e Paz), num rodízio que põe toda a gente a treinar no terreno dos outros: a tradução prática do lema «um só RUN 4 FUN». [R252]

O calendário está cheio de treinos com nome e mitologia próprios: o Treino do Fado, o dos Miradouros, o dos Elevadores, o do Aqueduto, o dos Moinhos Saloios, o das Francesinhas no Seixal, os «Animais Noturnos» (Javali, Coruja, Caracol). Há ainda a noção de «prova laranja» — provas escolhidas em que o maior número possível de atletas vai em conjunto, para correr, fazer de pace ou apoiar (a Corrida 25 de Abril, a Freita, Santa Cruz). No RUN 4 FUN, a geografia de Lisboa e arredores é percorrida como quem visita amigos. [R252][R256]

«Ninguém corre sozinho» — os «reboques» e a entreajuda em prova

A entreajuda em prova não é, no RUN 4 FUN, um episódio avulso — é uma prática com nome próprio, baptizada pelo clube no seu texto de apresentação, escrito pelos fundadores em 2009: os «reboques», «em que atletas mais rápidos, e às vezes mais lentos, ajudam os colegas a conseguirem melhores tempos através da companhia, do incentivo», sob a máxima «ajudado agora, ajudarei no futuro». [R244] E a prática é tão velha como o clube: na Corrida das Lezírias de Março de 2009, António e Hilário «poderiam bater-se pelo melhor tempo mas preferiram ajudar a "rebocar"» o fundador João Ralha — «Não há dúvida que a "equipa" pode fazer maravilhas»; dois meses depois, na Maratona Carlos Lopes, o «Caló» rebocava Luísa Ralha do princípio ao fim (secção 7); e em Setembro de 2010, na Meia do Centenário, já era organizada: «fomos ver os atletas passarem e fazer um "reboque" a alguns companheiros», escreveu João Ralha — um grupo à beira do percurso e três reboques combinados numa só prova. [R311][R265]

Nas maratonas, o dispositivo completo ficou documentado ao detalhe numa estreia: a Maratona de Lisboa de 4 de Dezembro de 2011. Tiago Ribeiro correu-a «lado a lado» com Vítor Lopes, «um companheiro e amigo incansável»; Miguel Correia esperava no Cais do Sodré «para me passar os mantimentos»; Eduardo Correia e o grupo davam ânimo ao km 25; na meta havia «uma calorosa recepção vinda das bancadas pelo fantástico grupo RUN 4 FUN» — e o relato-par da mesma prova, de um segundo estreante que combinara partir com Tiago, fecha como o clube fecha as provas: «Esperei pelo Tiago e cortámos a meta abraçados. O importante era acabar.» [R312] Dois anos depois, outro estreante em crise descrevia os reboques em cadeia: «o Grande Vítor Aguilar (…) tentou rebocar-me a uns 3 km da meta», «o Run 4 Fun Angola também ajudou», e os últimos 1500 metros fizeram-se «arrastado pelos camaradas Run 4 Fun» — «nunca estivemos a correr sozinhos». [R313]

Nos trilhos, correr em grupo é estratégia assumida: «é vê-los todos unidos, por vezes de mãos dadas, a puxarem-se mutuamente enquanto patinam ladeira acima» («Os Jedi da lama», 2018); no EstrelAçor de 2020 (100 km), Marina Marques, Sandra Simões e Teodoro Trindade mantiveram-se juntos — hora e meia perdidos num temporal perto dos zero graus; no MIUT de 2023, Carmen Ferreira e Luís Ramos fizeram os 115 km «praticamente sempre juntos». [R314] E nos ultra XL a prática chega à forma mais pura, a chegada conjunta: Luís Ramos e Teodoro Trindade terminaram os 281 km da PT281 com um minuto de intervalo, ao cabo de 61 horas lado a lado (secção 5) [R293]; na ALUT de 2021, Pedro Ribeiro partiu «ao lado do eremita dos trilhos Teodoro Trindade» — e, quando Teodoro teve de desistir, encontrou-o à espera: «Já à beira da meta, esperava-me o Teodoro, que abracei emocionado» [R315]; na ALUT de 2022, Carmen Ferreira decidiu ao km 70 «ir com os meus colegas de equipa» («Foram kms em que eu me senti muito feliz»), Pedro acompanhou-os das Furnazinhas até ao fim, e a chegada «foi épica»: oito colegas — Guida, Joaquim, Francisco, Cristina, Sofia, João, Sara e Beatriz — acompanharam os finishers nos últimos 6–8 km. [R315][R297]

Falta uma imagem: a bandeira. O arquivo escrito do clube documenta com precisão a bandeira de Portugal — estampada na camisola laranja desde o primeiro equipamento (2008) e empunhada em chegadas («empunhando a bandeira de Portugal», Lisboa 2013; «percorri esse km de bandeira bem no ar», nos 101 km de Ronda, 2014) [R316] —, mas a memória do autor guarda também bandeiras do próprio RUN 4 FUN seguradas por grupos em prova. Essa imagem não tem, por agora, fonte escrita no blogue: fica declarada como testemunho (Zona 3), com a lacuna registada na secção 11 — e entregue ao convite final, porque as fotografias hão-de existir.

Convívios, solidariedade e comunidade

O almoço anual (11/02/2023), os Summits da ATRP (Summer Summit 01/07/2023, Grand Finale 04/11/2023), o treino do 15.º aniversário (15/07/2023) e o Treino Solidário a favor da Casa da Cidade (04/11/2023) mostram a outra função do clube: a de comunidade.

«Vamos doar por ti» — o Fundo Solidário e o Desafio Strava em homenagem a Rui Ralha

A face mais recente desta função social junta a corrida à homenagem e à solidariedade. O RUN 4 FUN Fundo Solidário nasce de um Desafio Strava em memória de Rui Ralha — ele próprio sócio do RUN 4 FUN, da família do fundador João Ralha, falecido vítima de covid-19 —, «Vamos doar por ti»: um desafio em que o clube converte quilómetros em donativo. A mecânica, esclarecida pela própria organização para desfazer um mal-entendido, é tão simples quanto generosa: os atletas não contribuem com qualquer valor; é João Ralha quem deposita no fundo 0,50 € por cada quilómetro que o coletivo somar no Strava durante a semana do evento («3000 km → 1500 €; 4000 km → 2000 €»). O tecto do fundo são 2000 € — 1000 € por parte de João Ralha e outros 1000 € por parte da mãe de João Ralha e de Rui Ralha. «O desafio é fazer o máximo número de quilómetros que conseguirmos», resume o esclarecimento. [R287]

A campanha organiza-se como uma constelação de treinos com nome próprio — a Caminhada da Paz, o Treino Heróis do Mar, o Ralhar Monsanto, o Treino da Garça, o Treino da PAZ, o Monsanting, o Treino Fado, o Treino Rui Ralha —, todos a alimentar o mesmo fundo. É, em estado puro, o espírito comunitário deste clube: transformar o gesto de correr — e a memória de um dos seus — em ato coletivo e solidário. [R288]

Infografia «Homenagem ao Rui Ralha – Vamos doar por ti»: a constelação de treinos que alimenta o RUN 4 FUN Fundo Solidário.
«Desafio Strava — Homenagem ao Rui Ralha»: os treinos do clube que alimentam o Fundo Solidário, com o tecto de 2000 €. Fonte: RUN 4 FUN.
«Por Uma Unha Negra» — o podcast semanal do clube

Três sócios — João Antunes, Rui Faria e Pedro Ribeiro — fazem um podcast semanal em vídeo, emitido em direto no YouTube às terças-feiras à noite: o «Por Uma Unha Negra» (@porumaunhanegra), a que chamam, com o humor da casa, o «podcostas», conduzido pelos «jagunços do costume». O formato é o clube em revista: o que se passou na semana anterior — provas, treinos, estreias — e o que vem na seguinte. O podcast está no ar desde Novembro de 2022 — a emissão #4 é de 22 de Novembro de 2022, o que situa a #1 no início desse mês — e, a 1 de Julho de 2026, emitia em direto a edição 88 («ochenta y ocho»): quase quatro anos de antena. Poucos clubes amadores terão uma crónica audiovisual própria com esta regularidade: é a função social do clube (a conversa, a troça, a memória) transformada em média — e, de caminho, mais uma fonte primária para quem um dia quiser fazer a história do R4F. [R310] (Os três são figuras já conhecidas deste dossiê: Rui Faria, presidente da Direção de 2017 e autor da crítica à «taxinha» da FPA, secção 7; Pedro Ribeiro, um dos doze fundistas com 50+ maratonas, secção 7; João Antunes, co-organizador do Trail Camp, secção 8.)

Celebrar as estreias uns dos outros

Há um género de post que se repete no blogue do clube desde o início: o relato da estreia — a primeira maratona, o primeiro trail, as primeiras 24 horas —, quase sempre escrito na primeira pessoa. O clube transforma cada uma delas numa celebração coletiva. Uma pequena galeria de estreias:

E há mais — de primeiras meias-maratonas a primeiros trilhos de montanha. Não há feito pequeno demais para ser partilhado, nem grande demais para deixar de ser de todos: no RUN 4 FUN, a conquista de um é festejada por todos. [R277]

O clube em números — vista de conjunto

O RUN 4 FUN em números · infografia
18 anos em 2026
~211 membros (2023)
~50 idade média
80 no Strava (2020)
~1974 km/atleta (2020)
Maratonistas no clube (acumulado)
1
7
70
~80
2008
2009
2013
2018
Do primeiro maratonista (San-Payo, 2008) e do batismo coletivo (7, Maratona Carlos Lopes 2009) a cerca de 80.
Equipa de trail (ATRP)
18
42
2018/19
2023
Os inscritos no trail mais do que duplicaram.
Atletas por núcleo (base de sócios)
Expo 37%
Paz / Almada 32%
Garça 31%
quase em três terços iguais
Volume no blogue, por etiqueta (n.º de posts)
Maratona
109
10 km
100
Meia maratona
74
Trail
64
■ Estrada   ■ Trail — a estrada domina em volume; o trail é o que mais cresceu.
Fontes: documentos internos do clube (inquéritos e balanços 2016–2020) e arquivo do blogue [R247, R248, R260, R261, R262, R266, R267]; atletas por núcleo a partir da base de sócios [R307]. Valores aproximados; os maratonistas de 2018 são uma estimativa (57% dos atletas). Vista de conjunto — o crescimento ano a ano, as adesões por sexo, a pirâmide etária e os restantes indicadores demográficos vivem na secção 9, «Os sócios em números»: cada número tem uma única morada.

A comunidade, em números. O retrato demográfico completo do clube — crescimento, género, idade, núcleos, apadrinhamento — está adiante, na secção 9, feito de uma só vez a partir da própria base de sócios. Fica aqui apenas o traço de época que pertence a esta secção: o ritmo de entradas foi mais forte nos anos do boom nacional do trail, 2011–2013 — em que o próprio blogue teve o seu pico de atividade —, e, em 2020, o ano da pandemia, o coletivo compensou as provas canceladas a acumular quilómetros no Strava: média de ~1974 km por atleta, a um passo da meta simbólica de «2020 km em 2020». [R266][R260]

Na imprensa, e nas estantes. Em Março de 2022, a revista Pro Runners dedicou-lhe uma reportagem — «um grupo onde correr é divertido», «um clube que dá muita importância ao FUN e onde há muita entreajuda entre atletas». E o clube tem a sua própria bibliografia: além de servir de caso de estudo no livro de marketing Marketing Vencedor (Bertrand, 2009, da autoria dos fundadores), o RUN 4 FUN editou o seu próprio livro — Correr para o Bem-Estar: o Clube RUN 4 FUN (Edições Sílabo, 2018), 220 páginas a cores, coordenado por João Ralha com cerca de 50 contribuições de membros e amigos. Lançado a 8 de Julho de 2018, na festa do 10.º aniversário no Parque das Nações, traz prefácio de Helena Marujo e Miguel Pereira Lopes e está organizado, de forma reveladora, em torno das duas almas do clube: RUN (alimentação, preparação de provas, trilhos, maratona e ultra) e FUN (família, treinos e recovery, treinos temáticos e convívios). [R268][R269][R244]

9. As pessoas

Os sócios em números (retrato agregado)

Pela primeira vez, este dossiê pode olhar o clube não só pelos seus dirigentes e episódios, mas pelo conjunto dos seus sócios — a partir das bases de dados internas de associados (activos e histórico), tratadas apenas de forma agregada e anónima. Nenhum dado individual é publicado; só distribuições e totais. E, para que os números não abafem o que dizem, esta secção organiza-se por ordem de importância: a curva de crescimento, depois os três achados que sustentam a tese do dossiê, e o resto em tabela — uma linha cada. [R307]

Método, bases e privacidade. Os números desta secção saem de duas bases internas de sócios do RUN 4 FUN (cerca de 245 sócios no histórico, dos quais uns 195 activos), trabalhadas só em agregado; os ficheiros originais, com dados pessoais, não entram no repositório — ao repo vão apenas os CSV agregados e os gráficos [R307]. Base de cada indicador: adesões datadas — 219, de 2008 a 2023 (a base regista ainda uma única adesão com data de 2004, anterior à fundação — artefacto de registo, excluído da leitura; entradas de 2024–2025 não incluídas); sexo — 245; idade de adesão — 182 sócios com data de adesão e de nascimento; apadrinhamento — 198 apadrinhados e 98 padrinhos (anonimizados — só a distribuição); primeira prova — ~150 registadas, 114 classificáveis (≈⅓ dos sócios); presença digital — 213 no Facebook, 123 no Strava. É a aplicação da regra da Declaração de interesses: «apenas factos públicos ou agregados não sensíveis».

Como cresceu. A curva de adesões desmente a ideia de um crescimento linear. Depois do arranque em 2008, há uma primeira vaga fundadora (2009–2014) — com picos em 2011 e 2013, os anos do boom nacional do trail —, uma quebra em 2015–2016 (só duas adesões por ano) e um segundo fôlego claro a partir de 2017, com as maiores vagas de sempre em 2018–2019 e 2021–2022. Os retratos que o clube foi fazendo de si mesmo são pontos desta mesma curva: 141 registados em 2018, 184 em 2020, um grupo de Facebook com 211 atletas no fim de 2023 — e 2835 seguidores na página pública, «público maduro, maioritariamente do concelho de Lisboa». [R307][R261][R260][R252]

Gráfico de barras das adesões por ano e linha do total acumulado de sócios do RUN 4 FUN, 2008–2023.
Adesões por ano (barras) e total acumulado de sócios (linha). Vagas fundadoras 2009–2014, quebra 2015–16, segundo fôlego 2018–22. Fonte: base de sócios do clube (agregado).

Achado 1 — quatro em cada cinco entraram pela mão de outro. Se há número que traduz a tese deste dossiê — o clube como infraestrutura social —, é este: 81 % dos sócios entraram apadrinhados por um membro que já lá estava (a base regista o «padrinho» de cada um). E a rede tem forma: são 98 padrinhos distintos, mas a maioria trouxe uma só pessoa — enquanto um punhado de grandes «conectores» puxou o clube para cima: os cinco maiores responderam por um quarto de todas as adesões apadrinhadas, e o maior de todos trouxe, sozinho, catorze atletas. O RUN 4 FUN cresce menos por captação anónima e mais por contágio pessoal, um amigo de cada vez — exactamente o «crescimento pelo exemplo» que o Código de Conduta pede (secção 6). [R307]

Apadrinhamento · a rede de quem trouxe quem
81% entraram apadrinhados 98 padrinhos distintos maior conector: 14 atletas top 5 = 25% das adesões
O amor também corre no clube

E há uma rede que a base de sócios não regista: a dos afetos. Ao longo destes dezoito anos formaram-se no RUN 4 FUN vários casais — e alguns casaram-se mesmo, em segundas núpcias. Os caminhos repetem-se, e são os mesmos do apadrinhamento: dois sócios que se conhecem nos treinos; um membro que convida alguém de fora para um primeiro treino — e o treino torna-se namoro; alguém que entra no clube pela mão do parceiro que já lá estava. A maioria são pessoas divorciadas que refazem a vida — mas não só. Pela memória do autor, serão mais de uma vintena de casais; este número, porém, é declaradamente sem fonte — não há registo que o documente, e fica aqui como estimativa pessoal, identificada como tal e sem nomes (ver Declaração de interesses e secção 11). O essencial dispensa contagem: num clube onde 81 % entram pela mão de alguém, era inevitável que alguns entrassem — ou ficassem — por amor. [Memória do autor — sem fonte documental.]

Achado 2 — o clube feminizou-se. Na década fundadora, as mulheres eram cerca de um terço das novas adesões (32 % até 2014); nas vagas recentes (2018 em diante) sobem para quase metade (45 %), com anos — 2019 — em que entraram mais mulheres do que homens. No total histórico, o clube é 37 % feminino (34 % entre os activos). As medições avulsas de outros anos confirmam a trajectória — 26,7 % num inquérito interno de 2016, 36,5 % na imprensa especializada em 2022 — e, na governança, a paridade já foi ultrapassada: a Direção de 2023 teve cinco mulheres e um homem. O contraste com a linha da frente das provas é gritante: no arquivo de 570 mil classificações do Dossiê 44, as mulheres são apenas ~9 %. Dito de outro modo: o clube amador é quatro vezes mais feminino do que o pelotão que corre as provas — a barreira das mulheres no trail (Dossiê 07) está menos na comunidade e mais na competição. (A distribuição de 2024–2025 não está publicada — Zona 3.) [R307][R267][R268][R258]

Adesões por sexo ano a ano (barras empilhadas homens/mulheres) e linha da percentagem de mulheres, subindo de ~⅓ na fundação para quase metade nas vagas recentes.
Novas adesões por sexo e % de mulheres. De ~⅓ na fundação a quase metade nas vagas recentes (2019: mais mulheres que homens). Fonte: base de sócios do clube (agregado).

Achado 3 — um clube de veteranos, onde se entra já na segunda metade da vida. A idade mediana dos sócios é 53 anos e 86 % têm 40 anos ou mais; quase não há sócios abaixo dos 30 (a imprensa, em 2022, media o leque: do mais novo, 24, ao mais velho, 72). E essa idade veterana não é só efeito de quem envelheceu dentro do clube — as pessoas chegam já tarde: a idade mediana de adesão é de 43 anos, igual para homens e mulheres, e sete em cada dez sócios entraram com 40 anos ou mais (abaixo dos 30, apenas 7 %). Não há, nos dados, rejuvenescimento etário; há renovação — em 2020, perto de metade dos atletas tinha entrado nos dois anos anteriores, sobre um núcleo de veteranos com seis a doze anos de casa. Confirma-se, com dados do próprio clube, o que o Dossiê 26 argumenta para a modalidade — o trail amador é, em larga medida, um desporto de segunda metade da vida; não se «nasce» corredor no R4F, chega-se lá, muitas vezes, depois dos 40 — e valida-se a auto-imagem fundadora de quem nasceu a «desmistificar a ideia de que correr era para jovens». [R307][R268][R260]

Histograma da idade dos sócios do RUN 4 FUN: 86% têm 40 anos ou mais, mediana 53.
Distribuição etária: 86 % têm 40+ anos, mediana 53. Um clube de veteranos. Fonte: base de sócios do clube (agregado).
Idade de adesão ao clube (mediana 43 anos)
<30
7%
30–39
23%
40–49
48%
50–59
20%
60+
2%
70 % aderem já com 40 anos ou mais.

A dupla morada digital. A comunidade vive hoje em dois canais — os mesmos onde se validam os quilómetros dos campeonatos virtuais (secção 8) e do Fundo Solidário — e os dados ao vivo de 2026 tornam clara uma distinção: presença não é atividade. No Facebook, onde estão 87 % dos sócios, o grupo «Atletas RUN 4 FUN» reúne 221 membros e quase três quartos são «contribuidores» (publicam, comentam ou reagem); no Strava, onde está metade do clube, o grupo tem 141 membros, mas numa semana típica só cerca de metade regista treino. O Facebook é a praça onde se conversa; o Strava, o terreno onde se corre. É o pano de fundo do eixo «menos Facebook, mais Instagram & Strava» da Direção de 2026: metade dos sócios já lá está; a outra metade é o alvo. [R307]

Presença digital dos sócios
Na base de sócios — % que está em cada plataforma
Grupo Facebook
87%
Clube Strava
50%
Ao vivo · 2026 — membros vs. ativos
Grupo Facebook
membros
221
contribuidores
161 · 73%
Clube Strava
membros
141
ativos/semana
75 · 53%
total de membros ativos barras à mesma escala (máx. 221); «contribuidores» é cumulativo, «ativos/semana» é semanal.

Os restantes achados, uma linha cada:

Achado O que a base mostra
Núcleos equilibradosExpo ~71, Paz ~61, Garça ~59 (totais acumulados por núcleo de adesão, não efectivo actual) — nenhum polo domina o clube. Na base, a Garça surge pelo nome de origem, «Vela Latina» (secção 2), correspondência confirmada pela Direção.
Núcleo duro que se renova45 % estão no clube há dez anos ou mais (24 % há quinze ou mais); ainda assim, 26 % entraram em 2021–2023. Antiguidade mediana: 8 anos.
A porta de entrada é a estradaCinco em cada seis primeiras provas registadas foram de asfalto — clássicas populares de Lisboa (São Silvestre, Corrida do Tejo, Marginal à Noite, Corrida do Oriente, Rock 'n' Roll) —, com pouquíssimas estreias diretamente em trail. Confirma, pelo lado de quem chega, a tese da secção 7. (Amostra parcial: ≈⅓ dos sócios.)

O arco da governança

A própria lista de direções conta a história da formalização do clube. Nos primeiros anos, 2008–2013, a direção foi estável e quase familiar — o trio fundador António Eusébio, João Ralha e Paulo Marcos (Ralha e Marcos seriam os recordistas de presença, seis mandatos cada). A partir de 2015 instala-se a rotação anual de direções eleitas, com presidente identificado até 2019, e equipas que se renovam todos os anos. É a prova, ano a ano, de que o RUN 4 FUN deixou de ser «o grupo de uns amigos» para passar a governar-se por mandatos. [R258]

Os sócios fundadores

Os estatutos fixam como sócios fundadores os corredores integrados nas atividades do clube à data de 31 de Dezembro de 2008. São doze [R259]:

João Ralha · Paulo Marcos · António Eusébio · António Cruz · Eduardo Correia · Luísa Ralha · Manuela Cruz · Maria João Coutinho Rebelo · Miguel San-Payo · Miguel Correia · Paulo Curto de Sousa · Vítor Lopes

As direções (2008–2026)

Mandato Presidente Restantes elementos
2008–2013(trio fundador)António Eusébio · João Ralha · Paulo Marcos
2014—(não consta na fonte)
2015Patrícia CaladoCésar Moreira · Jorge Esteves · Jorge Paulo · Margarida Gonçalves · Sandra Simões
2016Pedro MachadoAntónio Estrela · Cláudia Pargana · Gonçalo Lopes · Manuela Machado · Pedro Morgado
2017Rui FariaAlfredo Falcão · Fernando Rosete · Rúben António Costa · Rute Fernandes
2018Teodoro TrindadeCarla Rebelo · Gonçalo Melo · Paulo Raposo · Pedro Silva
2019Vítor AguilarAna Melo · Francisco Afonso · João Miranda · Jorge Paulo · Marina Marques
2020—António Rego · Cármen Ferreira · Joana Soeiro · Luís Afonso Carvalho · Luís Matos Ferreira
2021—Fernando Carvalhão · Francisco Machado · Gonçalo Melo · Jorge Duarte Pinheiro · Paula Carvalho · Rui Faria
2022—Ana Tavares · Carmen Ferreira · João Silva Antunes · Paulo Raposo · Pedro Ribeiro · Sandra Simões
2023—Ana Chocalheiro · Débora Almeida · Guida Monteiro · Luís Matos Ferreira · Rita Felizol · Rute Fernandes
2024—Cândida Figueiredo · João Campos · Jorge Esteves · Luís Carvalho · Lara Machado · Orlando Ferreira
2025—(por obter)
2026—Ana Chocalheiro · Emanuel Silva · Hugo Fernandes · Inês Sepúlveda · Rita Vicente · Luís Afonso Carvalho

Fonte: documentação do clube [R258]; direções de 2023/2024 também em [R252]; Direção de 2026 (Lista B, eleita em Dezembro de 2025) em [R273]. 2014 e 2025 não constam na fonte; os presidentes só estão identificados de 2015 a 2019.

Nota (testemunho) · a primeira direção de voluntários Segundo a sócia fundadora Manuela Cruz, foi no final de 2013 que os fundadores João Ralha e Paulo Marcos pediram a um grupo de atletas que assumisse a direção: Patrícia Calado, César Moreira, Jorge Esteves, Margarida Gonçalves e Sandra Simões (entre outros) tomaram posse em Janeiro de 2014 — a primeira direção de voluntários. Em Janeiro de 2015, num almoço em Algueirão, prestaram contas de 2014, ofereceram aos fundadores uma t-shirt com a legenda «fundador» e passaram o testemunho à direção seguinte. A lista documental [R258] regista esta equipa em 2015; a datação (ano de mandato vs. ano de balanço) fica por reconciliar. [R290]
O que aí vem · Direção de 2026 A lista eleita para 2026 apresentou um programa de cinco eixos — «mais voz aos atletas», «calendário anual de eventos», «desafios internos regulares», «menos Facebook, mais Instagram & Strava» e «integração e identidade». Aos 18 anos, o clube continua a pensar-se e a renovar-se. [R273]

Retratos: o lado humano, com fonte

A série «Atleta em Destaque» do blogue — perto de meia centena de perfis — é a melhor janela para as pessoas do clube. Alguns retratos dizem, cada um à sua maneira, algo que ultrapassa o RUN 4 FUN — e mostram um clube onde cabem várias gerações, do estreante recente ao ultramaratonista de sempre.

Manuela Cruz — ultramaratonista aos 62, de volta depois de partir a perna. Sócia fundadora e médica de Medicina Geral e Familiar, Manuela Cruz corria desde 2009 e, em 2018, aos 62 anos, ainda alinhava em mini-trails e ultras — a Caldas Ultra Trail nesse ano, o UTAT nos montes Atlas, em Marrocos, no Outono seguinte. Mas o episódio que melhor a retrata é uma desistência: no Trail Noturno da Lagoa de Óbidos, em Agosto de 2013, partiu o tornozelo, a tíbia e o perónio — «a única prova que não completei». O que conta é o que se seguiu: «vinham atrás de mim, quando caí, atletas R4F e um deles, o Pedro Pinto, trouxe-me às costas uma boa centena de metros, com o pé a baloiçar no ar, até à estrada». «Valeu esta demonstração de solidariedade», escreveu. É o clube social no seu estado mais cru — e, ao mesmo tempo, um retrato raro de mulher, veterana e ultramaratonista num desporto que ainda se imagina jovem e masculino (cf. dossiês 07 e 26). [R278]

Maria do Rosário «Rosarinho» Moreira — a corrida como regresso, depois do luto. Tradutora, então com 55 anos, corria desde os 14 ou 15 — mas há na sua história uma pausa que muitos reconhecerão. «Interrompi em 2010 com a morte do meu pai e 3 anos depois retomei com grande vontade», contou. Regressada, correu a sua primeira e única maratona — a de Lisboa, a 15 de Outubro de 2017, em condições difíceis —, e o que ficou foi vontade de mais: «fiz uma única, inesperada e, no momento em que a terminei, fiquei com vontade de fazer mais uma. Inexplicável». Corre, diz, «pelo equilíbrio que me traz». O perfil foi escrito por Teodoro Trindade — o mesmo atleta que, cinco anos depois, terminaria os 281 km da PT281 (adiante) —, num clube onde são os próprios membros a contar as histórias uns dos outros. [R294]

Hugo Fernandes — «da necessidade ao gosto». Quando entrou no clube, em 2021, Hugo Fernandes resumiu em duas linhas um percurso que muitos corredores reconhecem: «Comecei por necessidade (112 kg com 15 anos…), fiquei por gosto.» A correr desde 2002, chegou já a apontar aos ultras — e descreveu o RUN 4 FUN como «uma espécie de família onde todos trabalhamos para o mesmo objetivo: superar-mo-nos». [R280]

Inês Mesquita Cardoso — a novata que chegou pelo trilho. Num clube de mediana aos 53 anos (§9), ela é a exceção que confirma a renovação: aos 26 anos, é das poucas sócias abaixo dos 30. Começou a correr na pandemia e só há ano e meio o faz com regularidade; chegou ao RUN 4 FUN pela mão de Marta Pereira, que conheceu no Bocal Trail Run, e é hoje presença habitual no «Monsanting» e no «Treino da Paz». O que a prende é o que prende os veteranos ao lado: «Correr transmite-me uma paz e tranquilidade que é difícil de explicar a quem não corre, principalmente em trail. Corro pela liberdade que me dá.» É a prova de que o clube que se feminizou e envelheceu continua, ainda assim, a captar quem começa. [R295]

«Olha o velho!» — dois amadores no Campeonato Nacional, entre os quenianos. Há histórias que resumem, melhor do que qualquer estatística, o que é este clube. A 26 de Novembro de 2023, no 33.º Corta-Mato Cidade de Amora (Seixal) — que nesse ano acolheu os Campeonatos Nacionais de Corta-Mato Longo, na sua edição centenária —, dois atletas do RUN 4 FUN, José Magalhães (nascido em 1967) e Luís Matos Ferreira, fizeram uma escolha tão absurda quanto luminosa: em vez de se inscreverem no escalão da sua idade (veteranos), alinharam nos 10 km Absolutos Masculinos — a prova rainha, o escalão de elite — de camisola laranja, ao lado de clubes como o Benfica e o Sporting, que apresentavam cada um o seu atleta queniano. O desfecho era previsível e faz parte da graça: o ritmo era de outro mundo, e Luís Matos Ferreira levou uma volta de avanço dos da frente. Mas foi encorajado do princípio ao fim, com palmas e com gritos afetuosos de «Olha o velho!» a cada passagem. José Magalhães, na casa dos 56 anos, fechou os 10 km em 46:26. É o amadorismo no seu estado mais puro — e mais divertido: veteranos a medir-se, sem prémio nenhum e sem hipótese nenhuma, com a elite nacional, só pelo gosto de correr e de levar o nome do clube a um palco onde ninguém esperava vê-los. [R292]

Levar toda a gente à maratona. O objetivo mais antigo do clube — «levar os membros a correr a Maratona» (§7) — vive-se, no fundo, uma pessoa de cada vez. E cada estreia, cada regresso, cada muro tem a sua história.

João Veiga — do joelho que o travou no Porto às 50 maratonas. A estreia teve de esperar: uma lesão no joelho tinha-o travado no Porto. Correu então a Maratona de Lisboa de 2012 (3h57), com a mãe a apoiá-lo ao longo do percurso; num momento crítico na Avenida da Liberdade, com o joelho a doer, virou-se para ela e prometeu: «É hoje». O pai esperava-o na meta — «a entrada no estádio foi arrepiante». Uma década depois, a caminho da 50.ª maratona (Lisboa, Outubro de 2023), define-se não como maratonista mas como «maraturista» — corre para viajar e conviver. E a que mais o marca não é a mais rápida, mas a de Aveiro de 2019, feita com gastroenterite: «nunca me senti tão mal numa maratona, mas ao mesmo tempo nunca me senti tão bem». [R302]

Rui Faria — o desafio do clube que virou recorde pessoal. No almoço anual, alguém lançou o repto de bater a marca do Rúben (3h45). Rui não só a bateu como pulverizou o próprio recorde na Maratona de Badajoz de 2018: «consegui correr a maratona em 3h:29m. O melhor que tinha conseguido até ontem tinha sido 3h:46» — e fê-lo depois de um mês travado por gripe e amigdalite, com o companheiro Gonçalo Lopes («Xanatas») a fazer-lhe de pace na reta final. «Isto só foi possível por causa desta nossa malta dos RUN 4 FUN», escreveu. [R303]

Alfredo Falcão — bater no muro e chegar na mesma. A Maratona de Sevilha de 2019 foi o retrato da luta contra o muro. Ao km 30 vieram as cãibras: «cada vez ia mais devagar para os músculos não prenderem» e, entre o km 30 e o fim, perdeu 1200 lugares. Chegou a deitar-se no chão — e as cãibras agravaram-se ao ponto de precisar de outros atletas do clube (Rúben, Gonçalo Melo, Luís Afonso Carvalho) para o porem de pé. Ainda assim, cruzou a meta abaixo das quatro horas, o objetivo a que se propusera. [R304]

Este capítulo ainda não deve ser fechado sem entrevistas e consentimento. Há ainda muitos nomes a ouvir e a creditar — veteranos, dinamizadores dos núcleos e convidados —, cujas histórias merecem espaço próprio.

Critério editorial A memória do autor pode entrar neste dossiê, mas apenas identificada como memória pessoal e sem substituir fontes documentais ou testemunhos de outros membros. As deliberações internas da Direção são usadas apenas para factos institucionais, sem atribuir opiniões privadas a membros nomeados.

Uma primeira leitura, de dentro

Este dossiê teve as suas primeiras leituras dentro do próprio clube — e a primeira veio, a propósito, de Manuela Cruz, a mesma sócia fundadora do episódio de solidariedade acima. Além de correções que aqui ficaram incorporadas — o desfecho do UTMB de Paulo Jorge Rodrigues (secção 4) e a data da primeira direção de voluntários (acima) —, deixou uma reação que vale, ela própria, como testemunho:

«Adorei ler este resumo bem detalhado dos longos 18 anos do nosso clube!!! Alguns episódios já tinha esquecido, outros vi esclarecidos em pormenores importantes — e, depois de ler, ainda fiquei com mais orgulho no nosso clube R4F.»

— Manuela Cruz, sócia fundadora, em comentário ao dossiê (2026) [R290]

10. Cronologia síntese

Data Marco Conf.
Dez 2007João Ralha e Paulo Gonçalves Marcos conhecem-se numa corridaB
2 Jul 2008Fundação do RUN 4 FUN, na estrada (1.º treino na Vela Latina; fusão com o grupo da Expo dois dias depois)B
19 Jul 2008Primeira corrida conjunta: 10 km na lagoa de Santo AndréB
28 Set 2008Corrida inaugural oficial: Mini da Vasco da GamaB
7 Dez 2008Primeira maratona de um membro: Miguel San-Payo na Maratona de Lisboa (mais de 4h)B
10 Mai 2009Maratona Carlos Lopes — batismo coletivo (7 atletas, 5 estreantes; Rosa Mota e Carlos Lopes na meta)B
2009Caso de fundação publicado em Marketing VencedorB
Mai 2010Primeira ultra de um membro do clube (III Ultra Geira / Via Nova Romana, 50 km), a título individual — antes da abertura coletiva ao trailA*
16 Jan 2011Primeiro treino de trail documentado na Serra de Sintra, com mais de 30 membrosB
Mar 2012Paulo Jorge Rodrigues termina a Transgrancanaria (123 km, +11.000 m)B
2013Campanha Maratona de Lisboa: 33 atletas terminam-na; clube com 70 maratonistas (63 H, 7 M)B
2014Primeiras estreias celebradas no blogue (Patrícia Calado, 1.ª maratona; Rui Faria, 1.º ultra no Sicó)B
2015Início da rotação anual de direções eleitas (1.ª direção eleita: Patrícia Calado)A
Jan 2016Inquérito interno «Convívio Run4Fun»: mulheres são 26,7% dos membrosB
31 Jan 2017Criação do «Treino da Paz» / núcleo de Almada, por Fernando RoseteB
2017Início do processo de registo da marca/clube (após decisão judicial favorável vs equipa de Vouzela)B
8 Jul 2018Lançamento do livro Correr para o Bem-Estar: o Clube RUN 4 FUN (Edições Sílabo) na festa do 10.º aniversárioB
2018/2019Primeira equipa nos Circuitos e Taça ATRP: 18 atletas, idade média de 50 anosA*
2020«The Orange Series» (campeonato virtual na pandemia); processo de registo em cursoA/B
25 Jan 2021Assembleia-Geral Constitutiva; estatutos (17 artigos); nome «Clube de Praticantes RUN 4 FUN»A
23 Fev 2021Adenda à acta: nome alterado para «…de Corrida – RUN 4 FUN» (exigência do DL 272/97)A
31 Mar 2021Pedido de constituição da entidade no RNPC (50 €), via Sandra SimõesA
8 Abr 2021Cartão de Pessoa Coletiva — NIPC 902188585, CAE 93120 (clubes desportivos)A
Nov 2022Arranque do podcast «Por Uma Unha Negra» (a emissão #4 é de 22/11/2022; a #1 terá sido no início do mês)B
11–13 Nov 2022RUN 4 FUN Trail Camp (Serra do Açor, Arganil) — convidados Sofia Roquette e David GouveiaA
11 Nov 2023Projeto Maratona #1 — Maratona de Atenas (~22 do clube)A/B
2023Trail Running Series; pontuação nos cinco circuitos ATRP; 42 atletas, 73 provasA/B
25 Nov 2023Direção de 2024 eleita por voto online (Election Runner)A
13 Out 2024Projeto Maratona #2 — Maratona de Budapeste (50 participantes)A/B
17–18 Mai 2025Projeto Maratona #3 — Maratona de Riga (26 do grupo)A/B
Dez 2025Direção de 2026 eleita (Lista B): Ana Chocalheiro, Emanuel Silva, Hugo Fernandes, Inês Sepúlveda, Rita Vicente, Luís Afonso CarvalhoA/B
2026Projeto Maratona #4 — Maratona de Edimburgo (etapa seguinte)A/B
2026Fundo Solidário / Desafio Strava em memória de Rui Ralha, sócio do clube (falecido com covid-19) — «Vamos doar por ti» (tecto 2000 €)B
12 Jun 2026Certificado do IPDJ de inscrição no RNFDCE/SNID (Clube de Praticantes, DL 272/97)A
1 Jul 2026Podcast semanal «Por Uma Unha Negra» (João Antunes, Rui Faria, Pedro Ribeiro) emite em direto a edição 88B
Jul 202618.º aniversário (alvo de publicação deste dossiê)B

Confiança B = fonte institucional do clube ou secundária; A = documento interno verificado; A* = fonte do autor com proximidade declarada.

11. Lacunas declaradas

  1. NIPC — resolvido (v2): «Clube de Praticantes de Corrida – RUN 4 FUN», NIPC 902188585, CAE 93120, «Entidade Equiparada a Pessoa Coletiva»; constituição 25/01/2021, adenda de denominação 23/02/2021, RNPC 31/03/2021, Cartão de Pessoa Coletiva 08/04/2021 e certificado do IPDJ (RNFDCE/SNID) de 12/06/2026. Fica por extrair, se relevante, o número de inscrição interno no SNID.
  2. Fundo Solidário (Rui Ralha): o motivo está esclarecido — homenagem em memória de Rui Ralha, sócio do clube e da família do fundador João Ralha, falecido com covid-19; ficam por fixar a data do Desafio Strava e o resultado (km somados / valor doado).
  3. Reconciliação da data do Trail Camp: programa diz 11–13/11/2022; uma fonte anterior dizia 17/11/2022 — verificar.
  4. Épocas 2020–2022 (pandemia): parcialmente documentadas (Orange Series 2020, atas de Direção, eleições 2023); falta a narrativa completa de 2021–2022.
  5. Capítulo 3.2 de Marketing Vencedor: citação direta por obter.
  6. Treino de 16/01/2011: quem propôs Sintra e como se tornou calendário regular (a identidade do comentador está resolvida — é José Carlos Santos, 1.º presidente da ATRP; ver secção 4).
  7. Filiação MYATRP: perfil do sócio 6275 por extrair e arquivar.
  8. Nascimento e crescimento da caminhada: fixar a cronologia para lá da Caminhada da Paz (2019), sobretudo no núcleo da Expo — primeiro treino regular, dinamizadores, percursos, participantes e passagem de actividade ocasional a vertente estável.
  9. Os casais do clube (secção 9): a estimativa de «mais de uma vintena de casais» formados entre membros é memória do autor, sem qualquer fonte documental — por confirmar via testemunhos, com consentimento dos próprios.
  10. Entreajuda em prova (secção 8): a bandeira do RUN 4 FUN segurada por grupos em prova é memória do autor — a pesquisa no blogue e no Arquivo.pt só documenta a bandeira de Portugal (na camisola e empunhada em chegadas); por confirmar com fotografias datadas (Facebook do clube) ou testemunhos. Ficam também por confirmar as autorias dos relatos anónimos de estreia na maratona (Lisboa 2011 — provavelmente Vítor Lopes, por triangulação com o relato de Tiago Ribeiro — e Lisboa 2013) e por reconciliar a equipa da ALUT 2022: os registos oficiais indicam três atletas, mas o relato de Carmen Ferreira diz «lá fomos nós os 4», incluindo Marina Marques, que desistiu a meio.

12. Convite ao contraditório e contributos

Este post é uma versão em desenvolvimento. São especialmente úteis contributos sobre:
  • Memórias e fotografias dos primeiros treinos no Parque das Nações (2008) e na Serra de Sintra (2011).
  • Desfecho do Fundo Solidário em memória de Rui Ralha (km somados e valor doado) e a data exata do Desafio Strava.
  • Correções às datas e números das épocas ATRP e do Trail Camp.
  • Histórias de membros que começaram a correr — na estrada ou no trail — por causa do clube.
  • Memórias, fotografias e convocatórias dos primeiros grupos de caminhada, em especial no núcleo da Expo: quando começaram, quem os dinamizou e como cresceram.
  • Histórias de casais que se formaram no clube (com consentimento dos próprios) — para dar fonte ao que hoje é apenas memória do autor.
  • Fotografias e memórias da entreajuda em prova: a bandeira do RUN 4 FUN em provas (com data e prova identificadas), os «reboques» — quem rebocou, quem foi rebocado —, as claques à beira da estrada e as chegadas conjuntas em ultras.

Correções e memórias são bem-vindas nos comentários abaixo.

Actualização (3 de Julho de 2026 — Modo A). Por contributo do leitor e sócio Pedro Machado, este dossiê passou a mencionar o papel de Jorge Paulo na oficialização do clube e da marca (secção 6) e o pódio internacional de Manuela Machado — 3.ª F55 na Maratona de Sevilha de 2019 (secção 7). O convite ao contraditório existe exactamente para isto. [R308][R309]

Referências

[R230] Artigo-base da série — «Trail Running em Portugal: Uma História de Montanha, Resistência e Comunidade» (dorsal1967, Maio 2026). dorsal1967.blogspot.com Confiança A*.
[R244] RUN 4 FUN — «Clube RUN 4 FUN». run4f.blogspot.com/p/clube-run4fun.html Fundação, fundadores, primeiras corridas e livro Marketing Vencedor. Confiança B.
[R245] RUN 4 FUN — «Onde estamos». run4f.blogspot.com/p/main02.html Núcleos e Treino da Paz. Confiança B.
[R246] RUN 4 FUN — «Trail Running Series 2023». run4f.blogspot.com Quatro treinos abertos e organizadores. Confiança B.
[R247] RUN 4 FUN — «Trail/2023: ATRP - Desafios Concluídos». run4f.blogspot.com Época 2023 e Summits (data do Trail Camp a reconciliar). Confiança B.
[R248] dorsal1967, Agosto 2019 — «RUN 4 FUN nas Competições Nacionais de Trail da ATRP». dorsal1967.blogspot.com Proximidade declarada. Confiança A*.
[R249] dorsal1967, Janeiro 2025 — «Atleta RUN 4 FUN em destaque». Usado para a declaração de interesses. Confiança A*.
[R250] RUN 4 FUN — «Run 4 Fun na Corrida do Tejo 2021». run4f.blogspot.com Vertente de estrada mantida. Confiança B.
[R251] dorsal1967, Fevereiro 2012 — «II Ultra Trilhos dos Abutres» (comentário de Zé Carlos Santos). dorsal1967.blogspot.com Primeiro treino de trail em Sintra, 16/01/2011. Comentador identificado pelo autor como José Carlos Santos, 1.º presidente da ATRP (cf. Dossiê 19). Confiança B (identificação A).
[R252] RUN 4 FUN — Apresentação «Resumo 2023» (almoço anual, Jan 2024). Documento interno do clube (não publicado). Direções, núcleos, multidesporto, comunidade. Confiança A.
[R253] RUN 4 FUN — Apresentação «RUN 4 FUN Trail Camp» (programa, Nov 2022). Documento interno (não publicado). Trail Camp Arganil 11–13/11/2022; convidados; programa. Confiança A.
[R254] RUN 4 FUN — «R4F 2020 Tarefas». Documento interno (não publicado). Estrutura por tarefas; marca; filiação ATRP. Confiança B.
[R255] RUN 4 FUN — «The Orange Series» (regulamento do campeonato virtual, 2020). Documento interno (não publicado). Confiança A.
[R256] RUN 4 FUN — Documentos internos de Direção 2020 (notas e atas). Não publicado; usado só para factos institucionais (litígio e registo da marca, parceria Treino dos Trilhos, «prova laranja»). Confiança B.
[R257] RUN 4 FUN — Comunicação de eleições para a Direção 2024 (Election Runner, 25/11/2023). Documento interno (não publicado; credenciais não registadas). Confiança A.
[R258] RUN 4 FUN — «Direções passadas» (lista cronológica das direções, 2008–2023). Documento interno do clube. Arco da governança: trio fundador 2008–2013; rotação anual eleita desde 2015. Confiança A.
[R259] Estatutos do «Clube de Praticantes de Corrida – RUN 4 FUN» (aprovados em Lisboa, 23/02/2021). Documento estatutário. Forma jurídica; objeto (corrida de fundo + trilhos, não competitivo, sem fins lucrativos, Art. 3.º); cor laranja (Art. 4.º); seis representantes eleitos, mandato anual; lista nominal de 12 sócios fundadores em anexo (publicada na secção 9 enquanto órgão social; colunas de e-mail/validação não publicadas). Confiança A.
[R260] RUN 4 FUN — Apresentação da Direção 2020 (31/01/2020). Documento interno (não publicado). Génese (Vela Latina / Optimus Alive); descrição do clube 2020: 184 atletas (123 ativos); gráfico de idades (massa 47–61, média ~50) e de anos no clube (vaga de renovação 2018–19). Confiança B.
[R267] RUN 4 FUN — Apresentação «Convívio Run4Fun» (Jan 2016), inquérito interno. Documento interno (não publicado). Género 26,7% mulheres; participação: estrada 2–3×/semana (quase todos), trail «de vez em quando». Confiança B.
[R261] RUN 4 FUN — Encontro «Contas e Quantos somos?» (Jan 2018). Documento interno (não publicado). Demografia 2017/18 (141 registados, 76 ativos; média 49 anos; 57% maratonistas); núcleos Vela Latina/Expo/Almada. Confiança B.
[R262] RUN 4 FUN — blogue, arquivo por etiquetas (Maratona, 10 km, Meia Maratona, São Silvestre, Corrida do Tejo). run4f.blogspot.com Predomínio da estrada por volume; campanha Maratona de Lisboa 2013 (33 finishers, 70 maratonistas no clube); «qualquer pessoa pode fazer uma maratona». Confiança B.
[R263] RUN 4 FUN — «Treina Connosco». run4f.blogspot.com/p/main03.html Treinos regulares por núcleo (Expo, Garça, Paz; série Brutus de trail). Confiança B.
[R264] RUN 4 FUN — «O nosso maratonista» (8 Dez 2008). run4f.blogspot.com Primeira maratona de um membro: Miguel San-Payo na Maratona de Lisboa, 07/12/2008 (mais de 4h). Confiança B.
[R268] Pro Runners Magazine — «RUN 4 FUN: um grupo onde correr é divertido» (Márcia Dores, 17 Mar 2022). prorunners.pt Imprensa externa: 208 membros (76 mulheres, 132 homens); idade média 50 (24–72); três atletas com 50+ maratonas/ultras. Confiança B.
[R269] RUN 4 FUN — «O Livro do RUN 4 FUN» (9 Jul 2018). run4f.blogspot.com Livro Correr para o Bem-Estar: o Clube RUN 4 FUN (Edições Sílabo, 2018), 220 pp. a cores, coord. João Ralha, ~50 contribuições; prefácio de Helena Marujo e Miguel Pereira Lopes; posfácio de Mário Machado; estrutura RUN/FUN; lançado 8/7/2018 no 10.º aniversário. Confiança B.
[R270] RUN 4 FUN — «Projeto Maratona #1 — Maratona de Atenas» (19 Nov 2023). run4f.blogspot.com Atenas 11/11/2023 («Authentic», 40.ª ed.); ~22 do clube; objetivos do projeto; organização por núcleo; convidado Vanderlei Cordeiro de Lima. Confiança B.
[R271] RUN 4 FUN — «Projeto Maratona #2 — Maratona de Budapeste» (21 Out 2024). run4f.blogspot.com Budapeste 13/10/2024; 50 participantes (33 membros, 17 convidados), 22 na maratona; Isabel Ucha única estreante (após tentativa falhada em Atenas). Confiança B.
[R272] RUN 4 FUN — «Núcleo Run 4 Fun de Seattle» (12 Ago 2010). run4f.blogspot.com Diáspora do clube por contágio à distância: núcleo informal em Seattle (EUA), formado por familiares de um sócio já residentes na cidade. Confiança B. Restantes destinos (Angola, Moçambique, Suíça — caso de Gonçalo Lopes —, Itália) por conhecimento do clube (Zona 3).
[R273] RUN 4 FUN — «Lista B — Eleições 2026» (12 Dez 2025). run4f.blogspot.com Manifesto da Lista B (cabeça de lista Ana Chocalheiro) e composição da Direção de 2026 (nomes em imagem, fornecidos pelo autor). Confiança B.
[R274] Rui Faria — «Licença para correr em provas de…» (blogue RUN 4 FUN, 28 Mar 2025). run4f.blogspot.com Opinião crítica sobre a licença obrigatória da FPA (~3€) em provas pagas acima de 5€; «É a lei do paga e não bufa». Confiança B (opinião assinada).
[R275] RUN 4 FUN — «Parabéns pelo 5.º aniversário – Treino da Paz» (4 Fev 2022). run4f.blogspot.com Criação do «Treino da Paz» (núcleo de Almada) a 31/01/2017 por Fernando Rosete («o pai da criança»); crescimento e estreias anuais na maratona; Caminhada dinamizada por Carmen Ferreira (3.º aniversário em 26/01/2022). Confiança B.
[R276] RUN 4 FUN — «Gamo-A-Ti: Quo Vadis A.C.» (5 Mar 2021). run4f.blogspot.com Campeonato virtual por equipas (8–28/02/2021): 9 equipas de 5, km no Strava, regra do «gamanço» ao sábado; organização de Rui Faria; «Quo Vadis A.C.» 2.ª (1277 km). Confiança B.
[R277] RUN 4 FUN — relatos de estreias (género recorrente no blogue): «A minha primeira Maratona» (Luís Correia, Porto, 6 Nov 2011, 4h13 — run4f.blogspot.com); «O meu primeiro trail» (Nuno Sentieiro Marques, Mafra, Mar 2012 — Mafra 2012); 1.ª maratona de Joana Peralta (2012); 1.ª maratona de Patrícia Calado (Fev 2014); «O meu primeiro Ultra Trail» (Rui Faria, Sicó, Mar 2014); «24h a Correr — Mem Martins» (Teodoro Trindade, 2018, 149 km/71 voltas, 5.º geral — Mem Martins 2018). Celebração coletiva das estreias. Confiança B.
[R278] RUN 4 FUN — série «Atleta em Destaque» (run4f.blogspot.com); âncora: Manuela Cruz (Teodoro Trindade, 9 Ago 2018 — run4f.blogspot.com). Perfis individuais do clube (~50 posts; vaga de 2018, leque etário 31–62). Manuela Cruz: cofundadora, 62 anos, médica de MGF; ultras CUT/UTAT; fratura de tornozelo/tíbia/perónio no Trail Noturno da Lagoa de Óbidos (Ago 2013) e episódio de solidariedade (Pedro Pinto). Confiança B.
[R279] RUN 4 FUN — «Trail Transgrancanaria 123 km» (João Ralha, 22 Mar 2012). run4f.blogspot.com Paulo Jorge Rodrigues, 107.º/214, 22:45:36, +11.000 m; anúncio da intenção de UTMB «finais de Agosto» de 2012. Em 2012 o UTMB foi encurtado por mau tempo; Paulo Jorge Rodrigues completou ~100 km (ver R291). Fundadores como ultratrailers ~14 meses após Sintra. Confiança B.
[R280] RUN 4 FUN — «Novos Membros: Hugo Fernandes» (Luís Matos Ferreira, 25 Jan 2021). run4f.blogspot.com Superação: «Comecei por necessidade (112 kg com 15 anos…), fiquei por gosto»; corre desde 2002; aponta aos ultras. Confiança B.
[R281] dorsal1967 — «A minha primeira vez… que fiz uma Ultra» (3 Ago 2019). dorsal1967.blogspot.com As duas primeiras ultras/trails do autor: III Ultra Geira / Via Nova Romana (50 km, Maio 2010) e V Ultra Trail da Serra da Freita (70 km, 14h47m, Jun 2010), com Luís Freitas; trail «pré-histórico» (inscrição de véspera). Anterior à abertura coletiva de 2011; «1.º do clube» por confirmar (joaolima.net). Confiança A*.
[R282] Acta de Assembleia-Geral Constitutiva do «Clube de Praticantes RUN 4 FUN» (reunião de 25/01/2021) e Adenda à Acta Nº 1 (23/02/2021). Documento estatutário. Constituição (estatutos, 17 artigos) e alteração de denominação para «…de Corrida – RUN 4 FUN» por exigência do DL 272/97, de 8/10 (a denominação tem de conter a atividade); aprovação por unanimidade. Lista de assinaturas dos associados não publicada (dados pessoais). Confiança A.
[R283] RNPC/IRN — Comprovativo do Pedido de constituição de entidade n.º 2966334 (31/03/2021). Pedido de NIF/NIPC; custo 50 €; tratado pela sócia-advogada Sandra Simões. Correio eletrónico pessoal dos intervenientes não publicado. Confiança A.
[R284] Cartão de Pessoa Coletiva — ePortugal / AMA (emitido ~08/04/2021). NIPC 902188585; «Entidade Equiparada a Pessoa Coletiva»; «CLUBE DE PRATICANTES DE CORRIDA – RUN 4 FUN»; CAE principal 93120 (atividades de clubes desportivos); sede Rua da Juventude, n.º 2 e 2-A, 2740-079 Porto Salvo. Confiança A.
[R285] IPDJ, I.P. — Certificado de Admissibilidade de Inscrição (Clube de Praticantes), Registo Nacional de Federações Desportivas, Clubes e demais entidades, Lisboa, 12/06/2026. Nos termos do DL 272/97; responsáveis Rui Manuel Gomes Faria e João Gonçalo Malheiro Fontes Pereira de Melo; validade 180 dias. Confiança A.
[R286] SNID / IPDJ — ficha pública da organização «Clube de Praticantes de Corrida – RUN 4 FUN» (snid.pt). Denominação, e-mail, sítio (run4f.blogspot.com), telefone, morada, NIPC, tipo de entidade, representantes e utilizadores (cargos de governança). Confiança A/B.
[R287] RUN 4 FUN — «Esclarecimento sobre a doação de km para o Fundo Solidário» (infografia interna). Mecânica do fundo: atletas não contribuem; João Ralha doa 0,50 €/km somado no Strava na semana do evento; tecto 2000 € (1000 € João Ralha + 1000 € mãe de João Ralha e Rui Ralha). Confiança B.
[R288] RUN 4 FUN — «Desafio Strava — Homenagem ao Rui Ralha – Vamos doar por ti» (infografia interna). Constelação de treinos que alimenta o Fundo Solidário (Caminhada da Paz, Treino Heróis do Mar, Ralhar Monsanto, Treino da Garça, Treino da PAZ, Monsanting, Treino Fado, Treino Rui Ralha); tecto «Até 2.000 €». Rui Ralha, sócio do RUN 4 FUN e da família do fundador João Ralha, faleceu vítima de covid-19 (conhecimento do clube/autor). Confiança B.
[R289] Luís Matos Ferreira — Ultra Trail du Mont Blanc: uma odisseia entre Mercúrio e Plutão (2025) e relatos no blogue dorsal1967. dorsal1967.blogspot.com A participação do autor no UTMB («muito sofrida»), depois transformada em livro. Memória do autor (proximidade declarada); ano da prova por fixar. Confiança A*.
[R290] Manuela Cruz — comentário ao dossiê 42 (2026). Testemunho de sócia fundadora: reação ao texto e correções factuais incorporadas (desfecho do UTMB de Paulo Jorge Rodrigues; primeira direção de voluntários em Janeiro de 2014, a pedido dos fundadores). Confiança B (testemunho direto).
[R291] UTMB World — perfil de atleta Paulo Jorge Rodrigues. utmb.world/en/runner/125598.paulojorge.rodrigues UTMB 2012 encurtado por mau tempo; distância completada ~100 km (não as 100 milhas). Confiança A (registo oficial UTMB).
[R292] FPA — Campeonatos Nacionais de Corta-Mato Longo (edição centenária), integrados no 33.º Corta-Mato Cidade de Amora, Seixal, 26/11/2023 — resultados oficiais. fpatletismo.pt José Magalhães (n. 1967) e Luís Matos Ferreira (R4F) inscritos nos 10 km Absolutos M; José Magalhães 46:26; Luís Matos Ferreira dobrado pelos da frente. Presença de clubes com atletas quenianos (Benfica, Sporting). Episódio do «Olha o velho» e a opção pelo escalão absoluto: testemunho do autor (proximidade declarada). Confiança A (resultados FPA) / A* (episódio).
[R293] RUN 4 FUN — «PT281+ Ultramarathon 2023. Porque há mais vida além da corrida…» (João Silva Antunes, 25/07/2023). run4f.blogspot.com Três atletas do clube na PT281+ / Portugal 281 Ultramarathon (281 km, ~6.733 m D+, Belmonte→Proença-a-Nova, 20–23/07/2023). Resultados oficiais (ITRA, itra.run): Luís Ramos 32.º (61:20) e Teodoro Trindade 33.º (61:21), finishers; Carmen Ferreira DNF (Idanha-a-Nova). Confiança B (blogue do clube) / A (resultados ITRA).
[R294] RUN 4 FUN — «Atleta em Destaque: Rosarinho Moreira» (Teodoro Trindade, 15/10/2018). run4f.blogspot.com Maria do Rosário «Rosarinho» Moreira, 55 anos, tradutora; corre desde os 14–15; interrompeu em 2010 com a morte do pai e regressou 3 anos depois; Maratona de Lisboa (15/10/2017), a única. Confiança B.
[R295] RUN 4 FUN — «Novo Membro: Inês Mesquita Cardoso» (05/2026). run4f.blogspot.com Inês Mesquita Cardoso, 26 anos; começou a correr na pandemia; chegou ao clube por Marta Pereira (Bocal Trail Run); treina no «Monsanting» e no «Treino da Paz». «Corro pela liberdade que me dá.» Confiança B.
[R296] RUN 4 FUN — «Obrigado amigos» (Jan 2020). run4f.blogspot.com Teodoro Trindade completa a Algarviana Ultra Trail (ALUT) 2019, Endurance XL (~300 km), de Alcoutim ao Cabo de São Vicente em ~70 horas; apoio de Guida (mulher), pais na Picota e amigos (Luís Carvalho, Francisco Afonso); lema «Somos o que sonhamos». Confiança B.
[R297] RUN 4 FUN — participações na Algarviana Ultra Trail (ALUT): relato «ALUT 2022 – a grande aventura» (Carmen Ferreira, 09/12/2022, run4f.blogspot.com) e newsletter ATRP (Nov 2022): equipa Endurance XL — Carmen Ferreira, Luís Ramos e Teodoro Trindade, 2.º por equipas. ALUT 2023 — resultados oficiais (StopAndGo, results.stopandgo.pro): seis atletas do clube no formato SOLO — Carmen Ferreira, José Manso, Luís Ramos, Marina Marques, Pedro Ribeiro e Teodoro Trindade. Confiança B (clube) / A (registo oficial da prova).
[R298] ALUT — Algarviana Ultra Trail (dados oficiais e imprensa). alut.pt · «a maior prova de trail running do país» (Público, Nov 2024, publico.pt). Cerca de 304 km e ~7.000 m de desnível ao longo da Via Algarviana, de ponta a ponta do Algarve; limite de 72 horas; non-stop, em semi-autossuficiência. Confiança A/B.
[R299] Correr Por Prazer — «Portugueses com 50 maratonas ou mais» (Pedro Amorim e António Belo; atualizada 01/07/2026). correrporprazer.com Lista de 92 atletas com 50 ou mais maratonas e ultramaratonas (somadas; as duas disciplinas contabilizadas em separado, com total). Doze do RUN 4 FUN: Carmen Ferreira, Fernando Rosete, João Veiga, Jorge Alexandre Esteves, Luís Matos Ferreira, Miguel San-Payo, Paulo Raposo, Pedro Ribeiro, Rui Faria, Rute Matos, Sandra Simões e Teodoro Trindade. Confiança B (base comunitária externa). Nota: não se publicam as contagens individuais (a coluna de maratonas de estrada isolada não reflete o total que qualifica).
[R300] Abbott World Marathon Majors — worldmarathonmajors.com Circuito das «majors»: as seis clássicas (Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago, Nova Iorque) e o feito de «Six Star Finisher»; expansão recente do circuito (Sydney integrada em 2025, seguida da Cidade do Cabo). Carla Reis Rebelo (RUN 4 FUN) como Six Star Finisher: testemunho do autor (proximidade declarada). Confiança B (organização das majors) / A* (feito da atleta).
[R302] RUN 4 FUN — «A minha 1ª Maratona» (João Veiga, 15/12/2012) e «A um mês das 50 maratonas de estrada» (João Veiga, 08/09/2023). estreia 2012 · rumo às 50 Estreia na 27.ª Maratona de Lisboa (09/12/2012, 3h57m04s), após tentativa gorada no Porto por lesão no joelho; a mãe no percurso, «É hoje» na Av. da Liberdade, o pai na meta. Autodefine-se «maraturista»; 50.ª maratona prevista para Lisboa (08/10/2023); Aveiro 2019 com gastroenterite («nunca me senti tão mal… nunca me senti tão bem»). Confiança B.
[R303] RUN 4 FUN — «Desafio Superado.» (Rui Faria, 19/03/2018). run4f.blogspot.com Maratona de Badajoz (2018): recorde pessoal 3h29 (anterior 3h46), a partir do desafio interno de bater a marca do Rúben (3h45); recuperação de gripe/amigdalite; Gonçalo Lopes («Xanatas») de pace. «Isto só foi possível por causa desta nossa malta dos RUN 4 FUN.» Confiança B.
[R304] RUN 4 FUN — «A Maratona de Sevilha e o plano de treinos» (Alfredo Falcão, 19/02/2019). run4f.blogspot.com Maratona de Sevilha (2019): muro ao km 30, cãibras, chegou a deitar-se no chão (apoio de Rúben, Gonçalo Melo, Luís Afonso Carvalho); terminou abaixo das 4 horas. «Cada vez ia mais devagar para os músculos não prenderem.» Confiança B.
[R305] RUN 4 FUN — «ALUT – A Palavra» (Jorge Esteves, 14/12/2018). run4f.blogspot.com Algarviana Ultra Trail (ALUT), 1.ª edição (2018): Jorge Esteves e Teodoro Trindade em equipa de estafetas, ~300 km (Alcoutim–Sagres) para concluir em 72h, «cada um fazia metade». Confiança B.
[R306] RUN 4 FUN – R4F (Agremiação Desportiva) — «Código de Conduta». Documento interno do clube (não publicado). Valores e regras de comportamento: uso da camisola oficial e exclusividade de equipamento; regularização de inscrição/pagamento em prova; desportivismo (não cortar caminho, não injuriar concorrentes, organizadores nem bombeiros/polícia/equipas médicas); crítica construtiva com sugestões; dever de auxílio a concorrente em perigo; preferência aos atletas do clube na logística (boleias, inscrições a mais); promoção da prática desportiva saudável junto de familiares e amigos. Mote «RUN 4 FUN, pelo prazer de correr». Confiança A.
[R307] RUN 4 FUN — bases internas de sócios, tratamento agregado (CSV agregados e nota de pesquisa no arquivo da série). Fonte do retrato agregado da secção 9: adesões por ano e sexo, idade, idade de adesão, núcleos, antiguidade, apadrinhamento, primeira prova e presença digital (base + dados ao vivo de 2026). ~245 sócios no histórico, ~195 ativos. Ficheiros nominais não publicados — só agregados e gráficos. Confiança A.
[R308] Contributo de leitor — Pedro Machado (sócio), mensagem ao autor, 03/07/2026. Papel de Jorge Paulo (advogado e sócio) na «oficialização» do clube e da marca (secção 6); confirmado pelo autor. Confiança A*.
[R309] Contributo de leitor — Pedro Machado (sócio e marido da atleta), 03/07/2026. Manuela Machado: 3.ª classificada «Veterana F 55» na Zurich Maratón de Sevilla 2019 — primeiro pódio internacional do clube (secção 7). Testemunho familiar confirmado na classificação oficial (Sportmaniacs: «Maria Manuela Machado», dorsal 10056, 3h45m47s gun / 3h42m47s chip). Confiança A.
[R310] «Por Uma Unha Negra» — canal YouTube do podcast do clube. youtube.com/@porumaunhanegra Podcast semanal em vídeo (terças-feiras, em direto) de João Antunes, Rui Faria e Pedro Ribeiro: revista da semana do clube («podcostas», pelos «jagunços do costume»); no ar desde novembro de 2022 (emissão #4 a 22/11/2022, «Versão Diretor's CUT» após problemas com o live); edição 88 emitida a 01/07/2026, anunciada no grupo de Facebook «Atletas RUN 4 FUN». Confiança B.
[R311] RUN 4 FUN — «Corrrida das Lezírias - durante e após a corrida» (João Ralha, 15/03/2009) e «Meia do Centenário, Lisboa 26 Setembro» (João Ralha, 26/09/2010; único post do blogue com a etiqueta «reboques»). Os «reboques» em acção desde a 1.ª época (definição da prática na página institucional, cf. [R244]); Meia do Centenário 2010: grupo posicionado no percurso e três reboques combinados. run4f.blogspot.com (2009) · run4f.blogspot.com (2010) Confiança B.
[R312] RUN 4 FUN — «Um dia especial...» (Tiago Ribeiro, 05/12/2011) e «A minha 1ª Maratona» (autor anónimo no Blogger, 05/12/2011). Estreias na Maratona de Lisboa (04/12/2011): Vítor Lopes «lado a lado» com Tiago Ribeiro toda a prova; apoio de Miguel Correia (Cais do Sodré) e Eduardo Correia e grupo (km 25); «Esperei pelo Tiago e cortámos a meta abraçados» (4h42m). Autoria do 2.º relato por confirmar — provavelmente Vítor Lopes, por triangulação (secção 11). run4f.blogspot.com (Tiago) · run4f.blogspot.com (par) Confiança B.
[R313] RUN 4 FUN — «A primeira (maratona) é para acabar!» (Pedro Santos Vicente, 09/10/2013). Reboques em cadeia sobre um estreante (Maratona de Lisboa, 06/10/2013): Vítor Aguilar a ~3 km da meta; «o Run 4 Fun Angola também ajudou»; «arrastado pelos camaradas Run 4 Fun»; «nunca estivemos a correr sozinhos». run4f.blogspot.com Confiança B.
[R314] RUN 4 FUN — «Os Jedi da lama» (Pedro Ribeiro, 27/03/2018), «EstrelAçor 2020 - A Aprendizagem» (Sandra Simões, 28/10/2020) e «É incrível - MIUT» (Rui Faria, 25/04/2023). Entreajuda nos trilhos: «por vezes de mãos dadas, a puxarem-se mutuamente»; trio junto no temporal do EstrelAçor (100 km); Carmen Ferreira e Luís Ramos «praticamente sempre juntos» nos 115 km do MIUT. run4f.blogspot.com (2018) · run4f.blogspot.com (2020) · run4f.blogspot.com (2023) Confiança B.
[R315] RUN 4 FUN — «ALUT 419» (Pedro Ribeiro, 06/12/2021) e «ALUT 2022 a grande aventura» (Carmen Ferreira, 09/12/2022; cf. [R297]). Entreajuda em ultra XL: partida «ao lado do eremita dos trilhos Teodoro Trindade»; Teodoro desiste mas espera na meta; ALUT 2022 — grupo a partir do km 70, Pedro desde as Furnazinhas, escolta de oito colegas nos últimos 6–8 km. ⚠️ O relato diz «lá fomos nós os 4» (com Marina Marques, que desistiu) — reconciliar com [R297] (secção 11). run4f.blogspot.com (2021) · run4f.blogspot.com (2022) Confiança B.
[R316] RUN 4 FUN — «Equipamento Running for Fun....!» (paulo alexandre, 26/12/2008), «A minha primeira maratona» (autor anónimo, 14/10/2013) e «Um sonho com 101 km» (20/05/2014). A bandeira documentada em prova é a de Portugal: na camisola laranja desde o 1.º equipamento e empunhada em chegadas («empunhando a bandeira de Portugal», Lisboa 2013; «percorri esse km de bandeira bem no ar», 101 km de Ronda, 2014). Nenhuma bandeira física do clube encontrada no texto do blogue (secção 11). run4f.blogspot.com (2008) · run4f.blogspot.com (2013) · run4f.blogspot.com (2014) Confiança B.
[R266] RUN 4 FUN — índice do blogue. run4f.blogspot.com/p/indice.html Contagens por etiqueta (Trail 64; Ultra Endurance, Ultratrail, Corrida em Montanha); pico de atividade 2011–2013; trail internacional (Andorra Ultra Trail). Confiança B.
[R265] RUN 4 FUN — «Maratona Carlos Lopes: o final!» e «…nunca é tarde» (11 Mai 2009). run4f.blogspot.com Batismo coletivo na maratona, 10/05/2009: sete atletas (cinco estreantes), apoio, e os campeões olímpicos Rosa Mota e Carlos Lopes; Carlos Santos (o «Caló») em treino para ultra de 101 km. Confiança B.
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Comentários

  1. Luís Matos Ferreira,
    Adorei ler este resumo bem detalhado dos longos 18 anos do nosso clube!!!
    Alguns episódios já tinha esquecido, outros tinha uma ideia mas vi esclarecidos pormenores importantes e depois de ler este teu texto ainda fiquei com mais orgulho no nosso clube R4F (e em ti... do modo como escreves-captas a atenção do leitor, organização dos conteúdos)!!..!
    Muito obrigada!!
    Há alguns pontos que não compreendi ou queria abordar:
    Na última linha do ponto 4, depois de referires que o Paulo Jorge Rodrigues fez a Transgrancanária em 2012… referes que “a concretização do UTMB fica por concretizar”. Então tu próprio não fizeste o UTMB? experiência à qual dedicaste, até, um livro que escreveste!! “Ultra Trail du Mont Blanc, uma odisseia entre Mercúrio e Plutão” fev. 2025?
    Um reparo: Creio que foi no fim do ano 2013 que a direção dos fundadores João Ralha e Paulo Marcos, fez o pedido para que 5 ou 6 atletas assumissem a direção do clube e os substituíssem. Assim a Patrícia, o Cesar, o Jorge Esteves, a Margarida Gonçalves, a Sandra e (?) em janeiro de 2014 assumiram a 1ª direção de voluntários, e em jan 2015, num restaurante no Algueirão, fizeram resumo do ano 2014, deram uma T-shirt personalizada aos fundadores com uma legenda “fundador” e foram substituídos pela direção seguinte.
    Mais uma vez, obrigada pelo teu relato!! Adorei lê-lo!!
    Manuela Cruz

    ResponderEliminar
  2. Luigi,

    Ninguém bate um RUN 4 FUN quando ele se dedica.
    O teu trabalho e dedicação a fazer este apanhado e resumo da "vida" e da história cronologica do Clube não tem preço.

    O Clube RUN 4 FUN, apesar de não fazer grande alarido, sempre foi um clube que apesar do amadorismo esteve á frente de muitas iniciativas.
    A forma como os novos membros entram no Clube, a edição do livro pelo 10º Aniversário, de uma forma mais ou menos "forçada" fomos dos primeiros "Grupos" de corrida amadora que se constitiu como Clube ecom pernsonalidade juridica, mostram que é um clube muito a frente.

    Aliás para os que ainda se lembram, a mim aconteceu, os RUN 4 FUN eram vistos por alguns outros Grupos informais de corrida como os que tinham a mania da "Elite". Por várias vezes atletas de outros Grupos me disseram isso. O motivo nunca foi de sermos elite. Pelo contrário. É um Clube maioritariamente de de pessoas humildes e solidárias. Que fica plasmado neste teu trabalho.

    Vejamos, todo este trabalho e dedicação por um Clube que em termos desportivos não tem expressão de elite. E conseguiste de forma brilhante captar a verdadeira expressão do Clube RUN 4 FUN e mais do que isso. De uma forma muito real acabas por mostrar a realidade de muitos outros Clubes tão "antigos" como os RUN 4 FUN e de outros que emergiram com o boom das corridas em Portugal.

    No teu relato, é possivel ver ou equiparar o trajeto do Clube vida de outros Clubes e Grupos amadores. Parabéns também por isso.

    O Professor Mario Machado e outros que se bateram pela revolução da corrida popular e de lazer em Portugal, opondo-se ao elitismo do atletismo de pista tradicional e ajudou a democratizar a prática desportiva para todos, incluindo mulheres, veteranos , também se deve sentir orgulhoso por saber que se não fosse o seu trabalho , provavlemente não estariamos aqui a comentar este trabalho sobre os aspetos de um Clube de corridas amador.

    Da minha parte agradeço (Obrigado) este relato e as partes que acabas por me mencionar. Sou um daqueles membros muito orgulhoso do nosso Clube que até #AdoroRun4Fun

    RunAbraços!

    Rui Faria

    ResponderEliminar

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