domingo, 30 de outubro de 2011

1º Grande Trail Serra D'Arga

LA Sportiva Marathon Running 42km 5000m D Ac

No sábado dia 22 de Outubro, duas semanas após ter completado o K42 na Serra da Lousã, dirigi-me para Caminha, a fim de tomar parte dum fim-de-semana composto pelas Jornadas Técnicas do Trail no sábado à tarde e pela Maratona LA Sportiva, no domingo de manhã, eventos organizados pelo Carlos Sá, um dos nossos melhores trailistas da actualidade (8º na Marathon des Sables e 5º no UTMB).


Com o Carlos Sá e o Paulo Jorge Rodrigues

A fim de partilharmos companhia e despesas, fui para cima junto com o Renato Velez, o Gonçalo Cardoso e o Paulo Santos, que se revelaram uma excelente companhia, divertidos e animados durante todo o caminho. 
Chegámos mesmo no início das jornadas, e assim tivemos a oportunidade de ouvir o relato do Jorge Serrazina acerca da sua epopeica participação nos 333 kms do Tor des Geants, seguida da inspiradora crónica do Carlos Sá versando a sua participação na Marathon des Sables em 2011. Depois tivemos ainda a oportunidade de ouvir uma excelente apresentação do Paulo Pires, treinador do Carlos, que nos ensinou uma série de conceitos do treino de atletismo, seguida de uma apresentação igualmente interessante, sobre medicina desportiva, pela Drª Maria Cunha. 
Por fim fomos servido com a muito aguardada pièce de résistance, sob a forma de um dinâmico diálogo que o João Garcia, emérito Alpinista e conquistador dos 10 picos mais altos do mundo, manteve com a assistência, demonstrando uma superior inteligência e grande perícia no contacto com o público.
Durante as jornadas tive o enorme prazer de reencontrar muitos dos companheiros habituais destas andanças.

Após as jornadas fomos jantar um esparguete à bolonhesa, como manda a praxe. No restaurante, ao vermos passar suculentas e abundantes refeições de peixe e carne, ainda fumegantes e cheirosas, enquanto olhávamos acabrunhados para o desenxabido esparguete que nos tinha caído no prato, sentimo-nos algo... como dizer... tótós! 
A malta do norte lá no restaurante devia estar toda a pensar: "olha só para estes morcões, nem para comer servem..." 
Para dormir tivemos a boa sorte de beneficiar da excelente hospitalidade do Paulo Ramos, que nos arranjou espaço na sua casa.

No dia seguinte acordámos bem cedo para estarmos presentes em Dem antes das 7h30 a fim de fazermos o controle inicial. Foi-se juntando gente no recinto da partida, todos agasalhados com corta-ventos ou impermeáveis, que a meteorologia não se anunciava nada favorável.

Paulo Jorge Rodrigues, Gonçalo Cardoso e Luís Ferreira, na zona de partida


À oitava badalada da torre da Igreja é dada a partida e lá arrancamos nós para mais uma aventura pelos trilhos da montanha, desta feita na Serra D'Arga. Logo à saída de Dem apanhámos a primeira parede, de cerca de 3 km, muito inclinada e exigente. Eu sigo o Gonçalo, numa fila interminável de atletas que sobem a passo, serpenteando pela serra acima. A subida foi árdua e feita debaixo de uma chuva miudinha e vento que se começava a anunciar as rajadas de 120 kms que a previsão da véspera tinha prometido.
Chegados ao topo, corremos um pouco em terreno aberto e iniciámos a primeira descida pelos estradões romanos, a abrir por ali abaixo. Mantivemos um ritmo intenso, o Gonçalo e eu, enquanto ultrapassávamos alguns atletas. Passámos alguns abastecimentos, bem providos, e a cerca de um quarto da prova passámos pelo Mosteiro S. João de Arga, situado num local belíssimo. Por esta altura já o Gonçalo me tinha deixado para trás. Depois embrenhámo-nos pela floresta e lá fomos seguindo as fitas sinalizadoras. O tempo ia oscilando, entre frio, chuva intensa e vento forte em lugares mais abertos, ou maior calor e menos chuva noutros locais. Tão depressa vestia o corta-vento como de seguida o despia.
Após o rio (com pedras escorregadias e perigosas, mas apenas numa curta extensão), subimos e apanhámos um troço de estrada antes de S. Lourenço, onde se encontrava a meta da Meia Maratona. Foi aí que me cruzei com alguns atletas que vinham em sentido inverso, o que me deixou bastante baralhado, até que por fim percebi que a Maratona tinha sido interrompida no Km 20 devido às adversas condições meteorológicas. Ainda fiz um último quilómetro em sprint  e cheguei assim a uma meta inesperada. Apesar da desilusão por não poder completar a prova principal, reconheço que foi uma decisão acertada por parte da organização, pois continuar naquelas condições de má visibilidade e piso escorregadio poderia vir a tornar-se bastante perigoso.
Para gastar as energias que tínhamos em reserva para os 22 km finais, resolvemos voltar a Dem pela estrada, o que levou cerca de 11 kms até que por fim chegámos ao pavilhão do almoço, completamente encharcados e a tiritar de frio. Aí beneficiámos de um revigorante almoço que nos aqueceu o corpo e o espírito.
Não pudemos ficar para a cerimónia de entrega de prémios e por isso voltámos logo para Leiria, Lisboa e Setúbal. A viagem de volta foi igualmente divertida e parámos em Esposende para repor calorias comendo uns pasteis bem apetitosos. 
Em jeito de conclusão, gostaria de afirmar que gostei muito da experiência e que o Carlos Sá está de parabéns por ter montado uma organização impecável. Para o ano conto voltar para desta vez completar a prova de 42 Km.


Na meta dos 20 km, em S. Lourenço, com a Manuela Machado

9º Challenge Openwater ANE

No domingo dia 18 de Setembro realizou-se na barragem de Castelo de Bode, junto à Aldeia do Mato, a 9ª edição do Challenge ANE. 
Trata-se de uma competição incluída no XX Circuito Vale do Tejo de Águas Abertas e organizada pela Associação de Nadadores dos Estoris, da qual já fui sócio nos longínquos idos de 2002/2003. Daí também a minha preferência por esta prova em particular, por conhecer o profissionalismo da organização.
O programa era composto por provas de 10 km, 5 km, 1.5 km para Federados e uma prova de 1.5 km de divulgação. Foi nesta última que me inscrevi, na expectativa de passar um domingo diferente do habitual e matar saudades da natação em águas abertas.
Domingo levantei-me bem cedinho e lá me dirigi, juntamente com a família, para a Aldeia do Mato, a 140 km de casa. O dia estava ensolarado, se bem que muito ventoso.
Feito o check-in na organização e tendo recebido o numero 171 marcado a caneta nos ombros, mãos e costas (aqui não há dorsal e é proibida a utilização de fato isotérmico), dirigi-me para a zona do briefing. Pouco depois tinha início a prova de 1.5 km para federados e 5 minutos depois teria início a prova de divulgação. A água estava a uma temperatura agradável de cerca de 24ºC, boa para nadar. O vento causava alguma ondulação mas pouco significativa.
Foi dada a partida e lá começámos, 76 participantes, tentando dirigirmo-nos para a bóia amarela que, com dificuldade, vislumbrávamos lá ao longe. Uma das dificuldades técnicas da natação de águas abertas é precisamente a orientação, uma vez que temos os olhos ao nível da água e torna-se difícil avaliar se estamos a fazer um percurso em linha recta ou se, pelo contrário, percorremos distâncias maiores do que seria necessário. Muitas vezes seguimos apenas os que vão à nossa frente sem a certeza que eles mesmos estejam no caminho certo (os barcos de apoio fornecem pontos de referência adicionais, sobretudo para os primeiros). O percurso dos 1.5 km estava balizado com 3 bóias amarelas que delimitavam um trajecto triangular.
Os primeiros 100 a 200 metros são algo caóticos com nadadores a atropelarem-se enquanto tentam progredir na água. A partir daí, fui a controlar o meu andamento, pois sabia que a minha fraca preparação para uma prova destas (nado apenas uma ou duas vezes por semana, com treinos de 2000 m), para além da minha deficiente técnica de natação, não me permitiria forçar muito ou corria o risco de rebentar a meio.
Esta economia de esforço permitiu-me chegar bem ao fim e cruzar a meta ao mesmo ritmo do início, em 25’10’’, no 48º lugar, 3º do escalão (só éramos 6). O vencedor cortou a meta em 17’04’’.
Gostei muito de fazer esta prova, em que a organização correspondeu plenamente às minhas expectativas, e no próximo ano tenciono participar em mais.
Nas provas dos 5 km e dos 10 km estiveram presentes os campeões do costume, tendo a prova de 10 km (distância olímpica) sido ganha pelo Arseniy Lavrentyev (que foi 22º nos Jogos Olímpicos de Pequim) em 1h47:56.
Depois da prova almoçamos num bonito restaurante com vista para a barragem, o “Sabor da Pedra” em Alverangel. Apreciámos um bacalhau assado e umas belas espetadas de carne maronesa, que estavam uma delícia. Por fim foi hora de voltar para casa, depois de um dia bem passado.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

4º AXTrail series 2011 - K42

Circuito de trail running nas Aldeias do Xisto

 
#04 Serie - K42 Portugal (08/10/2011)

No sábado dia 8 de Outubro realizou-se mais uma jornada da 4ª edição do AXtrail series. Trata-se de um circuito de trail running, composto por 4 etapas, que se desenrolam nos cenários idílicos das Aldeias do Xisto, na Beira Litoral. Já tinha participado na 1ª série, que teve lugar em Ferraria de S. João, e como gostei da experiência resolvi participar também na 4ª etapa, na Serra da Lousã, na mítica distância de 42 km.

Uma das mais valias do trail running é que nos proporciona o usufruto de uma experiência integrada na dupla vertente desportiva e turística. Assim, reservei com antecedência uma estadia de fim-de-semana, para toda a família, numa casa de xisto da bem preservada aldeia do Talasnal, a apenas alguns quilómetros da Lousã.

Como chegámos na 6ª feira à noite, após uma viagem de 235 km, já não tivemos a oportunidade de assistir ao briefing. Portanto, no sábado de manhã acordámos cedo e dirigimo-nos para o ponto de partida da prova. Após o controle dos dorsais e das últimas indicações dadas pela organização, partimos animados pela alegria pura de correr e pela antecipação das paisagens que nos esperavam.

Parte do grupo arrancou com tanto vigor que mais parecia que se preparavam para correr uma prova de 10 km em lugar de um K42. Raciocinei que isso provavelmente se devia ao facto de as partidas do K42 e do K21 se terem dado em simultâneo e portanto não me deixei intimidar e decidi fazer antes a corrida ao meu ritmo. 

Durante boa parte da prova beneficiei da agradável companhia do Luís Ricardo e do Emanuel Oliveira, o que muito me ajudou nas etapas iniciais. Até ao 1º abastecimento em Candal o percurso foi relativamente simples, sem grandes penas. A partir daí é que teve início a grande escalada, que nos levou até ao ponto mais alto da serra, a 1204 m de altitude. Nesta subida começou-se a sentir o acentuado desnível anunciado pela organização, que totalizaria 3500 m positivos. Fui seguindo o Emanuel o melhor que podia e conseguia. 

Chegados ao topo, tivemos que iniciar a primeira descida. Se as subidas eram arrasadoras, as descidas não o eram menos, por nos levarem por trilhos extremamente técnicos e difíceis. O calor fora de época que se fez sentir contribuiu também para aumentar o grau de dificuldade de uma prova já de si exigente. Felizmente, os abastecimentos estavam bem providos e fartei-me de beber coca-cola para suprir as reservas de hidratos de carbono e cafeína. O percurso estava bem assinalado e a organização foi impecável.

No fim, a minha estratégia de me poupar durante a primeira metade da prova revelou-se acertada pois fiz a segunda metade ainda munido com reservas de energia e fui paulatinamente ultrapassando vários companheiros de trail, o que me permitiu acabar muito acima das minhas melhores expectativas, num inesperado 14º lugar da geral e 3º do meu escalão (Veteranos 1). Ao fim de 6h26m cruzei a meta, sendo recebido calorosamente pelo Grão-Mestre Moutinho. O vencedor, em 4h35m, foi o espanhol Tòfol Castañer, da Salomon Team e campeão do mundo de Skyrunning.

Pela primeira vez tive a grande alegria de subir a um pódio, logo na companhia de dois atletas muito melhores do que eu, o Pedro Marques e o Francisco Gaio. A maior satisfação retira-se da participação nestes eventos na natureza, na companhia de pessoas que estimamos e admiramos, mas não seria honesto negar que a subida ao pódio, mesmo no lugar mais baixo, tem um gostinho especial.

A família também se divertiu na caminhada que os levou da Lousã até ao Talasnal. Na meta, lá estavam à minha espera, uma fonte constante de ânimo e alegria. Uma vantagem deste trail ter tido lugar num sábado é que depois ainda nos sobrou o resto do dia e o dia seguinte para explorarmos as redondezas, o que aproveitámos para conhecer a serra, com muito gosto e prazer.