Veteranos e longevidade: o trail como desporto de segunda metade da vida

Um pelotão estruturalmente veterano, uma cauda septuagenária que há dez anos não existia, e o corpo que a ciência med

Veteranos e longevidade no trail português: um em cada quatro classificados com escalão tem 50+ anos, a cauda dos 60 e 70 anos cresce, e a modalidade revela-se um desporto de segunda metade da vida — medido num arquivo de 570 mil classificações, sem romantizar.

Série · História do Trail Running em Portugal · Dossiê 26

Veteranos e longevidade: o trail como desporto de segunda metade da vida

Um em cada quatro classificados com escalão tem 50 anos ou mais; os 70 anos, inexistentes há uma década, são hoje dezenas de finishers por ano. A longevidade no trail português — medida, e sem celebração fácil.

📊 Arquivo de 570 mil classificações 📅 2002–2026 📚 Dossiê 26 · Veteranos ✍️ Luís Matos Ferreira
Estado editorial. Rascunho documentado (6/7/2026) — a tese e o retrato quantitativo assentam num arquivo de mais de 570 mil classificações portuguesas e na literatura académica que já mediu o corpo do trail runner português; ficam por obter os testemunhos directos e a identificação nominal dos atletas de carreira mais longa. Proximidade: os dados de classificações vêm de um arquivo do próprio autor — auto-citação assinalada, como no Dossiê 44.
dos classificados
com escalão têm 50+
6,1%
quota do escalão
60+ em 2025
0→37
finishers 70+/ano
(pré-2015 → 2025)
~28
perfis c/ 15+ anos
de arco (por nomear)
7/10
trail runners com
historial de lesão
Série · História do Trail Running em Portugal Este post integra a série que expande o artigo-base «Trail Running em Portugal: Uma História de Montanha, Resistência e Comunidade». Lê-se em diálogo directo com o Dossiê 44 — o pelotão (de onde vêm os dados), o Dossiê 39 — investigação académica (o corpo medido) e o Dossiê 34 — classes sociais (o viés que corrige a celebração).

A história do trail conta-se pelo pódio e pelo pico de carreira. Mas a verdade demográfica da modalidade é outra: um pelotão estruturalmente veterano, uma cauda de 60 e 70 anos que há dez anos não existia, e gente que corre montanha há duas décadas ou que só a descobriu depois dos 40. Os veteranos não são a margem desta história — são, em número, o seu centro. Este dossiê mede-o com dados e recusa-se a romantizá-lo.

Declaração de interesses e proximidade

Quem escreve é praticante desde 2010, finisher de nove provas de 100 milhas, e — no momento em que este dossiê se escreve — ele próprio um atleta de escalão veterano. Os dados de classificações usados na secção 2 vêm de um arquivo de resultados construído pelo próprio autor para a série (o mesmo do Dossiê 44); são citados com a reserva da auto-citação. A memória pessoal entra identificada como tal e não substitui fonte documental. Onde falta fonte primária — sobretudo nos testemunhos e na identificação nominal dos veteranos de carreira mais longa —, o texto declara a lacuna em vez de a preencher com suposição.

1) Quem é «veterano» no trail português

A palavra tem, aqui, dois sentidos que se cruzam mas não coincidem. O primeiro é administrativo: o escalão etário. Nas classificações portuguesas, o corredor passa a «veterano» — «V40», «M40», «Master 40» — ao completar 40 anos, com escalões de cinco em cinco anos (V45, V50, V55, V60…). É uma fronteira de organização de prova, não uma verdade fisiológica: aos 40 anos ninguém é velho, e muitos atingem aí o auge da resistência. Mas é a fronteira que os dados registam, e por isso é a que este dossiê usa quando conta números.

O segundo é biográfico: o atleta com muitos anos de prática às costas — veterano no sentido de veterano de guerra. E aqui a história do trail impõe uma cautela cronológica (as três genealogias da série: corridas de montanha federadas, provas com DNA de trail, trail moderno). O trail moderno em Portugal tem pouco mais de vinte anos. Quem, em 2026, soma duas décadas de prova, começou por volta de 2006 — quando a modalidade, na forma actual, estava a nascer. E quem soma mais não veio do trail: veio das corridas de montanha da FPME/FCMP (1995–2005), do atletismo de estrada, das corridas de aventura — e atravessou para o trail quando este surgiu. Os veteranos mais antigos são, quase por definição, conversos de uma prática anterior. É uma das razões por que são arquivo vivo: transportam a memória do que existia antes. Este dossiê trata sobretudo da longevidade, mas mede-a pelo escalão — o único que os arquivos permitem contar.

«Que grandes velhos»

Num briefing da Estrela Grande Trail, em Manteigas, o autor — que começou no trail em 2010, aos 42 anos — estava com um companheiro destas andanças, o Paulo Costa, ambos da mesma geração e já os dois passados dos 50. A certa altura, um atleta de elite convidado, um jovem de vinte e poucos anos, disse com genuíno entusiasmo que gostava do trail porque nele se encontra gente mais velha — «até com quarenta e tais anos!». O autor e o Paulo entreolharam-se e murmuraram, entre o divertido e o resignado: «he!… que grandes velhos.» A cena vale mais do que qualquer tabela deste dossiê: para o rapaz da frente, os 40 já eram idade avançada; para quem enche o pelotão, os 40 são muitas vezes o ponto de partida — como foi, precisamente, para quem isto escreve. [Memória do autor — sem fonte documental; data por fixar.]

2) O que o arquivo mostra: um pelotão veterano, que envelhece bem

Para lá da impressão de quem frequenta as provas — «isto está cheio de gente da minha idade» —, há agora substrato quantitativo. Um arquivo de mais de 570 mil classificações de trail português (2002–2026, ~2 300 provas-edição) permite medir o peso etário do pelotão e a sua evolução. [R1]

O aviso que condiciona os números — e que é, ele próprio, um achado. O arquivo só contém quem terminou (sem desistências nem barreiras horárias), inclina-se para os anos recentes, e depende de rótulos de escalão heterogéneos: muitas provas registam os seniores num genérico «M»/«F» sem idade, ao passo que os escalões veteranos quase sempre trazem o número. Logo, as quotas absolutas de veteranos estão sobreavaliadas — não se comparam limpamente seniores e veteranos quando metade dos seniores não tem etiqueta etária. Por isso não se afirma «X % do pelotão é veterano» como valor fechado: leem-se tendências e a cauda extrema, robustas ao problema.

Um quarto dos classificados com escalão tem 50 anos ou mais — e não se move. Entre os finishers cujo escalão é legível, os de 50+ representam, ano após ano, cerca de um quarto — 24,7 % em 2014, 25,7 % em 2025, sempre na banda dos 20–26 %. Não é um pico conjuntural: é a estrutura estável do pelotão há mais de uma década. [R1]

A cauda dos 60 anos cresce — e não é só efeito do crescimento da modalidade. Olhando a quota e não o número absoluto, a fatia de classificados no escalão 60+ entre os que têm escalão legível duplicou em termos relativos: rondava os 3 % em meados da década de 2010 e chega a 6,1 % em 2025. Não é só que há mais gente a correr; é que a proporção de sexagenários aumentou. [R1]

Os 70 anos deixaram de ser inexistentes. O sinal mais eloquente está no extremo. Até meados da década de 2010, um finisher no escalão 70+ era uma raridade estatística — praticamente zero por ano. Em 2024 eram 22; em 2025, 37. No total do arquivo, há cerca de 80 nomes distintos que alguma vez apareceram num escalão de 70 ou mais anos, e mais de 4 500 nomes num escalão de 60-69. A montanha, que se imagina desporto de jovens, tem hoje uma cauda septuagenária que há dez anos não existia. [R1]

Escalão (entre classificados com idade legível)~2014~20192025Leitura
50+~25 %~24 %~26 %estável há mais de uma década
60+~4 %~3,8 %6,1 %quota a subir (não só número)
70+ (finishers/ano)~0~437cauda nova, a emergir

Fonte: arquivo de resultados do autor [R1]. Valores lidos entre os classificados cujo escalão é interpretável; as quotas absolutas de veteranos estão sobreavaliadas pelo viés de rotulagem descrito acima — usar como tendência, não como censo.

Quota dos escalões 50+ e 60+ entre classificados com escalão legível, 2014–2025: o 50+ oscila estável na banda dos 20–26 %, o 60+ sobe de ~4 % para 6,1 %.
O 50+ estável há mais de uma década; o 60+ a duplicar em quota. Fonte: arquivo do autor [R1] (só finishers; ler tendência, não censo).
Finishers no escalão 70+ por ano, 2014–2025: praticamente inexistentes até meados da década, chegam a 22 em 2024 e 37 em 2025.
A cauda septuagenária, que há dez anos não existia. Fonte: arquivo do autor [R1].

O arco de carreira — e a lacuna que ele expõe

A pergunta mais óbvia — quem são os atletas com mais anos de trail nas pernas? — é, paradoxalmente, aquela em que os dados menos ajudam. É possível medir, para cada nome, o arco de carreira: o intervalo entre a primeira e a última classificação. O arquivo tem cerca de 890 nomes com arco de dez anos ou mais, 90 com quinze ou mais e 9 com vinte anos (o máximo possível numa modalidade que mal tem vinte anos de cobertura). Filtrando para perfis robustos — arco de 15+ anos, registos em pelo menos dez anos distintos e 20+ chegadas —, sobram cerca de 28 atletas: o núcleo duro dos veteranos de longa duração. [R1]

Porque não os nomeamos. Estes nomes não podem ser publicados como indivíduos a partir do arquivo, e a razão é metodológica: os nomes portugueses mais comuns — «José Silva», «Paulo Sousa», «João Martins» — colidem. Um arco de vinte anos atribuído a «José Reis» é, quase de certeza, a soma de vários José Reis diferentes, não a carreira de uma pessoa. Sem cruzar cada nome com data de nascimento, clube e fotografia — desambiguação que o arquivo ainda não tem —, a atribuição individual seria falsa precisão. A distribuição agregada é sólida; a identidade por trás de cada arco, não. Fica como a lacuna prioritária deste dossiê (secção 7). É a aplicação directa do princípio da série: preferir um buraco visível a uma afirmação não suportada.

3) O corpo ao longo das décadas: o que a ciência mede

Onde a memória e o arquivo não chegam, chega — em parte — a investigação académica. Ao contrário da história da modalidade, o corpo do trail runner português está razoavelmente bem medido: é o único ângulo do trail nacional com um corpo real de literatura com revisão por pares, concentrado nas ciências do desporto (ver Dossiê 39). E o retrato que devolve é, ele próprio, o de um praticante veterano.

O atleta medido é quarentão. As amostras convergem: idade média nos 38–42 anos, maioritariamente homens (73–80 %), urbanos, instruídos, de classe média. O estudo de Gameiro e colegas (2023), com 307 trail runners portugueses, cobre dos 20 aos 66 anos, média ~42. [R3] Não é uma modalidade de jovens que envelhece: pratica-se já madura. O corpo que a ciência dissecou é «masculino, quarentão, com décadas de quilómetros acumulados». [R2]

A longevidade tem um preço, e chama-se lesão. O retrato científico mais completo — a tese de doutoramento de Joana Rosado, «The Portuguese Trail Runner» (FADEUP, 2020) — encontrou 72,7 % dos atletas com historial de lesões musculoesqueléticas, concentradas em tornozelos, pés e joelhos, com o IMC, o volume de treino e o treino em montanha como determinantes. [R2] Cerca de sete em cada dez lesionam-se, sobretudo do joelho para baixo. A imagem do veterano sereno que corre décadas sem custo é falsa: quem dura, dura gerindo um corpo que se magoa — e essa gestão é precisamente o saber que a experiência acumula.

Há já um olhar clínico específico sobre o veterano. Entre a produção identificada pela série há um trabalho da Universidade de Lisboa sobre o perfil clínico e os hábitos desportivos de atletas veteranos de longas distâncias — sinal de que a própria medicina do desporto começa a tratar o trail runner envelhecido como objecto próprio. [R5] É pouco, e está por aprofundar; mas confirma que a longevidade no trail é já um fenómeno com massa suficiente para ter literatura.

Cautela de fronteira. Esta secção apoia-se em literatura que usa o trail português como amostra — mede o corpo, não conta a história. Nenhum destes trabalhos é historiografia ou sociologia da longevidade; a leitura biográfica e cultural deste dossiê não deriva deles, apenas se apoia nos seus dados fisiológicos.

4) A evolução da motivação: da competição à viagem

Se o corpo se mede, a motivação é terreno onde é fácil escorregar para a generalização — e este dossiê prefere separar o que sabe do que supõe. Do que os dados sustentam, fica o perfil: um pelotão largamente veterano e maioritariamente masculino (cerca de 9 % de mulheres nos registos com género — a raiz do problema do Dossiê 07) desenha, só por si, hipóteses: a corrida como projecto de saúde e de segunda metade da vida; a montanha como fim e não como pista; o clube e o grupo como pertença. A sobreposição entre o pelotão do Dossiê 44 e os veteranos deste é forte de mais para ser acaso: são, em larga medida, as mesmas pessoas.

A hipótese — assinalada como tal — é a de um deslocamento do eixo motivacional com a idade: da competição para a participação, da chegada para a viagem, do tempo para a experiência. É o que a literatura de motivação intuiu (a motivação autodeterminada; a robustez mental associada à resiliência e ao desempenho [R3][R6]) e o que a crónica de prova em primeira pessoa repete — «o importante era acabar». Mas confirmá-lo exigiria estudo longitudinal, que não existe para o caso português, ou testemunhos ainda não recolhidos. Fica como pista, não como conclusão.

5) Arquétipos documentados — e o que falta documentar

A série já tocou em figuras que encarnam a longevidade — e é a esses que este dossiê remete, porque são casos com fonte, ao contrário dos nomes anónimos do arquivo.

Os fundadores que ainda correm. A memória fundadora da Serra da Freita e da Confraria Trotamontes (Dossiês 03 e 04) é feita de gente que começou a organizar e a correr montanha há mais de duas décadas e que, em muitos casos, continua no terreno — não já na frente, mas presente. São o arquétipo do veterano-arquivo: quem viveu a transição das corridas de montanha para o trail moderno e a pode contar na primeira pessoa.

O converso tardio. No extremo oposto está quem começou tarde — o «ex-sedentário» que descobre o trail já na casa dos 40. O Dossiê 44b documenta o caso emblemático: José Guimarães, cujo blogue se chama, em si, uma tese — Ex-Sedentário —, e que correu o primeiro ultra trail já adulto. Encarna a outra face da longevidade: nunca é tarde para começar, e o desporto de segunda metade da vida capta tanto quem envelheceu a correr como quem só começou depois dos 40.

O elite que dura. E há o caso, mais raro, do atleta de topo que se mantém competitivo no escalão master — Carlos Sá (Dossiê 01) é o exemplo mais visível de uma carreira longa que atravessou a elite e chegou aos escalões veteranos ainda a pontuar. É a excepção que confirma a regra: a maioria dos veteranos não são ex-elites que resistem, são pelotão que persiste.

O que falta — e só testemunhos directos podem dar — é a voz destes veteranos: como geriram o corpo ao longo dos anos, o que os manteve activos quando os amigos pararam, o que sabem hoje que não sabiam aos 30, e como mudou, para eles, o significado de correr. É o coração humano deste dossiê, e está, honestamente, por recolher.

6) O trail como prática de vida — sem romantizar

A tese sustenta-se: os dados mostram um pelotão estruturalmente veterano, uma cauda de 60 e 70 anos que cresce, e uma modalidade que se pratica maduro e se atravessa por décadas. Nesse sentido restrito e documentado, o trail é uma prática sustentável ao longo da vida — mais do que os desportos de explosão, feitos para corpos jovens. Mas o brief pede que não se romantize o envelhecimento activo sem base, e há três correcções à tentação celebratória:

Três correcções à celebração fácil
  • A longevidade tem custos. Sete em cada dez lesionam-se (secção 3). Durar não é correr imune; é correr a gerir dano. E o arquivo não guarda os que pararam — por lesão, desgaste ou vida — nem os que partem e não acabam. A cauda de septuagenários é a ponta visível de uma pirâmide cuja base de desistências não medimos.
  • A longevidade é socialmente enviesada. O veterano do trail é, como todo o praticante, urbano, instruído, de classe média [R7]; o Dossiê 34 trata-o. Envelhecer a correr montanha exige tempo, dinheiro e capital de saúde que não estão igualmente distribuídos. A «prática de vida» é-o para quem tem vida que o permita.
  • A longevidade é masculina, nos dados. O pelotão veterano é esmagadoramente masculino, e a longevidade feminina está ainda menos documentada — cruza com a barreira das mulheres na modalidade (Dossiê 07) e merece tratamento próprio.

Feitas as correcções, fica o essencial, que é muito: numa modalidade que a comunicação conta pelo pódio, a verdade demográfica é que ela é sustentada por gente madura, que corre há muito ou começou tarde, e para quem terminar — não vencer — é o resultado. Os veteranos não são a margem da história do trail português. São, em número, o seu centro.

7) Lacunas declaradas

Lacunas prioritárias
  • Identificação nominal dos veteranos de carreira mais longa. O arquivo mostra ~28 perfis robustos com 15+ anos de arco, mas a colisão de homónimos impede nomeá-los (secção 2). É a lacuna central. Caminho: desambiguar os candidatos cruzando o arquivo com data de nascimento, clube e fotografia (joaolima.net, fichas ITRA/UTMB, resultados federados), atleta a atleta.
  • Os testemunhos. A voz dos veteranos sobre gestão do corpo, motivação e significado está por recolher (secção 5). Prioridade: atletas com 15+ anos de trail activo, e médicos/fisioterapeutas com experiência em veteranos de trail.
  • A longevidade feminina. Sub-documentada; cruzar com o Dossiê 07.
  • Os que pararam. O arquivo só tem quem continuou (e terminou). A história de quem deixou o trail — por lesão, desgaste ou vida — é o negativo desta fotografia e está por fazer.
  • Estudo longitudinal da motivação. A hipótese do deslocamento competição→viagem (secção 4) não tem, para o caso português, dados que a confirmem ou neguem.
Gostava muito de ouvir a tua opinião. Corres trail há quinze, vinte ou mais anos — ou começaste depois dos 50 e não paraste? A tua memória e os teus documentos (fichas de resultados antigas, fotografias datadas, relatos da época) são exactamente o que falta aqui. Interessa tanto quem atravessou as corridas de montanha federadas para o trail moderno como quem descobriu a montanha tarde; tanto o finisher regular como quem teve de parar e voltou. E interessa, muito, contraprova à leitura dos dados: se conheces um atleta com carreira documentada mais longa do que os arcos que o arquivo mede, ou dados que desmintam a estabilidade do escalão 50+, a arqueologia está aberta. Os comentários abaixo são o sítio certo.
Referências e remissões
[R1] Arquivo de resultados de trail português do autor (trail-results-archive), tabela curated_results — >570 mil classificações, ~2 300 provas-edição, 2002–2026; só estado FINISHED. Leituras deste dossiê: quota 50+ estável ~20–26 % (24,7 % em 2014, 25,7 % em 2025); quota 60+ ~3 %→6,1 % (2017–2025); finishers 70+/ano ~0 (pré-2015)→37 (2025); ~80 nomes distintos alguma vez em escalão 70+, ~4 500 em 60-69; ~890 nomes c/ arco ≥10 anos, ~90 c/ ≥15, ~28 perfis robustos (arco ≥15, ≥10 anos com registo, ≥20 chegadas). Auto-citação — mesmo arquivo do Dossiê 44. Ressalvas: só finishers (sem DNF/DNS), viés para anos recentes, rótulos de escalão heterogéneos (quotas absolutas de veteranos sobreavaliadas — ler tendências e cauda).
[R2] Joana Rosado — «The Portuguese Trail Runner. Musculoskeletal Injuries. Morphologic, Physiologic and Neuromuscular Profile» (tese de doutoramento, FADEUP — Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, 2020). 72,7 % com lesões musculoesqueléticas (tornozelos/pés/joelhos); IMC, volume de treino e treino em montanha como determinantes; retrato do atleta masculino, quarentão. cf. Dossiê 39.
[R3] Gameiro et al. — estudo com 307 trail runners portugueses (20–66 anos; idade média ~42), Perceptual and Motor Skills (2023): robustez mental associada à resiliência e ao desempenho (~21 % da variância). cf. Dossiê 39.
[R5] Dissertação da Universidade de Lisboa sobre perfil clínico e hábitos desportivos de atletas veteranos de longas distâncias (identificada no levantamento do Dossiê 39). Referência a confirmar/obter na íntegra.
[R6] Coelho, Amaro, Matos, Dias e Morouço — «A motivação autodeterminada para a prática do trail running» (Sport Motivation Scale, 103 participantes de prova nacional, 2015). cf. Dossiê 39.
[R7] Santiago (2016), ESHTE — trail como produto turístico e perfil sociológico dos praticantes: urbanos, de classe média, habilitações acima da média. cf. Dossiês 34, 36 e 39.
Remissões internas da série: Dossiês 01 (Carlos Sá — carreira longa de elite), 03/04 (Freita/Trotamontes — fundadores veteranos), 07 (mulheres), 34 (classes sociais), 36 (turismo desportivo), 38 (memória vivida), 39 (investigação académica — o corpo medido), 44 (pelotão — o pelotão veterano em números), 44b (histórias do meio da tabela — o converso tardio).
Método: dados agregados de um arquivo de classificações do próprio autor (auto-citação, ressalvas declaradas); literatura académica cruzada a partir do levantamento do Dossiê 39; identificação nominal de veteranos e testemunhos declaradamente por recolher. Nota de pesquisa em arquivo/notas-de-pesquisa/pesquisa-veteranos-longevidade-2026-07.md.
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