The Joy of Running

Summary Em 13 anos já completei um pouco mais de uma volta à Terra (medido no Equador). E já subi e desci do nível do mar até ao topo do Everest 113 vezes.
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A montanha estará sempre lá. Eu sinto-a. Ela sente-me.



The tallest peak in the world Everest rises above 8.848m overlooking widespread valleys and forest. It rests on the both sides of Nepal and Tibet. An electrifying but extreme race to the summit technically starts from Everest Base Camp.

Mount Everest is a magnet that draws every mountaineer. But climbing it is no roses especially when the distance from the base camp to Everest summit is 20,5 km. No routes are well-marked from the base camp, walking through glaciers and icefalls.

Everest Base Camp is either one of two base camps on either side of Mount Everest. South Base Camp is located in Nepal at an altitude of 5,364m and North Base Camp is at 5.5150 m in Tibet. These camps are primarily used by mountaineers to ascend and descend the World's highest mountain.

Everest summit: Everest: 8.848 m. Ascent from South Base Camp: 3.484 m

https://excitingnepal.com/distance-from-base-camp-to-everest-summit/

 

Mallory is famously quoted as having replied to the question, "Why did you want to climb Mount Everest?" with the retort, "Because it's there", which has been called "the most famous three words in mountaineering"

 

 

 

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

 de "Cemitério de Pianos" de José Luis Peixoto

 

 

“Afoot and light-hearted I take to the open road, 
Healthy, free, the world before me, 
The long brown path before me leading wherever I choose. 
Henceforth I ask not good-fortune, I myself am good-fortune, 
Henceforth I whimper no more, postpone no more, need nothing, 
Done with indoor complaints, libraries, querulous criticisms, 
Strong and content I travel the open road.”


 - Walt Whitman

 

 


 


 

I would love to walk this path:

 

 

Or event better, this one:



 

 13 anos de corrida se completam agora.

 

Em 13 anos já completei o equivalente a um pouco mais de uma volta à Terra (medido no Equador). E já subi e desci do nível do mar até ao topo do Everest 113 vezes.

 

Circunferência da Terra medida no equador: 40.075 km

Ponto mais alto da Terra - Everest: 8.848 m


Minhas estatísticas:

 

 A minha média de subida (desnível posítivo) por cada Km linear é de 4,4%.




Desdobrado por ano:




Tenho feito treinos maiores do que muitas provas:


https://www.strava.com/activities/8174416515



 

https://www.strava.com/activities/4943239109


Muitas vezes me perguntam como consigo estar tanto tempo a treinar sozinho, ou como é que não tenho medo de passar a noite na Serra a solo.

A minha resposta é de que não estou sozinho. A Montanha faz-me sentir de forma muito especial. Pode parecer uma cena New Age, mas a verdade é que se pode resumir na seguinte frase: "Sinto-me uno com o Universo". Sim, é algo místico. Eu não sou religioso, mas sou místico de forma semelhante a muitos dos cientistas que me influenciaram no meu percurso académico.

Albert Einstein dizia que "Deus não joga aos dados", ao repudiar o carater estatístico da nova Física Quântica. Mas o que ele queria dizer é que o Universo não se pode portar dessa forma. Que terá que existir uma ordem mais profunda do que o mero cálculo de probabilidades.

Quando corro sinto o pulsar do universo. É como se fosse uma particula quântica num estado entrelaçado com todo o universo.

Ou seja, sinto-me uno, inteiro, indiviso.

Corro devido ao que o ato de correr me faz sentir, a um nível visceral, bioquímico, hormonal, bioelétrico. A nossa reação ao exterior é mediada pela forma como sentimos internamente esse exterior, e correr faz-me sentir vivo. 

Conforme já escrevi noutro post:



Porque corro?


Está tudo na imaginação. Nada disto é real. Fazer 170 km na montanha não acrescenta nada ao meu destino. Não altera a ordem das coisas. Não gero novos universos, não salvo a humanidade, não alcanço a imortalidade. Continuo imerso na Condição Humana. O Cosmos continua a ser um local improvável, sem justificação nem apelo. As partículas e os campos de força continuam a saltar do vácuo e interagir porque sim. As espécies digladiam-se porque está na sua natureza. Este planeta caminha para o oblívio. A minha, a nossa, existência não é mais do que um efémero piscar de olhos num espaço-tempo vazio.

Não há redenção, não há salvação.

No entanto uma aventura destas dá-me alento para pelo menos mais um ano. Para conseguir ultrapassar as dificuldades comezinhas do dia-a-dia. As pequenas irritações, o tédio dos gestos repetitivos. O inexorável caminho em direção à decadência torna-se mais suave. Os momentos mais ricos, coloridos e vívidos.

Enquanto cá estiver vou travando a luta inglória e os meus átomos, quando se dispersarem ao vento, eles ao menos hão-de saber que vivi. Terão a minha marca, depois de já terem tido a de Gilgamesh, Homero, Alexandre, Aníbal Barca, Júlio César, Erik o Vermelho, Rolando, Zheng He, Ibn Battuta, Magalhães, Vasco da Gama, Livingstone, Neil Armstrong.

Serei um pequeno risco à escala de Plank na fábrica do espaço-tempo.


O Tempo


As voltas na Serra ao fim de semana são o único espaço em que o Tempo deixa de existir. Não há a tirania do relógio:



A transcendência


A felicidade não tem valor evolutivo. O que procuramos é a transcendência. E o que procuramos transcender é a nossa finitude, a nossa fragilidade, o nosso medo profundo. Vivemos aterrados. Perdidos num universo que não compreendemos, no qual não encontramos lugar nem propósito para as nossas curtas existências. É o terror do vazio que nos empurra para a frente. Não avançamos à procura da felicidade. Fugimos do vácuo.
Enquanto primatas que somos, não experienciamos de forma absoluta o momento presente, mas vivemos antes imersos num contínuo que nos mergulha no passado e nos projeta no futuro. O lobo é muito mais um ser do presente, o qual vive de forma completa e inteira. Essa imersão no tempo leva-nos muitas vezes a esquecer o valor do processo e focamo-nos apenas no objetivo, que está sempre diferido. No próprio instante em que o cumprimos, esgota-se. 
O lobo vive o processo. E os processos mais vitais são os mais viscerais, aqueles que envolvem a maior dose de êxtase, ligada inextricavelmente com extremos de agonia e desconforto. Por exemplo, quando corremos e damos o nosso máximo, durante um período prolongado de esforço ininterrupto e esgotante, o que é que sentimos? Sobretudo desconforto, mas também uma enorme exaltação. E sentimos isso tudo em simultâneo. São duas faces da mesma moeda que não são separáveis, experienciadas em uníssono. O que é que fica depois de acabarmos? O principal não é com certeza a marca atingida, mas antes a memória indelével e física do processo de correr. A corrida permite-nos, mesmo que seja apenas por breves instantes, escapar à condição humana.

 

A corrida proporciona-me um "State of Flow" como mais nenhuma atividade:

State of Flow

 

 Adoro fazer trekking, a solo ou com companhia, conforme descrevi neste post:

Trekkin solo or with company

 


 

 

Adoro os Trail Camps:

Trail Camps


Ao longo de 13 anos de corrida, já fiz muitas provas fascinantes, como as que descrevo aqui:

Uma década de Trail Endurance XL

 

Mas o UTMB continua a ter uma mística muito especial:

UTMB - Ultra Trail Du Mont Blanc

 

Comecei a fazer Ultra Trail no já longínquo ano de 2010:

Ultra Trail Serra da Freita


Já fiz apresentações em diversos forums, como esta aqui:

Apresentação feita na AMBA


Já tive os meus 15 minutos de fama:

RTP Running - 15 minutos de fama


Já aprendi muito com a corrida, aprendizagens que transporto para todas as outras facetas da minha vida.

11 Lições que a Corrida me ensinou


Estive na fundação de uma associação:

ATRP

Estágio da Seleção Nacional de Trail

Manuel das Corridas

 

Fui dirigente de outra:

RUN 4 FUN

O meu 1º treino com o RUN 4 FUN

Convívio anual RUN 4 FUN

RUN 4 FUN nas competições Nacionais de Trail


Pertenço a um grupo restrito de atletas que já completou mais de 50 provas na distância da Maraton ou Ultra:

Portugueses com 50 maratonas ou mais

https://dorsal1967.blogspot.com/2019/08/portugueses-com-50-ou-mais-maratonas-e.html

 


Estou num ranking internacional:



ITRA 

ITRA Performance Index - tudo o que nunca quis saber



E Nacional:


 

ATRP


Gosto muito de fazer provas internacionais de Ultra Endurance XL:



Ehunmilak

Grand Raid des Pyrennes

Ultra Trail du Mont Blanc

Andorra Ultra Trail

 

Há uma prova que persigo desde 2016, mas que faz lembrar o horizonte que vislumbramos: afasta-se à media que me aproximo:

Tor Des Geants



Enfim, gosto de pensar que encaro a vida como uma grande aventura:

De Vela até aos Açores





Índice:

https://dorsal1967.blogspot.com/p/arquivo.html



Mantenho um Canal no Youtube:





Comecei em 2009 com este grupo fantástico, os RUN 4 FUN:




Houve uma fase mais competitiva em que recebia treino orientado (primeiro pelo Eduardo Santos de O Munda da Corrida e depois pelo Paulo Pires da APT) e treinava com método e afinco, o que ainda produziu alguns resultados modestos:




 




E em estrada os resultados também apareciam:





https://dorsal1967.blogspot.com/2012/02/xxviii-maraton-ciudad-de-sevilla.html





Sobretudo a companhia da família foi sempre fundamental. Até 2015 estiveram comigo em praticamente todas as provas Major que fiz e transmitiram-me uma energia e tranquilidade insubstituíveis:



Rui & Rita nos 10K do Swissalpine



"Reencontrei a minha linda família e eles descreveram-me a sua aventura no K10. Foi também para eles um belo momento de superação pessoal o cruzar da linha de chegada no estádio, algumas horas antes. A minha filha Rita adorou em particular todo o incentivo que recebeu do público. Sentiu-se uma heroína. Com 1h22m o Rui foi 7º no seu escalão e a Rita com 1h37m foi 13ª. A Helena acompanhou a Rita até quase à meta, quando esta última aproveitou uma distracção da mãe para arrancar num sprint furioso e assim terminar à sua frente."

https://dorsal1967.blogspot.com/2011/08/swissalpine-davos-k78.html


 
 


Desde cedo fui levado para a montanha pelo meu pai, que nasceu no Vilar, mesmo no sopé da Serra de Montejunto. Também aí conheci o gelo

https://nationalgeographic.pt/historia/grandes-reportagens/2833-real-fabrica-de-gelo-da-serra-de-montejunto

 

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. "

- Gabriel Garcia Marquez, in "Cem Anos de Solidão"





https://dorsal1967.blogspot.com/2019/08/brutus-vai-serra-de-montejunto-treino.html



Na verdade desde sempre corri qualquer coisa. Mas até 2009 sempre foi de forma esporádica:






De vez em quando atrevo-me a dar alguns conselhos:

100 milhas: que material levar

Pequenos conselhos práticos: solo duro

Apresentação feita na AMBA



Para além da minha atividade desportiva principal, que é a corrida Ultra Endurance em Trilhos, Também tenho feito algumas aventuras noutras modalidades paralelas:

Natação águas abertas

Triatlo - Half-Ironman de Lisboa

Arrábida Swimrun




Hoje em dia tudo isto para mim já não é treino. É mais um modo de vida. Cada vez me foco mais no prazer que tiro de estar em movimento no meio da natureza, em detrimento de prestações em prova. Talvez por estar a ficar velho e lento, não sei.

 Oxalá consiga correr e nadar até bem entrado na minha década dos 80 anos!








Felizmente tenho tanto o vasto Oceano Atlântico como a Serra mais poética do mundo inteiro mesmo ao pé de casa: Sintra mágica

































































































Registo vídeo de um passeio de 47 km:



E de outros 2:





Fauna do Parque Natural de Sintra-Cascais

 

 

"Uma grande diversidade de habitats, alguns escassos no contexto nacional, permitem ainda grande diversidade faunística, embora nem sempre facilmente observável. São mais de 200 as espécies de vertebrados, já identificadas: 33 de mamíferos, mais de 160 de aves, 12 de anfíbios, 20 de répteis e 9 de peixes de água doce."

https://made-portugal.blogspot.com/2017/05/fauna-do-parque-natural-de-sintra.html


https://icnf.pt/conservacao/parques/parquenaturalsintracascais

https://flora-on.pt/?q=sintra-cascais

https://www.museubiodiversidade.uevora.pt/areas-classificadas/parque-natural-sintra-cascais/

https://serradesintra.net/grandes-arvores/





E como a vida não são só as corridas, ainda me atrevo a escrever uns versos medíocres:

Poesia Coxa



E gosto de música:


 





E de humor:




E outros mais sérios:




Vive a vida como se fosse o teu último dia, é o que eu digo sempre









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