Portugueses lá fora: do pelotão às grandes provas internacionais

A elite deu visibilidade; o pelotão transformou a ida lá fora numa prática social. Os números dos contingentes (UTMB, MDS, Andorra, Ehunmila

Portugueses lá fora: do primeiro finisher português do UTMB (2004) aos ~200 sorteados por ano; os contingentes de pelotão nas grandes ultras internacionais, a arqueologia do termo «armada», partidas, finishers e desistências, e as viagens em grupo.

Série · História do Trail Running em Portugal · Dossiê 45

Portugueses lá fora: do pelotão às grandes provas internacionais

A elite deu visibilidade externa; o pelotão transformou a ida lá fora numa prática social. Esta é a história de quem viajou para terminar — ou tentar terminar — as grandes ultras do mundo.

📍 Chamonix · Andorra · País Basco · Marrocos · Reunião 📅 2011–2026 📚 Dossiê 45 · Pelotão ✍️ Luís Matos Ferreira
Estado editorial. Rascunho documentado (5/7/2026) — série quantitativa inicial (UTMB 2013–2020, MDS 2012–2017) e arqueologia lexical do termo «armada» com resultados negativos registados; faltam os três testemunhos de pelotão previstos no brief. Proximidade: o autor é ele próprio um atleta deste pelotão (nove 100 milhas, a maioria no estrangeiro) e parte do material datado vem do seu arquivo — auto-citações assinaladas.
2004
1.º finisher PT
do UTMB
88
Inscritos na semana
do UTMB (2014)
47→30
Partidas→finishers
UTMB 2015
192
Sorteados
UTMB (2018)
2011
1.ª «armada lusa»
escrita em trail
Série · História do Trail Running em Portugal Este post integra a série que expande o artigo-base «Trail Running em Portugal: Uma História de Montanha, Resistência e Comunidade». É a extensão internacional dos dossiês do pelotão — Dossiê 44 e 44b — e lê-se em diálogo com o Dossiê 24 — a APT (o grupo de treino com nome parecido) e o Dossiê 05 — Mundiais e Selecção (a representação oficial).

Em 2004, na segunda edição do UTMB, havia exactamente um português entre os 420 finishers. Em 2014 eram 88 os inscritos na semana da prova; em 2018, o sorteio contemplou 192. A elite chegava aos pódios; a maioria viajava para terminar — ou tentar terminar. Este dossiê conta essa maioria: os contingentes, os números, o nome informal que a comunidade lhes deu, e as histórias de estreia, chegada e desistência.

Declaração de interesses e aviso de proximidade

Quem escreve é, ele próprio, um atleta deste pelotão: nove provas de 100 milhas concluídas, a maioria no estrangeiro, sempre longe dos lugares da frente. Boa parte do material datado vem do arquivo pessoal e do blogue do autor — auto-citações assinaladas caso a caso — e a experiência directa entra como testemunho identificado. O autor foi também atleta do grupo de treino APT (Dossiê 24); aqui, a APT só aparece onde é indispensável distingui-la dos contingentes informais.

Critério editorial. Presença internacional não é representação nacional (só a Selecção representa Portugal — Dossiê 05). Um contingente numa prova não era uma equipa nem a APT. E um DNF não é fracasso moral: em ultras internacionais, a desistência é parte central da experiência e documenta-se sem hierarquia. Preferem-se agregados a listas nominais.

1) Antes de haver «armadas»: os primeiros lá fora

A pergunta natural — desde quando há portugueses nas grandes ultras estrangeiras? — tem agora resposta documentada para a prova-farol. Na edição inaugural do UTMB (2003), nenhum dos 67 finishers era português; na segunda edição, em 2004, há exactamente um: Hélder Lopes Ferreira, do Oeiras Sport Clube, 203.º entre 420 finishers, em 38h15m52s — o primeiro português documentado a completar a volta ao Monte Branco, quando a prova tinha dois anos de vida. Em 2005 não há nenhum; em 2006, o único português entre os 1.152 finishers é outra vez ele — o mesmo atleta, a cumprir a sua segunda volta ao Monte Branco (38h46m37s). [R28; R29] (Nota de rigor: a base DUV lista apenas finishers — um português que tenha partido e desistido em 2003 ou 2005 não apareceria aqui.) E o rasto do pioneiro, na sua ficha oficial, é a tese deste dossiê em miniatura: TDS em 2009, Grand Raid des Pyrénées em 2011, provas portuguesas década fora, Tor des Géants em 2021 (142h21m) e — já no escalão 60-64 — um 50K nos Trilhos dos Abutres em 2025. [R29] Mais de vinte anos de pelotão, do Mont-Blanc aos Abutres.

Nota de reconciliação de fontes. A identidade é uma só — a ficha ITRA/UTMB do atleta reúne as duas participações (2004 e 2006) e a memória da comunidade confirma-o (testemunho do autor — Zona 3). Mas as bases divergem nos detalhes, e fica registado: a DUV inscreve o finisher de 2006 sob nome e clube variantes («Ferreira de Oliveira, Helder Renato», Ginásio Gimnoforma, escalão M23) — artefacto de registo daquela edição, não uma segunda pessoa; e as posições diferem entre bases (203.º/420 na DUV, contagem geral, vs 195/400 na ficha, provavelmente só masculinos). Permanece por verificar se é a mesma pessoa que o Hélder Ferreira da primeira Selecção Nacional (Annecy 2015 — Dossiê 05). [R28; R29]

Ainda antes dos contingentes com nome, o UTMB encurtado de 2010 já mostra a comunidade a formar-se: a DUV regista seis finishers portugueses — entre eles Jorge Serrazina (que um ano depois estaria no primeiro contingente do Tor des Géants), Luís Leite, da Confraria Trotamontes (Dossiê 03), e — identificação provável, por confirmar — Sidónio Freitas, o futuro director do MIUT, a cruzar a meta cinco segundos antes de João Hora Faustino. [R30] Os fios desta história já se cruzavam nos Alpes antes de terem nome.

Os primeiros rastos colectivos vêm a seguir. No Tor des Géants de 2011 — 330 km no Vale de Aosta —, alinhou o primeiro contingente português da prova: cinco atletas, de que quatro terminaram e um desistiu ao km 48. O registo triangula-se em três fontes (o blogue Cidadão de Corrida, dias depois da prova; os resultados ITRA; a DUV): Jorge Serrazina (40.º), João Hora Faustino (109.º), Jorge Mimoso (222.º, em 144h59m) e Célia Azenha — 262.ª, no escalão W45, pelas Lebres do Sado: a primeira mulher documentada num contingente português de ultra XL, a fechar 330 km em mais de seis dias de montanha. [R3] Nos anos seguintes, a participação portuguesa no TDG tornou-se recorrente, com muitos outros finishers — a série por edição está por extrair (memória da comunidade; secção 8). No ano seguinte, a Ehunmilak (168 km, País Basco) tinha portugueses suficientes para que, em 2013 e 2014, o contingente estabilizasse nos 16 inscritos em ~295 — cerca de 5% de uma prova basca corrida a mil quilómetros de casa. [R17]

A viagem, nessa fase, era artesanal. A estreia do autor em 100 milhas — a III Ehunmilak, em Julho de 2012 (39h42m, 55.º entre 112 finishers) — fez-se a dois: um atleta e um amigo de apoio, refeições partilhadas e pontos de assistência combinados de véspera. (Auto-citação: relato publicado em Julho de 2012 [R26].) Não havia pacote, não havia grupo, não havia nome para aquilo. O nome viria depois — e não nasceu no trail.

2) O nome: de onde vem a «armada»

A pesquisa lexical desta sessão (Arquivo.pt, imprensa e blogues de época; resultados negativos registados) permite fixar o essencial:

O termo é importado. «Armada lusa» era jargão corrente da imprensa desportiva portuguesa muito antes do trail — automobilismo, ciclismo, surf, ténis (capturas de 2010) [R2] —, e a ocorrência mais antiga encontrada na comunidade dos desportos de natureza é de 2006, num fórum de corridas de aventura («não há notícias da participação da armada lusa por terras galegas?»). [R1] A primeira ocorrência datada em trail que a pesquisa encontrou é de 30 de Setembro de 2011: o Cidadão de Corrida, ao publicar os resultados do Tor des Géants, escreve «foram os seguintes os resultados obtidos pela armada lusa». [R3] No ecossistema UTMB, a primeira «armada portuguesa» datada é um comentário de leitor, a 2 de Setembro de 2013, no live do NEL.pt: «Grande armada portuguesa!!! PARABÉNS!!!». [R4] Em 2018, o termo já era título de imprensa especializada: «Armando Teixeira lidera armada portuguesa no Ultra Trail du Mont Blanc». [R6] Nenhuma ocorrência anterior a 2011 em contexto de trail foi encontrada nos arquivos consultados. A lacuna fica assim delimitada, não resolvida: quem primeiro disse «armada» num trilho continua por identificar, mas o termo entrou na escrita da comunidade entre 2011 e 2013, vindo do vocabulário desportivo geral.

Desambiguação — a APT não é a «armada» deste dossiê. Em 2014 já existia uma página de Facebook chamada «ARMADA Portuguesa do Trail» — mas essa é o nome próprio do grupo de treino de Paulo Pires (APT), objecto do Dossiê 24. [R5] A coincidência verbal ajudou a colar as duas realidades na memória da comunidade — um blogue de 2020 intitulava-se, precisamente, «Armada Portuguesa do Trail. Agora percebo!» [R7] —, e é por isso que a série as separa: aqui trata-se do uso genérico, aplicado a contingentes variáveis e sem comando; lá, de um projecto organizado. O termo teve ainda um terceiro uso, invertido: em 2020, a imprensa algarvia chamava «armada portuguesa» aos da casa que um escocês «destronou» no ALUT. [R8]

O próprio autor escrevia «armada lusa» com naturalidade em 2014–2015 — no anúncio da VCUF («somos 8 tugas, em 67 atletas») e na homenagem aos 47 do UTMB de 2015 [R25; R12]. Regista-se como evidência de uso corrente na comunidade — e como auto-fonte, sem valor para datar a origem.

3) Os destinos que criaram hábito

Os números disponíveis — incompletos, mas já em série — mostram a passagem da raridade ao hábito num intervalo curto:

Prova / ecossistemaEdiçãoPortuguesesFonte
UTMB (prova rainha)2003 · 20050 finishers PT (em 67 · 773)[R28]
UTMB (prova rainha)20041 — o primeiro finisher português (203.º/420)[R28]
UTMB (prova rainha)20061 — o mesmo pioneiro, 2.ª volta (525.º/1.152)[R28][R29]
UTMB (edição encurtada)20106 finishers[R30]
Tor des Géants (330 km)20115 (4 finishers, 1 DNF)[R3]
Marathon des Sables20125[R19]
Ehunmilak (168 km)2013 · 201416 inscritos (em ~295) em cada ano[R17]
Semana do UTMB (5 provas)201488 inscritos (1% de 8.648)[R9]
Marathon des Sables2014 · 2015 · 20175 · 7 · 5[R20][R21][R22]
VCUF — Cerdanya (214 km)20148 (em 67 atletas)[R24][R25]
UTMB (prova rainha)201547 à partida · 30 finishers · 17 DNF[R12]
UTMB (prova rainha)201635 finishers[R10]
Semana do UTMB — sorteados2017 · 2018 · 2019 · 2020180 · 192 · 175 · 182[R6][R11]
Transgrancanaria (5 formatos)201848[R16]
Andorra Ultra Trail VallNord2018~100est[R15]
Diagonale des Fous (Reunião)202217[R23]

Números de fontes de época (imprensa, fóruns que transcrevem dados das organizações, arquivo do autor onde assinalado); a distinção inscritos/partidas/finishers segue cada fonte. A série tem buracos declarados (UTMB 2009–2012; Ronda dels Cims por edição; TDG pós-2011) — ver secção 8.

Dois destinos merecem nota qualitativa. Em Andorra, em 2017, a TSF constatava que Portugal era a nacionalidade estrangeira mais numerosa a seguir aos vizinhos imediatos — «temos muito afeto pelos portugueses… há muitos outros que vêm muitas vezes», dizia o director da prova [R14]; no ano seguinte eram «cerca de cem» [R15]. E no Marathon des Sables, a constância é notável: grupos de 5 a 7 portugueses, edição após edição, durante toda a década — a «comitiva portuguesa», como lhe chamava a imprensa regional em 2014 [R20], sem nunca usar a palavra «armada».

4) Viajar em grupo: boleias, quartos, bandeiras

O que os números não mostram é a logística artesanal e colectiva que os tornava possíveis. Os documentos de época dão três retratos.

A comitiva do deserto. No MDS de 2017, o relato publicado de um dos cinco portugueses resume o modelo:

«Tudo foi mais fácil graças ao excepcional grupo de atletas Portugueses… pois sem a sua ajuda, durante toda a prova, não seria possível ter alcançado um bom resultado.»

— Carlos Coelho, O Praticante, Marathon des Sables 2017 [R22]

Cinco desconhecidos ou quase, agregados pela nacionalidade e pela tenda, a funcionar como equipa informal durante uma semana.

Os oito da Cerdanya. Na VCUF de 2014 (214 km), o contingente português — oito atletas em 67 — partiu, correu e terminou por inteiro, numa prova em que 37% desistiram; a ficha que o autor apresentou meses depois numa palestra resumia-o à maneira da época: «Ambiente e Camaradagem Lusa: 200%». (Auto-citação [R24][R25].)

A bandeira de La Fouly. No UTMB de 2015, a mais de 100 km de percurso e a 2.000 km de casa, um grupo de portugueses instalou-se com uma bandeira no posto de La Fouly a apoiar quem passava — apoio que, no relato do autor, «vale horas de sono». (Auto-citação [R13].) Nenhuma organização o convocou: era o contingente a funcionar como rede de apoio espontânea.

Os «15 Magníficos» do Atlas. Em Outubro de 2016, um grupo de quinze portugueses (mais um, ausente da fotografia) viajou junto para o Ultra Trail Atlas Toubkal (105 km, 6.500 m de desnível, Alto Atlas marroquino, em semi-autonomia) — e auto-baptizou-se, com foto de grupo publicada dias depois: «os 15 magníficos». Entre eles, nomes que atravessam esta série: João Mota, João Faustino e Paulo Pires — o de Almada, não o treinador da APT (a regra dos dois Paulo Pires, aqui resolvida por testemunho directo) —, tratado no grupo por «El comandante» precisamente por ter sido ele a organizar a ida. E o seu epílogo é o arco deste dossiê em miniatura: nos anos seguintes foi, durante vários anos, o representante da prova em Portugal — o organizador de uma viagem de amigos transformado em elo oficial entre a prova marroquina e o pelotão português. (Auto-citação [R31]; identificação, alcunha e epílogo por testemunho do autor — Zona 3.) É o contingente auto-nomeado mais nítido que o arquivo dá: já não a «armada» dita por terceiros, mas o grupo a dar nome a si próprio.

Lacuna assumida — os clubes. A pesquisa não encontrou nenhuma deslocação colectiva de clube a prova internacional documentada em fonte de época (convocatória, balanço, «expedição») — as que estão documentadas são de grupos informais (MDS) e do grupo de treino APT, cujos estágios preparavam «as grandes provas de Agosto nos Alpes e Pirenéus» [A1; Dossiê 24]. Os clubes viajavam — o RUN 4 FUN alinhou no Andorra Ultra Trail, por exemplo (Dossiê 42) —, mas a sua logística está por documentar. É uma das prioridades do convite final.

5) O pelotão em números: partir, terminar, desistir

Onde há dados completos, a leitura é honesta nos dois sentidos. No UTMB de 2015, dos 47 portugueses que partiram, 30 terminaram e 17 desistiram — uma taxa de conclusão de 63,8%, essencialmente igual à da prova inteira (63,7% entre 2.563 partidas). [R12] O pelotão português não era nem mais frágil nem mais heróico do que o pelotão global: era parte dele. No extremo oposto, os 8 de 8 da VCUF de 2014, numa prova com 37% de desistências, mostram o que um grupo pequeno e preparado conseguia [R24]; e os 4 de 5 do Tor des Géants de 2011 lembram que, nas XL, a desistência esteve presente desde o primeiro contingente [R3].

É pouco para generalizar — e é dito: três provas não fazem uma estatística. Mas chega para fixar o método deste dossiê: contar partidas, chegadas e desistências juntas, porque a experiência do pelotão internacional é feita das três.

6) Três histórias com fonte: a estreia, a desistência, o regresso

Enquanto os testemunhos de terceiros não chegam (secção 8), o caso mais bem documentado disponível é o do próprio autor — e usa-se, assinalado, porque cobre exactamente o arco que o dossiê quer contar. (Auto-citações [R26][R27]; memória identificada como tal.)

A estreia (Ehunmilak, 2012). Primeira 100 milhas, 39h42m, 55.º entre 112 finishers — meio da tabela, duas noites, e a descoberta de que o problema não era a velocidade, era durar. A viagem a dois, sem estrutura, era a norma da época.

A desistência (Ronda dels Cims, 2017). Ao fim de 27h39m, abandono — a única mancha na série de 100 milhas, e a mais instrutiva: nas XL de alta montanha (170 km, 13.500 m de desnível), parar é uma decisão de gestão, não uma falha de carácter. Fica registada com o mesmo estatuto das chegadas.

O regresso (Ronda dels Cims, 2019). Dois anos depois, a mesma prova, terminada em 57h01m — mais de duas noites e meia em movimento, já na cauda longa da classificação. É a zona do pelotão de que este dossiê trata: onde terminar é o resultado.

O que falta — e só testemunhos de terceiros podem dar — é a experiência junto da barreira horária: os que chegaram a minutos do corte, os que foram cortados.

7) Relação com a elite, a Selecção e a APT

As três realidades vizinhas cruzavam-se nas mesmas provas sem se confundirem. No UTMB de 2015, no mesmo dia em que Armando Teixeira fazia 19.º da geral e Lucinda Sousa e Susana Simões chegavam 20.ª e 21.ª femininas, havia outros ~27 portugueses a terminar entre o meio e o fim da tabela — e 17 a não terminar. [R12] A elite é matéria do Dossiê 06; a Selecção, do 05; o grupo de treino APT, do 24. Este dossiê é o resto — que era quase toda a gente. A sobreposição concreta (quem do pelotão treinava na APT, quem viajava nos mesmos carros que a elite) é investigação partilhada com o Dossiê 24 e permanece em aberto.

8) Da raridade ao turismo desportivo — e o que ainda não sabemos

O arco quantitativo é claro: de 5 portugueses no Tor des Géants de 2011 para ~200 sorteados por ano na semana do UTMB no fim da década [R3; R6; R11]. Pelo caminho, a ida lá fora deixou de ser aventura de pioneiros e passou a prática anual com agências, sorteios, running stones e pacotes — a mecânica de qualificação que hoje condiciona o calendário do pelotão é matéria do Dossiê 22 (em preparação), e a leitura turístico-económica pertence ao Dossiê 36. Lacunas principais:

Lacunas prioritárias
  • A série do UTMB tem buracos — 2007–2009 e 2011–2012, e os finishers de 2017–2019. A via está agora validada: a contagem por nacionalidade na base DUV funcionou edição a edição (2003–2006 e 2010) [R28][R30] — falta varrê-la nos anos restantes; e os tópicos do fórum d'O Mundo da Corrida no Arquivo.pt (compilações de Orlando Duarte) cobrem o lado dos inscritos [R9][R17].
  • O registo variante da DUV para o UTMB 2006 (secção 1) — a identidade está reconciliada (ficha ITRA/UTMB + memória da comunidade); falta assinalar o artefacto à DUV e, idealmente, confirmar com o próprio.
  • Ronda dels Cims por edição, TDG pós-2011, Transgrancanaria 2015 (~30, por confirmar) e os 7 madeirenses de 2017 (fonte 404).
  • Alargar a contagem DUV às restantes provas-caso (TDG, Ehunmilak, Diagonale, Lavaredo) e cruzá-la com a extensão do arquivo de resultados da série.
  • Os três testemunhos de pelotão exigidos pelo brief (estreia de outrem, barreira horária, DNF) — sem eles este dossiê não se publica.
  • A logística dos clubes em viagem e o papel das mulheres nos contingentes — o registo mais antigo é agora Célia Azenha no TDG 2011 [R3], seguida de Carmen Pires na Ehunmilak de 2013 [R17]; a linha feminina do pelotão internacional merece tratamento próprio — cruzar com o Dossiê 07.
Próximo passo editorial

Contactar: Hélder Lopes Ferreira (o primeiro finisher português documentado do UTMB — e o único das edições de 2004 e 2006; mais de vinte anos de pelotão para contar na primeira pessoa); Orlando Duarte (as compilações do fórum d'O Mundo da Corrida — a melhor fonte quantitativa da década); Fernando Andrade (Cidadão de Corrida — o registo do TDG 2011 e a primeira «armada lusa» escrita em trail); Jorge Serrazina (40.º no TDG 2011 — e finisher do UTMB de 2010); veteranos das comitivas do Marathon des Sables (Carlos Coelho relatou 2017 publicamente); os «15 Magníficos» do UTAT 2016; e três perfis de pelotão (estreia, barreira horária, DNF), com consentimento e revisão de citações.

Gostava muito de ouvir a tua opinião. Estiveste num contingente português lá fora — a correr, a apoiar, a conduzir a carrinha? Este dossiê precisa da tua memória e dos teus documentos: fotografias de grupo com data, convocatórias, emails de logística, relatos da altura, classificações. Interessa tanto o finisher como quem ficou pelo caminho ou junto à barreira horária. E interessa, muito, quem souber de um uso escrito de «Armada Portuguesa» ou «Armada Nacional» anterior a Setembro de 2011 — a arqueologia do nome está aberta a contraprova. Os comentários abaixo são o sítio certo.
Referências e remissões
[R1] Fórum CorridasDeAventura.PT — «Balanço da Prova» (25/9/2006; «armada lusa» em corridas de aventura). arquivo.pt
[R2] Imprensa desportiva de 2010 — «armada lusa» como idiomatismo geral (Jornal Ciclismo; capturas equivalentes CM/Destak). arquivo.pt
[R3] Tor des Géants 2011 — primeiro contingente português, triangulado: Cidadão de Corrida (30/9/2011; primeira «armada lusa» datada em trail) · resultados ITRA da edição · DUV (evento 9530: Célia Azenha 262.ª/W45, Lebres do Sado; posição de Jorge Mimoso diverge entre bases — 222.º ITRA/época vs 202.º DUV, tempo idêntico) · ficha ITRA de Jorge Mimoso. arquivo.pt · itra.run · statistik.d-u-v.org · itra.run (Mimoso)
[R4] NEL.pt — «Ultra-Trail du Mont-Blanc 2013» (comentário «Grande armada portuguesa!!!», 2/9/2013). arquivo.pt
[R5] FbRank — página de Facebook «ARMADA Portuguesa do Trail» (2014; cf. Dossiê 24). arquivo.pt
[R6] Corredores Anónimos (Pedro Alves) — «Armando Teixeira lidera armada portuguesa no UTMB» (11/1/2018; 192 sorteados; domínio actual reaproveitado — só via arquivo). arquivo.pt
[R7] Quarenta e Dois (Filipe Torres) — «Armada Portuguesa do Trail. Agora percebo!» (23/2/2020). arquivo.pt
[R8] A Voz do Algarve — «Paul Giblin destrona armada portuguesa… ALUT» (2020; conteúdo por confirmar). arquivo.pt
[R9] Fórum O Mundo da Corrida (Orlando Duarte) — «Ultra Trail Mont Blanc 2014» (88 portugueses inscritos em 8.648). arquivo.pt
[R10] O Praticante — «Armando Teixeira 14.º no UTMB» (28/8/2016; 35 finishers portugueses). arquivo.pt
[R11] Trail-Running.pt — UTMB 2019 (175; 12.º país) e sorteio 2020 (182; o slug diz «190», o texto 182). trail-running.pt
[R12] dorsal1967 — «UTMB — Estatística e Homenagem» (7/9/2015; 47 partidas, 30 finishers, 17 DNF; «Armada Lusa»). Auto-citação; transcreve dados oficiais. dorsal1967.blogspot.com
[R13] dorsal1967 — série «UTMB 2015: Uma odisseia entre Mercúrio e Plutão» (La Fouly, a bandeira). Auto-citação. dorsal1967.blogspot.com
[R14] TSF (Barbara Baldaia) — «Heróis dos trilhos, nobres atletas. Nação valente em Andorra» (14/7/2017). arquivo.pt
[R15] Sábado/Record — «Cerca de 100 portugueses na 10.ª edição do AUTV» (14/6/2018). arquivo.pt
[R16] Running Magazine — «48 atletas vão representar Portugal na Transgrancanaria» (2018). arquivo.pt
[R17] Fórum O Mundo da Corrida (Orlando Duarte) — «EHUNMILAK 2014» (16 PT em 295; 2013 idem, Carmen Pires 81.ª). arquivo.pt
[R18] Bate Estradas — «Lavaredo» (29/6/2014; contingente sem número). arquivo.pt
[R19] Correr por Prazer — «Maratona das Areias: 5 portugueses à conquista do deserto» (27/3/2012). correrporprazer.com
[R20] Região de Leiria — «João Colaço aventura-se no deserto de mochila cheia» (Abr 2014; «Comitiva Portuguesa» de 5 no MDS). regiaodeleiria.pt
[R21] Corredores Anónimos — MDS 2015 (7 portugueses). arquivo.pt
[R22] Running Magazine — «Cinco portugueses… Marathon des Sables» (7/4/2017) · O Praticante — relato de Carlos Coelho. arquivo.pt · opraticante.pt
[R23] Gazeta das Caldas — «Ultra trail relvense destaca-se na ilha da Reunião» (3/11/2022; 17 PT na Diagonale des Fous). gazetadascaldas.pt
[R24] Palestra «O Ultra Trail – Uma Paixão» (AMBA, 3/7/2014; blogue 21/3/2015; VCUF 2014 — 8/8, «Camaradagem Lusa: 200%»). Auto-citação. dorsal1967.blogspot.com
[R25] dorsal1967 — «VCUF - Volta Cerdanya UltraFons 214 km» (20/6/2014; «somos 8 tugas, em 67 atletas»). Auto-citação. arquivo.pt
[R26] dorsal1967 — série «III Ehunmilak 2012» (Jul 2012; estreia em 100 milhas, 39h42m, 55.º de 112). Auto-citação. dorsal1967.blogspot.com
[R27] Série «Acervo de Endurance» (dossiês 01/02/04; cronologia das 100 milhas, incl. DNF de 2017 e Ronda 2019 em 57h01m). Auto-citação. dorsal1967.blogspot.com · dorsal1967.blogspot.com
[R28] DUV Ultramarathon Statistics — resultados do UTMB por edição, contagem POR (5/7/2026): 2003 (0 em 67), 2004 (Hélder Lopes Ferreira, Oeiras SC, 203.º/420, 38:15:52), 2005 (0 em 773), 2006 (Hélder Renato Ferreira de Oliveira, Gimnoforma, 525.º/1.152). statistik.d-u-v.org (2004) · 2003 · 2005 · 2006
[R29] Ficha ITRA/UTMB de Hélder Ferreira (ID 1048795): UTMB 2004 (195.º masc., 38:15:52) e 2006 (496.º masc., 38:46:37) — duas 100 milhas do UTMB do mesmo atleta —, TDS 2009, GRP 2011, TOR330 2021, Trilhos dos Abutres 2025 (60-64). Identidade confirmada pela memória da comunidade (testemunho do autor); registo DUV de 2006 com nome/clube variantes — nota na secção 1. itra.run · utmb.world
[R30] DUV — UTMB 2010 (edição encurtada): seis finishers POR, incl. Jorge Serrazina, Luís Leite (Confraria Trotamontes), Sidónio Sérgio Teixeira de Freitas (identificação com o director do MIUT provável, por confirmar) e João Hora Faustino. statistik.d-u-v.org
[R31] dorsal1967 — «Ultra Trail Atlas Toubkal - UTAT 2016 - A prova» (18/10/2016; «Os 15 magníficos»). Auto-citação. dorsal1967.blogspot.com
[A1] APT — correspondência interna do estágio de Julho de 2013 (preparação das «grandes provas de Agosto nos Alpes e Pirenéus»); uso restrito — tratamento completo no Dossiê 24.
Remissões internas da série: Dossiês 05 (Selecção), 06 (elite internacional), 07 (mulheres), 22 (ITRA/UTMB — qualificação), 24 (APT), 36 (turismo desportivo), 42 (RUN 4 FUN), 44/44b (pelotão doméstico).
Método: fontes de época preferidas a memória retrospectiva; auto-citações do blogue do autor assinaladas; resultados negativos da pesquisa lexical registados na nota de pesquisa (`arquivo/notas-de-pesquisa/pesquisa-pelotao-internacional-2026-07.md`). Os agregados numéricos seguem a definição de cada fonte (inscritos/partidas/finishers).
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